A Marina da Glória, única marina em toda Baía de Guanabara, e o Parque do Flamengo integram um espaço público tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1965. Questões polêmicas a respeito do projeto de revitalização da Marina da Glória continuam sendo alvo de muitas discussões e controvérsias.

O tema foi discutido no Conselho Diretor do Clube de Engenharia, nesta segunda-feira (28), em palestra apresentada por Luiz Goldfeld e Antônio Carlos Cardoso Guedes, representantes da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro (FAM-RIO), com a participação do presidente Francis Bogossian.

O novo projeto concebido pela BR Marinas inclui um parque público com decks, ciclovia, mirante, totalmente arborizado, além de mais vagas para barcos. No entanto, de acordo com Goldfeld, a proposta é uma mutilação do projeto tombado do Parque do Flamengo.

Goldfeld cita que no edital de licitação e contrato de concessão constam como obrigatórios: vagas para embarcações, espaço para serviço de manutenção e reparo, escola de vela, apoio náutico 24 horas, turismo náutico, segurança 24 horas, rampa pública, cais público para embarque e desembarque gratuito, entre outros. Mas no novo projeto não constam esses itens, o que caracteriza o desvio da finalidade a que se propõe a Marina da Glória. 

“Esse projeto traz de novo mais vagas para barcos, por isso dizem que o foco deles é náutico. Vão criar prateleiras atrás do prédio do Amália Machado, que vai perder a vista para o Pão de Açúcar. Espaço coberto para shows e eventos, polo gastronômico, lojas, estacionamento para 510 carros, isso não é um projeto com foco náutico. Muito se fala sobre a revitalização da Marina da Glória, mas antes é preciso saber o que é uma marina. Destina-se a acolher embarcações de esporte e recreio, bem como prestar serviços a seus usuários e a comunidade em geral. A marina é lugar de barco, e não palco de evento, a não ser que seja náutico”, enfatiza.

Foi solicitado ao Ministério Público Federal o embargo das obras, a proibição de eventos na Marina da Glória não relacionados à náutica e a realização de concurso público com a participação da sociedade civil, tanto no edital, quanto no júri, para a realização de um verdadeiro projeto de revitalização da Marina da Glória com foco náutico.

Ao final, os conselheiros Luiz Carneiro, Fernando Tourinho, Ibá dos Santos Silva, Paulo Lima, José Carlos Lacerda e Fátima Sobral opinaram sobre o projeto, destacando a importância da modernização integrada com a natureza, sem descaracterização do objetivo primeiro da Marina, que é o foco náutico. Tourinho demonstrou ainda, grande preocupação com a paralisação das obras: “A obra mais cara para a população é a obra interrompida. Existem muitos esqueletos por aí. O espaço público precisa ser utilizado”.

 

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