2016: caminhos e desafios para diversificar a matriz energética 

 

Com a crise elétrica afetando o bolso do consumidor brasileiro, sob constantes ameaças que, nos últimos anos, vão do aumento do preço da energia aos riscos de racionamento ou “apagão", medidas como a diversificação da matriz energética brasileira e o aumento dos investimentos em fontes alternativas e renováveis são urgentes. Paralelamente, o país deve priorizar a ampliação da geração nuclear e de sua capacidade hidrelétrica. 

De acordo com o Ministério de Minas e Energias (MME), o Brasil chega ao final de 2015 com mais de 40% de fontes de energias renováveis.O aumento de geração de energia por fontes como a biomassa, solar e, sobretudo, eólica, cresceram 30% nos últimos dez anos. As perspectivas para 2016, segundo avaliação do MME, é de que estas fontes renováveis serão opções efetivamente complementares à geração de energia hidrelétrica para os próximos anos. 

Em reunião com o Conselho Diretor do Clube de Engenharia, o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, afirmou que "os resultados do desenvolvimento de energia eólica em operação contratada surpreendem: a capacidade instalada passará de 237 MW em 2006 para 16.694 MW em 2019, enquanto o desenvolvimento da bioeletricidade, que registrou em 2005 capacidade instalada de 1755 MW, tem para  2019 a previsão de gerar 10.809 MW".

O engenheiro civil e diretor da Academia Nacional de Engenharia (ANE), José Eduardo Moreira, diz que "é preciso manter diversificada a matriz de energia, permanecendo a hidrelétrica como base, por ser de menor custo renovável e devido ao grande potencial existente ainda não explorado". Moreira citou, ainda, a fonte de energia eólica como uma das alternativas complementares à geração hidrelétrica. Segundo ele, "é preciso reforçar e estimular a geração distribuída e os programas de eficiência energética. Assim poderemos ter um futuro sem susto e um país mais sustentável".

Diversificar a matriz energética é uma política nacional do MME, de acordo com o secretário de Planejamento Energético Altino Ventura, com destaque para o aumento de 62% da produção de energia eólica no país, sobretudo na região nordeste, que conta com ventos constantes ao longo do ano. Em 2015, o Brasil chegou ao 10º lugar no ranking de maior gerador de energia eólica do mundo, segundo dados do Ranking Mundial de Energia e Socioeconomia, representando hoje cerca de 8% da oferta de energia brasileira. De acordo com o secretário Ventura, o Brasil também produz a maioria dos componentes utilizados na cadeia de geração de energia eólica.

Contudo, especialistas insistem: diversificar a matriz energética no país inclui a retomada do programa nuclear brasileiro. Para Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania, "as reservas dos combustíveis fósseis são limitadas e, possivelmente, ao final do horizonte de estudo, grande parte das térmicas convencionais estará desativada. Restará a hidráulica, a eólica, a solar, a biomassa e a nuclear. Note que estas quatro primeiras fontes são, ou sazonais, ou intermitentes. Por isso, qualquer unidade geradora que as utilize, não é considerada como suprindo energia elétrica firme, o que a usina nuclear supre", conclui.

 

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