O DIA, Editoria Opinião
21/08/2017

Rio - A cada temporada de enchentes no Rio, importantes considerações sobre soluções para o problema são levantadas. Infelizmente, enquanto são discutidas saídas localizadas e ainda sujeitas à influência das marés, a mais radical e relevante já estudada e onde o governo efetivamente investiu continua esquecida.

O projeto do Túnel Extravasor, obra de macrodrenagem que captaria as águas excedentes que transbordam dos rios Joana, Maracanã, Trapicheiros, Macacos, Rainha I e Rainha II, despejando-as no costão do Vidigal, foi elaborado na década de 70. A construção foi iniciada em 71, por Raymundo de Paula Soares, durante o governo Negrão de Lima, porém logo foi paralisada.

As obras recomeçaram em 1989 e foram novamente interrompidas no governo Brizola.

Nos idos de 2010, o projeto foi atualizado por uma comissão criada pelo Clube de Engenharia e encaminhado para o então prefeito Eduardo Paes. A gestão daquela época optou por não dar andamento à execução, alegando que propiciaria a transferência direta para o mar das águas excedentes que inundam logradouros conhecidos pelos cariocas.

Não é possível, contudo, conceber o motivo de o Túnel Extravasor ter sido esquecido, enquanto alternativas passaram a ser discutidas, tais como piscinões e pequenos túneis para conduzir as águas ao Canal do Mangue e ao Cais do Porto, que estão sujeitas à influência das marés altas e que não resolvem totalmente o problema.

Os rios Joana, Maracanã e Trapicheiros deságuam no Canal do Mangue, cujo destino é a Baía de Guanabara. Quando eles transbordam, inundam toda a região do Maracanã e, por gravidade, as águas se deslocam pela superfície e inundam a Praça da Bandeira.

Já o Rio Macacos é o responsável pelas inundações do Jardim Botânico e ele deságua na Lagoa Rodrigo de Freitas onde há registros de enchentes. Os rios Rainha I e II são os responsáveis pelas inundações na Praça Sibelius e adjacentes. Nascem na Rocinha (vertente Lagoa), dividindo-se em dois córregos no Vale da PUC, indo desaguar na Praia do Leblon.

O Túnel Extravasor é, portanto, uma solução global definitiva, pois captaria as águas excedentes desses rios e as conduziria para o mar. Ou seja, há 40 anos, o projeto aguarda uma reinserção na agenda da cidade e, durante o mesmo período, governos entram e saem e o problema das enchentes permanecem sem solução.

 

Francis Bogossian é ex-presidente do Clube de Engenharia e presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE).

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