Engenheiro Raymundo de Oliveira relembra episódios marcantes no Clube

Ex-presidente da entidade dá seu depoimento ao projeto Memória Oral e ressalta a importância política da casa em prol dos interesses nacionais

O Clube de Engenharia está dando prosseguimento ao seu projeto Memória Oral, que vem registrando depoimentos de sócios, com o objetivo de registrar histórias de vida e relatos sobre o passado da entidade. A mais recente contribuição para esse acervo é do ex-presidente Raymundo de Oliveira, que agora está disponível no nosso canal no YouTube. Sempre de forma bem humorada, ele contou episódios de sua carreira como engenheiro e gestor e sua atuação desde os anos 1960 na casa.

Raymundo de Oliveira presidiu o Clube por dois mandatos (entre 1994 e 1997 e no período 2003-2006). Ele destacou como uma de suas principais ações a realização da Primeira Semana da Engenharia Nacional, em 1995. No evento, várias empresas puderam se aproximar dos sócios e apresentar suas experiências. Segundo ele, essa sempre foi uma das principais contribuições da entidade para o país: defender a soberania e qualificação técnica da engenharia. Ao mesmo tempo, a casa teve sua história marcada pela atuação política. 

“O Clube de Engenharia tem uma história muito bonita porque ele esteve presente em todos os momentos importantes da história do Brasil. O petróleo é nosso, Diretas Já, contra as privatizações, e até na Segunda Guerra Mundial, para combater o nazifascismo, o Clube estava na briga”, contou Oliveira, que fez questão de homenagear colegas em seu depoimento.

O ex-presidente lembrou seu período de estudante, em que foi preso em 1964 pelo Regime Militar. Isso o obrigou a mudar de faculdade. Também enfrentou turbulências no seu período na Petrobras e teve que deixar a estatal. Isso não o impediu de continuar contribuindo com o desenvolvimento do país em empresas privadas e também em empresas públicas, como o Proderj e a Cedae, bem como professor na UFRJ. 

Ele defendeu o papel do engenheiro como um importante desenvolvedor de projetos. Essa capacitação também projeta esses profissionais para a elaboração de propostas mais racionais para o país, como um todo, e não é à toa que a entidade sempre exerceu essa vocação de contribuir para a busca soluções mais planejadas para os problemas nacionais, sempre com espírito democrático.

Apesar de se sentir decepcionado com os rumos atuais do país e de ter encarado acontecimentos mais recentes como retrocessos, ele acredita que o Brasil pode reverter sua atual situação. Por isso, ele, mesmo aos 81 anos e bisavô, continua atuante e fez questão de assinar o manifesto pela democracia feito pela Faculdade de Direito da USP. Raymundo de Oliveira acredita que o país pode recuperar sua capacidade de crescimento, com distribuição de renda.

Meu sonho sempre foi deixar um Brasil melhor para os que viessem depois de mim, mas tenho a impressão de que vou deixar um Brasil pior. Mas sou otimista, acho que as coisas vão melhorar, vejam o exemplo da China”, afirmou ele.

O Memória Oral é um projeto da Diretoria de Atividades Culturais e Cívicas e de Atividades Sociais do Clube e cada depoimento é reunido no acervo da Biblioteca da entidade para consulta.

Assista aos principais trechos da fala de Raymundo de Oliveira:

 

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