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notícia 19/09/2012

Branner e o reconhecimento da geologia no Brasil

JC Branner. Foto: Reprodução
JC Branner.
Foto: Reprodução

John Casper Branner, um importante geólogo estadunidense que atuou no Brasil em 1975, foi tema da palestra “J C Branner - Mente et Malleo a serviço do Brasil”, promovida pela Divisão Técnica de Recursos Minerais (DRM) e pela Associação Profissional dos Geólogos (APG). O professor Benedicto Humberto Rodrigues Francisco, chefe da DRM, palestrante do dia, falou sobre a vida e a obra do geólogo nascido nos Estados Unidos em 1852. Branner começou a vida acadêmica na Faculdade de Maryville, mas depois se transferiu para a Universidade de Cornell.

Mesmo antes de terminar os estudos, em 1874, ele começou a participar de pesquisas ao lado de Charles F. Hartt, geólogo que conduziu a Comissão Geológica do Império (CGI), criada em 1874 por D. Pedro II. Cinco anos depois, Branner tornou-se engenheiro-assistente de uma Companhia de Mineração e começou a explorar regiões de Minas Gerais em busca de pedras preciosas. Em 1881, a pedido de Thomas Edison, passou a trabalhar à procura de uma fibra vegetal que serviria para produzir lâmpadas.

Professor Benedicto exibe livro raro durante palestra. Foto: Cecilia Lorenzo
Professor Benedicto exibe livro raro durante palestra.
Foto: Cecilia Lorenzo
Após concluir a universidade, tornou-se geólogo topográfico da Geological Survey of Pennsylvania. Em 1899 ele dirigiu a expedição Agassiz-Branner no Brasil, publicando um grande número de trabalhos sobre geologia e botânica. Benedicto exibiu orgulhoso o livro de “Este livro que eu trouxe é uma raridade, por exemplo, não sei se ainda há algum desse pelo Brasil”. O professor contou, ainda, que Branner chegou a publicar um livro de gramática da língua portuguesa. “Mesmo tendo o inglês como sua língua materna, ele ousou escrever uma gramática, que hoje está em sua quarta edição”, disse.

Entre outros assuntos, o principal tema abordado durante a palestra foi a importância da valorização da geologia no Brasil. “Hoje a geologia tem sido estudada, mas as pessoas têm ido para a área de petróleo”, contou Benedicto. O professor falou sobre a exploração do minério, área em que a geologia está inserida. O Grande Carajás, por exemplo, é um ambicioso projeto de extração mineral em operação no Pará que tem demandado o trabalho de geólogos de todas as partes. Mas, ainda segundo Benedicto Rodrigues, a geologia vai além disso.

Ibá dos Santos. Foto: Cecilia Lorenzo
Ibá dos Santos.
Foto: Cecilia Lorenzo
O chefe da DEA, Ibá dos Santos, fez questão de frisar a importância do geólogo nas questões ligadas ao meio ambiente. “O trabalho do geólogo é essencial quando se trata de desastres naturais”, afirmou Ibá. Ainda sobre o assunto, Benedicto lembrou um evento recente promovido pelo Clube de Engenharia: “discutimos o papel dos geólogos com relação à nova Lei de Defesa Civil. A participação da geologia é fundamental no processo de prevenção. É impossível impedir que os acidentes naturais, deslizamentos etc., mas podemos trabalhar para que não existam vítimas e perdas materiais, ou pelo menos para diminuir esses danos. Os mapas geológicos precisam ser utilizados”. O professor terminou sua fala com o convite da DRM para os próximos eventos. Um deles, que acontecerá em outubro, será sobre terras raras.

O evento aconteceu com o apoio das DTEs de Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis, e contou com perguntas de ouvintes da WebTV.