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notícia 24/08/2012

Valorização da geologia e o futuro do país

Clube debate a influência de Charles F. Hartt no estudo da geologia brasileira

Benedicto Rodrigues, chefe da Divisão Técnica de Recursos Minerais / Foto: Cecília Lorenzo
Benedicto Rodrigues, chefe da Divisão Técnica de Recursos Minerais /
Foto: Cecília Lorenzo
As expedições do geólogo Charles Hartt pelo Brasil foram tema de debate no último dia 23 de agosto no Clube de Engenharia. O professor Benedicto Rodrigues, chefe da Divisão Técnica de Recursos Minerais (DRM) conduziu a mesa composta também por José Ribamar Bezerra, da APG-RJ. Benedicto narrou as vivências de Hartt no Brasil e seus estudos na tentativa de aprofundar os estudos geológicos do país. O geólogo, nascido no Canadá, se apaixonou pelo Brasil e aqui estudou a composição geológica da Bahia e de vários pontos da região Nordeste. Professor de história natural, Hartt, em 1868, ao voltar aos Estados Unidos, tornou-se chefe do departamento de geologia da Cornell University.

Com espírito explorador, Hartt voltou ao Brasil e foi convidado por D. Pedro II para compor e organizar a Comissão Geológica do Império (CGI). “A CGI foi criada em 1874 com o objetivo de traçar um mapa geológico do Brasil, Hartt organizou a comissão ao lado de pesquisadores estrangeiros e dois engenheiros brasileiros, Francisco José de Freitas e Elias Fausto Pacheco Jordão. Pacheco Jordão foi o primeiro brasileiro a estudar Engenharia Civil na Cornell University, onde se doutorou, em 1874”, contou o professor Benedicto.

Às custas de muita dedicação, Hartt fundou um museu para abrigar os espécimes científicos coletados durante as expedições. Após quatro anos de estudos, Hartt retornou ao Rio de Janeiro, onde morreu de febre amarela, aos 38 anos. “Foi o corte brusco de uma carreira brilhante, mas seu legado inspirou os alunos trazidos ao Brasil, que continuaram suas pesquisas”, explicou Benedicto. Os estudos, ainda segundo o professor Benedicto, ultrapassaram as barreiras da geologia pura e simples e tornaram-se verdadeiros descobrimentos arqueológicos e estratigráficos.

José Ribamar Bezerra, da APG-RJ / Foto: Cecília Lorenzo
José Ribamar Bezerra, da APG-RJ /
Foto: Cecília Lorenzo
A fala de José Ribamar complementou a explanação anterior. Com perguntas bastante pertinentes, a plateia demonstrou interesse pela história de Hartt, acrescentando conhecimentos e questionando um tema importante: a valorização da geologia no Brasil. Após diversas perguntas, Benedicto Rodrigues explicou que: “O grande problema é que, no Império, com o fim do ciclo do ouro e das pedras preciosas, houve falta de incentivo financeiro ao trabalho da comissão geológica, que precisava de dinheiro para prosseguir com as pesquisas. Infelizmente, uma visão imediatista de alguns governantes – visão esta que perdura até hoje - que queriam resultados rápidos de estudos demorados, os trabalhos acabaram sendo desvalorizados”. José Ribamar explicou que os estudos feitos na época eram mais demorados porque iam muito além da geologia. Benedicto encerrou o debate explicando que os cursos de geologia no Brasil são recentes e resultam, na verdade, da criação e dos investimentos na Petrobras. “Com a necessidade de exploração da geologia brasileira, a graduação na área nasceu e trouxe grandes frutos, como por exemplo o pré-sal, isso prova a relevância da geologia para o país, que precisa dela para se desenvolver”, encerrou Benedicto.

O debate foi promovido pela DRM e contou com a transmissão via WebTV.