Por Olga Simbalista
No dia 2 de dezembro p.p., a Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN realizou uma cerimônia para celebrar o início formal do Microrreator Nuclear Brasileiro, a ser implantado no Instituto de Energia Nuclear – IEN, no Campus da UFMG.
Trata-se de uma unidade crítica, ou seja, capaz de sustentar uma reação em cadeia, de 100W, que ficará junto às instalações do Reator Argonauta, uma unidade subcrítica, construído em meados dos anos de 1960, por técnicos e engenheiros brasileiros, bem como materiais nacionais. O novo reator teve seu projeto NSN para a obtenção de sua Licença de Construção.
O reator está sendo desenvolvido por um pool de 13 parceiros institucionais, incluindo:
- Empresas privadas, como a Diamante Energia, a Terminus P&D Energia e a Indústrias Nucleares do Brasil – INB;
- Órgãos de apoio e fomento, como o Ministério de Ciências Tecnologias e Inovação – MCTI, a Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP e a Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA;
- Instituições científicas e universidades, como a Amazonas Azul – Amazul, o Instituto de Pesquisas de Energia Nuclear – IPEN, a Universidade Federal do Ceará – UFC, o Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel, a Marinha do Brasil, a Universidade Federal do ABC – UFABC e a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.
O novo reator a ser instalado no IEN servirá como protótipo de um microrreator de potência de 5MW. O Secretário de Ciências Tecnologias e Desenvolvimento Social do Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação – MCTI, Márcio Arruda, enfatizou que o projeto é uma conquista da ciência brasileira com o apoio e o engajamento do Governo Federal, que irá beneficiar o País como um todo, em particular a áreas de energia de pequeno porte e locais isolados.
O financiamento para o projeto é de R$ 50 milhões, dos quais R$ 30 milhões oriundos da FINEP, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Tecnológico – FNDCT e R$ 20 milhões da Diamante Energia.
O microrreator será implantado no IEN e servirá de base para um Micro Reator com uma potência de cerca de 5 MW.
O Diretor Executivo da Terminus, Adolfo de Aguiar Braid, é o responsável pelo desenvolvimento e teste de tecnologias críticas para Microrreatores Nucleares, que, no futuro, estarão disponíveis para gerar eletricidade em cidades de até 20 a 30 milhões de cidadãos.

Pelo fato de tais reatores serem compactos, poderão ser transportados para regiões de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas, em áreas de florestas, data centers, bases militares afastadas, plataformas de petróleo e segmentos industriais de grandes consumos, como metalurgia, alimentos, química, têxtil, produtos minerais não metálicos, dentre outros.
Tudo isso com capacidade científica e tecnológica brasileira para fabricar e operar tais plantas e além de já dominar todo o ciclo do combustível por meio de tecnologia própria, no Centro Tecnológico da Marinha em Aramar.




