Roberto Kochen
A carência de infraestrutura no Brasil gera um custo anual equivalente a cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto), um índice alarmante que reflete os desafios enfrentados em setores essenciais. Esse impacto afeta diretamente as empresas, que lidam com problemas de logística, transporte, energia cara e acesso inadequado a serviços. Esses fatores reduzem a produtividade, aumentam os custos de produtos e serviços e comprometem a competitividade do Brasil no mercado global, especialmente na exportação de itens estratégicos como grãos e minérios.
O transporte rodoviário é um dos mais prejudicados: mais de 60% das rodovias brasileiras apresentam deficiências, enquanto a maior parte do transporte de mercadorias depende desse modal. Essa precariedade não apenas eleva os custos logísticos, mas também agrava problemas de segurança, resultando em acidentes frequentes e perdas de vidas.
No saneamento básico, quase metade da população não tem acesso à coleta de esgoto, comprometendo a qualidade de vida de milhões e pressionando os gastos em saúde pública devido ao aumento de doenças relacionadas à falta de saneamento adequado.
Já o transporte público enfrenta sistemas saturados e ineficientes, gerando congestionamentos constantes e mobilidade urbana precária. A ausência de alternativas como metrôs e trens urbanos em muitas cidades agravam ainda mais a situação, impactando diretamente a rotina da população.
Outro grande desafio está no setor de energia, onde o custo no Brasil é um dos mais altos do mundo. Isso limita o crescimento econômico, afetando famílias e empresas.
Além disso, as infraestruturas de saúde e educação estão defasadas, prejudicando tanto o atendimento à população quanto a formação das futuras gerações.
Diante desse cenário, torna-se urgente investir em infraestrutura com foco não apenas no aumento dos recursos, mas na qualidade técnica e na durabilidade das obras. Investimentos planejados e bem executados podem reduzir custos, impulsionar a competitividade e melhorar a qualidade de vida. Com um plano sólido e consistente, o
Brasil tem a chance de construir um futuro de desenvolvimento e se posicionar como uma nação de destaque global nas próximas décadas.
Artigo publicado originalmente na Revista Engenharia, ano 5 10/2024 – pág. nº 52