Sistema Alerta Rio pode ganhar maior precisão

Sistema Alerta Rio pode ganhar maior precisão

A engenheira Desirée Christine de Oliveira e Silva
Sistema Alerta Rio pode ganhar maior precisão
Sambódromo do Rio

Pesquisadora avalia histórico de deslizamentos e propõe método mais adequado aos indicadores das subregiões da cidade

O município do Rio de Janeiro tem atenuado os efeitos das chuvas fortes com o uso de seu sistema de alerta que emite avisos quando tempestades estão prestes a cair e deixam ainda mais avisadas as populações de locais de risco. O Alerta Rio, da Fundação Geo-Rio, ganhou até notoriedade nacional, mas pode ainda sofrer aprimoramentos e ganhar maior precisão. A conclusão é de uma pesquisa feita pela engenheira geotécnica   Desirée Christine de Oliveira e Silva, por meio da Coppe/UFRJ. Ela estudou dados reunidos no período entre 1999 e 2022, incluindo informações de 33 pluviômetros, laudos de 6.671 deslizamentos e um total de 14.402 inspeções técnicas. A partir da relação entre a intensidade das chuvas, a precipitação acumulada e a ocorrência de movimentos de massa nas encostas em diferentes áreas, ela propõe previsões mais adequadas à realidade de cada subregião.

Foram analisadas as ocorrências de deslizamentos e relacionadas com os dados pluviométricos da região, bem como as intervenções feitas para contenção e as novas ocupações das encostas. A metodologia levou em consideração não só o georreferenciamento, mas também a intensidade das chuvas e o seu intervalo. Com isso, foi possível avaliar até que ponto os incidentes estavam vinculados ao acúmulo de água no solo ou não. Isso também ajudou a separar os eventos pluviométricos realmente relevantes para o estudo.

O período de 24 anos foi dividido em três fases, que foram analisadas em cada uma das 11 sub-regiões do município. Como era de se esperar, constatou-se um risco maior de deslizamentos em áreas de favelas e também ficou evidenciado que uma grande concentração de obras de contenção de encostas no período de 2007 a 2014 foi fundamental para a redução nas ocorrências no período seguinte. No entanto, o objetivo do estudo foi mostrar o quanto a aplicação de uma metodologia única para todo o território da cidade tende a provocar a emissão de alertas muitas vezes pouco eficazes.

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Deslizamento na Av. Niemeyer. Crédito: Agência Brasil

A pesquisadora verificou que nem sempre o acumulado de chuvas nas últimas 96 horas anteriores seria o principal indicador para o risco de ocorrência, pois elas variariam de acordo com o período e a sub-região. No período entre 1999 e 2006, o intervalo mais relevante na região da Ilha do Governador foi o de 48 horas de chuvas, por exemplo. Em outros casos, foi visto que chuvas intensas no intervalo de 24 horas se mostraram mais perigosas.

“Concluímos que os critérios atualmente utilizados pelas autoridades municipais para acionar sistemas de alarme, de alerta precoce, fazendo-se um papel único para toda a cidade deve ser repensado, levando em consideração os resultados do presente estudo. Destacamos a necessidade de aprimorar esse sistema, a fim de se reduzir o número de falsos alarmes em toda a cidade, exatamente por conta dessa particularidade, porque atualmente temos valores pré-definidos para toda a cidade, mas cada sub-região tem singularidades de maneira que acaba acontecendo essa situação de você ter o alarme, mas você não tem ali o evento, aquela chuva ali, aquele critério para aquele local não é o mais adequado”, concluiu a pesquisadora.

A palestra, intitulada “Pluviosidade crítica e aspectos deflagradores de movimentos de massa nas encostas da cidade do Rio de Janeiro – Período de 1999 a 2022”, foi proferida no Clube de Engenharia do Brasil, a convite da Divisão Técnica de Geotecnia (DTG), com apoio da Fundação GeoRio, da ABGE – Núcleo RJ, da ABMS – Núcleo RJ e da Divisão Técnica de Geologia e Mineração (DGM).

Monitoramento

Conforme ressaltou a pesquisadora, os aprimoramentos propostos não servem para ofuscar as qualidades e avanços conquistados pelo Sistema Alerta Rio. Ao longo dos anos, os investimentos feitos em obras de contenção de encostas, iniciados ainda no final da década de 1960, prepararam a cidade para enfrentar melhor as tempestades. Mortes por causa de deslizamentos têm sido menos frequentes, mas os transtornos e o contínuo risco geram preocupação e motivam o debate sobre as melhorias.

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Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Não se pode deixar de lado que o Rio ainda sofre consequência das quedas de barreiras, quando há uma chuva mais intensa. Em fevereiro último, por exemplo, a Avenida Niemeyer, no Leblon, precisou ser interditada em virtude de um deslizamento. Enquanto esses problemas não forem totalmente eliminados, o mínimo é alertar a população que vive em áreas de risco do perigo para que se proteja em local seguro.

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