Ato na ABI debate organização da sociedade em defesa dos dados oficiais e da soberania nacional

Por Xico Teixeira

Um grupo representativo de lideranças técnicas, entidades científicas e acadêmicas, gestores públicos e privados, pesquisadores e estudantes, de forma presencial e pela internet, realizou na sede da Associação Brasileira de Imprensa – ABI, no Rio de Janeiro, o primeiro Ato Público da “Sociedade em defesa dos dados oficiais e da soberania nacional”.

A mobilização da sociedade ocorre diante da crescente disseminação de desinformação sobre pesquisas científicas e estatísticas no Brasil.

Entre as entidades que apoiaram o lançamento deste movimento nacional estão a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Nova Central Sindical de Trabalhadores, a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), a Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, a Pública – Central do Servidor, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), a Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET), o Clube de Engenharia, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro (FAM-Rio), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), representantes do mandato da deputada Marina do MST, o Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (SENGE-RJ), o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro (SINDIMETAL-RJ), a Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (CISBRA), União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ), entre outras.

O jornalista e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa, Xico Teixeira, abriu o encontro destacando o papel da imprensa na proteção da informação pública. Segundo ele, quando dados passam a orientar decisões de poder ou interesses públicos, cabe ao jornalismo exercer a função de fiscalizar, explicar e defender a integridade dessas informações. Teixeira ressaltou que dados confiáveis vão além de simples estatísticas: são instrumentos de cidadania. “Para nós, isso é fundamental. E é justamente por isso que estamos reunidos aqui hoje: neste encontro, nesta conversa, neste espaço de reflexão e defesa da informação pública.”.

O presidente da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho, Adalberto Cardoso, defendeu a importância do conhecimento científico produzido por instituições públicas e alertou para os ataques aos sistemas de produção de dados. “O conhecimento científico tem um papel fundamental: ele esclarece o que está por trás das fake news e das narrativas distorcidas. Por isso, a produção de conhecimento, de estatísticas e de ciência muitas vezes contraria os interesses da extrema-direita, no Brasil e no mundo. E quando falo de extrema-direita, não me refiro apenas a governantes. Falo também de setores econômicos — industriais, banqueiros e empresários — que financiam esses projetos políticos e que não têm interesse na exposição das mazelas do país, como a pobreza, a exploração e as desigualdades.“.

Na sequência, o engenheiro Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia do Brasil, falou sobre o apoio da instituição ao ato público. “Nós precisamos cerrar fileiras e dar as mãos em torno de um objetivo maior. Não importa de que time você é, não importa a sua orientação sexual, nem a sua religião. O que importa é que todos estejamos unidos em torno de uma causa maior — e este tema que nos reúne hoje é uma delas. Defender os interesses da nação brasileira, que passam pela soberania nacional, está sempre ligado à defesa do interesse do povo.”.

Bogoassian lançou inclusive a proposta de se realizar ainda neste semestre uma reunião ampliada, no Clube de Engenharia, com lideranças e entidades e público em geral, em continuidade da luta contra os ataques à soberania nacional e no combate às fake News.
O economista e presidente do IBGE, Marcio Pochmann, agradeceu o apoio das centrais sindicais no ato público e fez um panorama sobre os ataques que as instituições de pesquisas vem sofrendo ao redor do mundo. “É uma onda que vem ganhando dimensão no mundo e é muito importante que aqui no Brasil nós possamos estar unidos, convergentes, com a defesa das instituições que produzem justamente o conhecimento. A produção de estatística de dados no Brasil nunca foi algo simples. É importante se dizer isso, especialmente em momentos em que foram constituídas as instituições de pesquisa na área da produção de estatística e geografia.”, apontou Pochmann.

O professor da UERJ, Adair Rocha, defendeu que é fundamental compreender que a relação entre soberania e democracia é indissociável. “Não é por acaso que este primeiro encontro acontece aqui, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Este espaço tem um simbolismo muito forte, porque a democracia é parte da sua própria natureza e da história das instituições que aqui se formaram e se fortaleceram.“, disse Adair Rocha.

O empresário e presidente da Câmara Brasileira de Comércio, Indústria e Serviços (CISBRA), Paulo Protásio, falou sobre a perspectiva estratégica do mapa mundi com o Brasil no centro. “O IBGE conseguiu consolidar esse entendimento de um Brasil que se afirma como centro de um mapa múltiplo.” E complementou: “A América do Sul precisa ser compreendida não apenas como parte do Atlântico, mas como um continente bioceânico, de enorme importância no processo de modernização que está em curso no mundo.”.

Próximos passos

Outros Atos Públicos estão sendo organizados, inicialmente, em São Paulo, Brasília, Fortaleza, São Luís e no Recife, dentre outros.

O Clube de Engenharia sugeriu um ato no final de abril, em que reuniria mil participantes em torno do tema da soberania de dados.

O movimento criará redes sociais para registar o debate, mas também a agenda de atos e reuniões.

Por fim, o movimento pretende marcar uma reunião de organização dos próximos passos, no que envolverá propostas concretas de enfrentamento das fake news e do processo de defesa dls usuários e produtores de dados.

Debate urgente

Movimento alerta para o avanço das fake news na era digital, que tem colocado instituições de pesquisa e seus profissionais no centro de ataques que buscam descredenciar metodologias, indicadores e resultados produzidos por órgãos oficiais. Essas campanhas de desinformação, amplificadas em redes sociais e canais digitais, têm atingido especialmente instituições responsáveis por levantamentos estatísticos e geocientíficos essenciais para o planejamento de políticas públicas.

O ato também se insere no conjunto de mobilizações em defesa da democracia e das instituições públicas. Para os participantes, a integridade das informações produzidas por órgãos de pesquisa é fundamental para o funcionamento do Estado de Direito e para a formulação de políticas voltadas ao desenvolvimento social e econômico do país.

O Ato pode ser acessado pelo site da ABI: CLIQUE AQUI

Fonte da Notícia:https://www.ABI.org.br/ato-na-ABI-debate-e-organizacao-da-sociedade-em-defesa-dos-dados-oficiais-e-da-soberania-nacional/

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