Sócios conhecem de perto empresa que é referência em caldeiraria e estratégica para o Brasil
O Clube de Engenharia do Brasil promoveu na última quarta-feira (30) uma visita técnica à Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A.), em Itaguaí, onde os sócios participantes puderam conhecer de perto uma indústria estratégica para o país. Apesar de ter sido criada em 1975 como uma estatal voltada para o setor nuclear, a empresa ganhou versatilidade e atualmente também atende aos setores de defesa, óleo e gás e energia. Suas dimensões e expertise a tornam um agente fundamental do desenvolvimento e referência na fabricação de equipamentos de caldeiraria, com diversas certificações nacionais e internacionais.
O grupo foi recebido pelo presidente da empresa, Adeilson Ribeiro Telles, que apresentou um histórico da Nuclep, seu panorama atual e suas perspectivas para o futuro. Ele explicou que a descontinuidade do programa nuclear brasileiro levou a estatal a diversificar suas demandas. Na visita à Nuclep houve apresentação de sua atuação estratégica na área nuclear e de defesa, com destaque para a construção dos submarinos da Marinha e o desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear. A empresa concluiu etapas de qualificação do projeto e recebeu recursos para avançar na construção dessa embarcação, após participar da fabricação dos quatro submarinos convencionais. A estrutura de pesquisa e fabricação nuclear envolve rigorosos processos de certificação, controle de qualidade e fiscalização, incluindo a construção do protótipo do reator em terra e do chamado bloco 40, que abriga o reator.
A história da Nuclep está ligada ao programa nuclear brasileiro, criado durante o período da ditadura militar com a perspectiva de construção de oito usinas nucleares. A empresa foi estruturada para produzir equipamentos de grande porte e, diante da descontinuidade do programa nuclear nas décadas de 1980 e 1990, precisou diversificar suas atividades para setores como petróleo e gás, energia, torres de transmissão e defesa. Entre seus projetos estão equipamentos para Angra 3, estruturas para plataformas de petróleo e estacas-torpedo para a Petrobras. A direção também destaca que a empresa enfrenta limitações orçamentárias e depende de projetos de longo prazo, mas considera estratégica a preservação de sua capacidade industrial e tecnológica.
Durante a visita às instalações, foram demonstrados os processos de engenharia, fabricação, soldagem, tratamento térmico, montagem e inspeção de equipamentos de grande porte. A Nuclep possui certificações internacionais específicas para atuar no setor nuclear e é submetida a rigorosas auditorias e controles de qualidade. A visita foi guiada pelo engenheiro metalúrgico Eduardo Carvalho, Gerência Geral de Fabricação de Projetos, que explicou como cada soldagem segue procedimentos técnicos específicos e é submetida a ensaios mecânicos e não destrutivos, como ultrassom e radiografia, além de extensa documentação. A visita também ressaltou a importância da qualificação e renovação da mão de obra, já que muitos profissionais experientes estão se aposentando, tornando a preservação e a transmissão do conhecimento técnico um desafio para a empresa.
O estudante de engenharia de produção do Cefet Diego Silvestre da Silva elogiou a iniciativa do Clube: “Achei muito interessante conhecer os diferentes departamentos da Nuclep e tudo que aprendi hoje veio a se somar muito ao que aprendo na faculdade”.
O presidente da Nuclep, Adeilson Ribeiro Telles, também agradeceu a interação com a entidade: “É uma instituição que tenho profundo respeito, pelo papel que tem na historia do Brasil. A Nuclep é uma indústria pesada que ainda pretende servir muito ao povo brasileiro”.








Fotos: Nuclep



