O uso de Pequenos Reatores Modulares (SMRs, da sigla em inglês) foi tema da audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em Brasília, na terça-feira, 7 de abril. A audiência trouxe discussões sobre a tecnologia de SMRs, com foco na customização do projeto para o mercado brasileiro, alterações regulatórias necessárias e estratégias para desmistificar a energia nuclear.
O presidente Francisco Rondinelli, representando a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), abriu os trabalhos, com uma apresentação do projeto do primeiro microrreator nuclear brasileiro, uma parceria que envolve empresas privadas, órgãos de apoio e fomento, instituições científicas e universidades. Ele destacou que o projeto ganhou nota máxima na avaliação da FINEP, e que a previsão é de que em 2030 o protótipo esteja concluído e em 2033 seja disponibilizada a primeira unidade comercial.
O projeto envolve instituições públicas e privadas, liderada pela Terminus P&D em Energia e envolve R$50 milhões em investimentos, reunindo empresas privadas (Diamante Energia, Terminus P&D em Energia e Indústrias Nucleares do Brasil), órgãos de apoio e fomento: MCTI, FINEP e a AIEA; Instituições científicas e universidades: o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN), Amazul, IPEN/CNEN, UFC, Inatel, Marinha do Brasil, UFABC e a UFMG.
Rodinelli falou sobre os atributos e objetivos dos microrreatores, das aplicações como em uso em regiões remotas, e ressaltou duas grandes vantagens: a de não consumir água e a capacidade dos microrreatores atenderem a 22% dos 5.570 municípios brasileiros. Ao final da apresentação, Rondinelli respondeu a perguntas e foi parabenizado pelos participantes que o sucederam pelo projeto em desenvolvimento.
Os demais participantes da audiência falaram de suas instituições, dos trabalhos realizados na área, e da importância da inclusão cada vez maior do uso da energia nuclear na matriz energética do Brasil, incluindo os SMRS. Mas todos destacaram grandes desafios a serem enfrentados com destaque para a regulação, salvaguardas e comunicação – a conscientização da sociedade no combate à desinformação sobre o uso da energia nuclear.
O evento contou com a participação de instituições públicas e privadas da área nuclear: MCTI, CNEN, MMA, MB, Eletronuclear, IPEN, INB, EPE, IEGEN, ABEN, ABDAN, ANSN.



