Editorial: Mundo em perigo

Mundo em perigo

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Ao longo de seus 145 anos, sempre em defesa da soberania nacional, da democracia e do desenvolvimento, o Clube de Engenharia do Brasil nunca deixou de lado a inserção do país no contexto internacional. Por isso, mais uma vez não podemos nos furtar de manifestar nossa preocupação com relação ao atual cenário desafiador que o mundo atravessa.  O ataque das forças dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que resultou na morte do líder Aiatolá Ali Khamenei, acabou não levando à derrocada do regime xiita. Ao contrário, a estrutura de poder se mostrou resiliente e vem enfrentando seus inimigos. É um conflito que extrapola em muito o âmbito regional, e que não tem previsão de fim. Suas consequências podem ser gravíssimas. Por isso, fazer um apelo aos líderes das nações por um esforço em nome da distensão e do diálogo se faz necessário.

Não se trata nesse momento de um debate sobre a melhor forma de governo, as diferenças culturais e religiosas de cada povo. Está em jogo a sobrevivência de um sistema internacional, que mesmo precariamente, preconizou nas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial um ordenamento em que o respeito à soberania e à autodeterminação dos povos foram pilares fundamentais. Mesmo que desrespeitados em certos episódios, foram sempre base para as negociações e o diálogo internacional. Porém, a afronta ganhou escala maior. Primeiro, com a  invasão e prisão do ex-presidente da Venezuela Nicolas Maduro. Mais recentemente com os ataques ao Irã, que imediatamente iniciou uma onda de retaliações. 

O Irã, como país signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), tem o dever de permitir inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e de garantir o fim pacífico do uso da energia nuclear. As queixas do órgão da ONU com relação à transparência do programa de enriquecimento de urânio do país persa merecem crédito e estavam em curso negociações envolvendo até Washington. No entanto, a via diplomática foi atropelada pela saída militar e o bombardeio do dia 28 de fevereiro só gerou até agora destruição, mortes e prejuízos econômicos. Mas os danos da guerra não devem parar por aí.

Tendo menor poderio bélico, o Irã combate seus inimigos usando seu principal trunfo, que é o controle sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do comércio do petróleo mundial. Já é motivo para colocar o preço dessa commodity nas alturas, provocando risco de alta da inflação e até de retração da economia mundial. Os ataques a países vizinhos também causam um baque grave, pelos prejuízos causados ao turismo e ao tráfego aéreo. A alta participação do Oriente Médio na  produção de fertilizantes é outro fator de risco, que impacta diretamente o Brasil, ainda dependente da importação desses produtos para manter sua agricultura. Bombardeios a instalações de gás também causam sério risco de desabastecimento dessa fonte energética.

Em se perdurando esse conflito, já se pode prever quem serão os maiores penalizados: as camadas mais pobres e vulneráveis do planeta! Por isso, é fundamental a consciência com relação à necessidade de retomada do diálogo e  interrupção doa ataques. A escalada da guerra não é bem-vinda e pode levar a consequências ainda mais catastróficas.

Ao apelo ao bom senso e à retomada dos meios diplomáticos de resolução se faz necessário é a mensagem que a publicação oficial do Clube tem a trazer. Nesta edição, tratamos também de temas fundamentais da atualidade brasileira e da Engenharia Nacional, a exploração de terras raras, a infraestrutura de telecomunicações e a revolução dos mini e micro reatores nucleares. Rememoramos também feitos como a construção do Sambódromo do Rio de Janeiro, erguido em tempo recorde, que orgulhosamente abordamos em nossa matéria de capa. 

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Bio: Diretoria do Clube de Engenharia do Brasil.

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