O Clube de Engenharia do Brasil (CEB), indignado e surpreso, vem manifestar seu total repúdio ao extermínio da área verde do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, ocorrida nos últimos dias de 2025.
A ação, que resultou na derrubada de 71 árvores, sendo a maioria de grande porte e muitas espécies centenárias, gerou uma série de protestos de moradores e ativistas, desolados pela destruição do local que desempenhava função essencial ao meio ambiente, além de ter inestimável valor histórico, cultural e afetivo para a comunidade. A destruição da vegetação do antigo colégio ocorreu para dar lugar a um novo empreendimento residencial, desprezando a necessidade de preservação das áreas verdes urbanas.
O Clube de Engenharia do Brasil endossa os protestos da população e denuncia que tal devastação se deu em plena vigência do Decreto Municipal no. 28.253/2014, de tombamento do pavilhão São Clemente (onde residiu o Barão de São Clemente), da cavalaria, da guarita e do gradil – que também declarou imunes ao corte as árvores do lote e criou a área de entorno dos bens tombados.
As árvores compunham um micro ecossistema importante para a qualidade do ar e a paisagem do bairro, e sua remoção pode ser considerada crime ambiental. As áreas de amortecimento foram igualmente ignoradas.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro abriu um inquérito para investigar o caso, que configurou flagrante desrespeito ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, garantido pela Constituição Federal em seu art. 255 e ao Estatuto da Cidade, Lei Federal no. 10.257/2001, que prevê textualmente a realização de “audiência do Poder Público municipal e da população interessada nos processos de implantação de empreendimentos ou atividades com efeitos potencialmente negativos sobre o meio ambiente natural ou construído, o conforto ou a segurança da população”.
O Clube de Engenharia do Brasil se une à forte reação da comunidade local e de entidades da sociedade civil contra a violência ao meio ambiente, lamentando a visão dos construtores, que poderiam ter aproveitado toda a riqueza do local para valorizar seu empreendimento, sem causar essa enorme devastação.



