Futuras Cientistas: Programa da Uerj incentiva inserção feminina nas áreas de tecnologia, exatas e engenharia

Em janeiro, sete alunas do ensino médio de escolas públicas estaduais e uma graduanda participaram, na Uerj, da Imersão Científica 2026 do Programa Futuras Cientistas. Lançada em 2012 pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), órgão vinculado ao Governo Federal, a iniciativa incentiva a inserção feminina nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês). Neste 11 de fevereiro, Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, conheça o projeto da Uerj “Nanotecnologia e inovação: da mecânica à cosmética”, contemplado no edital do Cetene.

Coordenado pela professora Suzana Bottega Peripolli, o projeto recebe o apoio do Departamento de Inovação da Uerj (InovUerj) e de pós-graduandos, técnicos e docentes da Faculdade de Engenharia (FEN), do Instituto de Química (IQ) e de estudantes envolvidas no projeto de extensão “Elas fazem ciência, sim” e também de profissionais da UFRJ. “O Futuras Cientistas é um projeto de mudança de vida para as meninas, pois elas podem conhecer uma universidade pública com equipamentos de ponta em laboratórios de pesquisa. Este contato traz uma nova dinâmica para a vida delas, expande horizontes com a possibilidade de estudar, ter independência financeira e promover melhorias pessoais e também para a família”, explica Suzana.

“Nas Engenharias, na Física e na Matemática encontramos poucas mulheres atuando. Então, ajudar a promover a entrada de meninas e mulheres na área de STEM é um os objetivos principais do projeto, que traz muito orgulho para esse laboratório”, acrescenta a professora, que coordena o Laboratório Multiusuário de Nanofabricação e Caracterização de Nanomateriais (Nanofab) da Uerj.

Durante o mês, no turno da manhã, foram realizadas atividades práticas multidisciplinares, com abordagens de conceitos de química, física e matemática, nos laboratórios do curso de Engenharia Mecânica, no Complexo Fonseca Teles, em São Cristóvão. Por meio das aulas e oficinas, as alunas produziram batons com cera de abelha, lanolina e manteiga de cacau, conheceram os processos de fundição, corrosão e preparação de amostras metálicas e ainda observaram nanoestruturas.

“A novidade desse ano foi a impressão 3D; trazendo essa parte da manufatura aditiva, como construir componentes depositando o material camada por camada. Além disso, vamos inaugurar no final do primeiro semestre uma sala limpa, laboratório que permitirá o trabalho com dispositivos sensores para alguns tipos específicos de doenças, com controle do número de partículas por metro cúbico, o que exige da equipe uma paramentação adicional”, relata Suzana.

No Nanofab, as estudantes visualizaram as nanoestruturas resultantes da HAP em um microscópio eletrônico de varredura (MEV), equipamento que produz imagens de alta resolução da superfície dos materiais. “Os nanomateriais podem apresentar diferentes tamanhos e morfologias, tais como estrelas, agulhas, esferas ou elipses, cada uma com aplicações específicas. Nesse projeto, mostramos, portanto, que é possível transformar um resíduo, que iria para um aterro sanitário, em um biomaterial de alto valor agregado”, afirma a coordenadora.

Futuras Cientistas: Programa da Uerj incentiva inserção feminina nas áreas de tecnologia, exatas e engenharia Futuras Cientistas alunas e professora Suzana Peripolli
Professora Suzana Peripolli coordena atividades do projeto

Além da imersão científica, as estudantes visitaram o campus Maracanã, onde conheceram as instalações do InovUerj, da Biblioteca Comunitária da Rede Sirius e do pré-vestibular social do Sintuperj e ainda almoçaram no Restaurante Universitário. Após a parte prática, serão realizados encontros remotos durante o mês de fevereiro, por meio de videoaulas ministradas pela equipe do Cetene.

Interesse e representatividade motivam estudantes

As mulheres representam menos de 30% dos pesquisadores no mundo. No Brasil, esse número chega a 48%, mas cai drasticamente em cargos de liderança. Desde a infância, meninas são menos incentivadas em áreas de STEM, muitas vezes associadas culturalmente ao masculino. Graças ao Programa Futuras Cientistas, as alunas das escolas públicas estaduais selecionadas estão ajudando a mudar esse cenário.

Mirela Isis, de 17 anos, estudante da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), de Marechal Hermes, encontra representatividade somada aos novos aprendizados práticos. “Aqui, vemos outras mulheres como nós atuando na área profissional escolhida, transmitindo a ideia de inclusão, que podemos exercer a mesma função, o que estimula a nossa curiosidade em dar os primeiros passos na Ciência”, avalia a jovem, que planeja se dedicar à preparação para o Vestibular.

Futuras Cientistas: Programa da Uerj incentiva inserção feminina nas áreas de tecnologia, exatas e engenharia Participantes visualizam estruturas no microscopio
Participantes visualizam estruturas no microscópio eletrônico de varredura (MEV)

2026 é o segundo ano de atuação de Juliana Ferreira, 20, graduanda de Engenharia Mecânica na Uerj. Ela já participou do projeto como monitora, auxiliando as alunas nas atividades da imersão e, nesta edição, desempenhou as mesmas tarefas supervisionada pela orientadora, a professora Susana Peripolli. Engajada, a estudante mostra firmeza em seus objetivos. “Pretendo seguir a área da pesquisa e vou entrar no mestrado também na Uerj ainda neste ano. Quero continuar o meu projeto de estudo de dispersão de nanoplaca de grafeno em óleo lubrificante e explorar mais a área de nanomateriais”, afirma.

Já Yasmim Vitória, estudante do Colégio Estadual Olavo Bilac, conheceu o programa Futuras Cientistas enquanto participava de um curso chamado “Meninas da Astronomia”, do Clube de Ciências Suave na Nave. Interessada em atividades extracurriculares, suas expectativas profissionais são “as melhores possíveis” em suas otimistas palavras. “Ainda estou em dúvida se quero cursar Química ou Farmácia. Na escola, vemos muito a parte teórica e o meu objetivo é ter mais contato com a parte prática, enfim, botar a mão na massa mesmo”, brinca.

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