GT tem até o fim de março para apresentar relatório com soluções para o esvaziamento do Galeão e para instituir um novo perfil para o Santos Dumont
O Governo Federal criou um grupo de trabalho (GT) para discutir a situação dos principais aeroportos do Rio de Janeiro: o Internacional Tom Jobim (Galeão) e o Santos Dumont. O objetivo é encontrar soluções para o esvaziamento do maior terminal aéreo do estado, que perdeu voos e passageiros nos últimos anos. O problema foi tema de debate da Divisão Técnica de Transporte e Logística (DTRL) do Clube de Engenharia, conforme foi noticiado em reportagem recente.
Um dos problemas que o GT terá que resolver é o da concessão do Galeão, hoje controlada pela empresa de Singapura Changi. Ela chegou até a pedir para devolver a gestão do aeroporto no ano passado, mas vem ainda buscando uma saída negociada para o alegado prejuízo com a operação. Além de problemas financeiros causados pela pandemia, o equilíbrio do contrato é prejudicado pela transferência de voos para o Santos Dumont, que era tradicionalmente um terminal para a ponte aérea e voos regionais.
Devido à crise, o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, chegou a visitar o Rio no início de sua gestão e anunciou que estudaria uma forma de manter a concessionária no gestão do Galeão, o que exigiria uma reavaliação do contrato. A questão também mobiliza a classe política do Rio, que procura limitar o tráfego no Santos Dumont. A questão acabou interferindo na licitação para concessão desse terminal, que foi mantido sob administração da Infraero.
Além de preservar a função de hub do Galeão, mantendo nesse terminal os voos internacionais e nacionais de longa distância, que contribui com o turismo, a revitalização desse aeroporto é vital para o incremento do transporte de carga. Mesmo os aviões de passageiros trazem produtos de alto valor agregado para a indústria fluminense, que tende a ser prejudicada com o esvaziamento.
O grupo de trabalho, instituído pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última sexta-feira, 24/02, prevê que o comitê terá quatro representantes indicados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, quatro indicados pelo governo do Rio, e outros quatro escolhidos pela prefeitura.
A expectativa é que a avaliação do quadro seja feita pelo GT até 31 de março, quando deve ser apresentado relatório com as conclusões. Foi escolhido como coordenador o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Juliano Noman.



