O CREA-RJ realizou nesta quinta-feira (19), no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, o evento CREA AQUI 2026, que promoveu um encontro das Engenharias, Agronomia e Geociências do estado. Foi uma oportunidade para se debater temas fundamentais para o desenvolvimento fluminense e brasileiro. O presidente do Clube de Engenharia do Brasil, Francis Bogossian, participou do primeiro painel, que tratou do “Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro”. Ao todo, estiveram presentes mais de 5 mil profissionais e estudantes.
Bogossian defendeu a criação de uma “amálgama” entre as instituições do setor para garantir que grandes projetos de infraestrutura avancem independentemente de questões partidárias. Bogossian alertou para a escassez de verbas federais e estaduais no Rio, observando que a maioria das obras atuais é fruto da iniciativa privada, o que prejudica o equilíbrio do desenvolvimento estadual.
“Nós temos que cerrar fileiras, independente da cor política e partidária, e trabalhar em prol do desenvolvimento nacional, o que é em prol da engenharia do Brasil”, concluiu Francis.
No debate mediado pelo jornalista Sidney Rezende, também teve voz a diretora da COPPE/UFRJ, Suzana Kahn, que destacou que a forte dependência do Rio de Janeiro em relação ao setor de óleo e gás, embora gere vulnerabilidade, serve como um trampolim tecnológico para outras áreas.
”O Rio tem que ser líder em inovação no setor de conhecimento. Na Coppe, por exemplo, criamos uma startup que utiliza o modelo de ‘diagnóstico de rochas’ da indústria petrolífera para a detecção de doenças pulmonares”, revelou a engenheira.
Kahn ressaltou que tecnologias como robótica, manufatura aditivada e comunicações, desenvolvidas inicialmente para o petróleo, possuem enorme potencial de aplicação na agricultura de alta precisão e na indústria em geral.
Celso Cunha, presidente da Abdan, trouxe um panorama otimista — porém desafiador — sobre a expansão da energia nuclear, que abrange desde a medicina até a produção de alimentos. Apontou para o déficit de mão de obras, pois o setor sofre com a escassez global de especialistas preparados. Ele destacou que os salários na área nuclear podem ser até 30% superiores aos de outras especialidades da engenharia.
Encerrando o painel, o presidente do Confea, Vinícius Marchese, apresentou a plataforma Infrabr. A ferramenta oferece um relatório anual com índices de desenvolvimento de todos os 27 estados brasileiros, funcionando como um guia para investimentos em infraestrutura.
”A ideia é que os gestores públicos possam identificar e atacar pontos fundamentais de forma diferenciada em cada estado. Precisamos de uma política de infraestrutura clara para o país, que não seja limitada a apenas um governo ou mandato”, concluiu Marchese.



