Engenheiro negro, que integrou no Clube no século XIX, lutou pelo Abolicionismo e deixou importante legado em obras públicas do país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.003/2024, que inscreve o nome do engenheiro André Pinto Rebouças (1838-1898) no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. A homenagem, que foi aprovada em setembro pelo Senado Federal, é de autoria do ex-deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), e reconhece o legado do ilustre negro brasileiro, que atuou no Clube de Engenharia em seus primórdios. Com a publicação do texto no Diário Oficial da União, faz-se o registro no documento do Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.
André Rebouças, como é conhecido, nasceu em Cachoeira, na Bahia, mas migrou para o Rio de Janeiro com a família ainda criança, em 1846. Ele é considerado o primeiro engenheiro negro a se formar na Escola Militar e um dos mais importantes articuladores do movimento abolicionista brasileiro. Apesar de ser monarquista e amigo próximo da Família Real, ele foi um dos líderes dessa causa, bem como defensor da reforma agrária e de outros avanços sociais no país.
Rebouças atuou em grande parte de sua trajetória ao lado do irmão Antonio, tanto que ambos são homenageados com o nome do túnel mais importante do Rio. Ele foi responsável por diversos projetos de infraestrutura do país, como estradas de ferro, pontes e sistemas de abastecimento de água. Entre as principais obras de que participou, está a da Estrada de Ferro Central do Brasil, que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Também elaborou o projeto inicial da ferrovia que liga Curitiba a Paranaguá, no Paraná.
Ele se destacou como inventor e registrou até patentes, como a de um processo para fabricação de tijolos de concreto mais baratos e duráveis para a construção civil. Em 1874, ao lado de seu irmão Antônio, projetou a primeira ponte em concreto armado do Brasil, a Ponte Irmãos Rebouças de Piracicaba (SP).
André Rebouças foi membro do Conselho Diretor do Clube e atuou intensamente na entidade, escrevendo vários artigos para a revista oficial da instituição fundada em 1880, bem como através da fundação da biblioteca da Casa.



