Francis Bogossian destaca a necessidade de planejamento e de maior preponderância da engenharia para o país retomar o desenvolvimento
A Academia Nacional de Engenharia (ANE) realizou nesta quinta-feira (05) o primeiro dia de debates do Seminário “ANE 2026: O Futuro da Engenharia no Brasil”, no Auditório Milton Fett da FIESC, em Florianópolis (SC). A abertura do evento contou com a participação do presidente do Clube de Engenharia do Brasil, Francis Bogossian, que destacou a importância da atividade para o desenvolvimento do país. O encontro reúne acadêmicos, lideranças da indústria, empreendedores, gestores públicos e estudantes, com o objetivo de debater propostas voltadas para o crescimento da indústria, novas tecnologias, a formação profissional, entre outros temas. A programação se estende por esta sexta-feira (06).
Francis Bogossian, em sua participação, destacou a importância da união das instituições em defesa da engenharia nacional e da soberania do país. Ele ressaltou que o Clube, fundado em 1880, teve papel histórico na criação de importantes entidades do setor, entre elas a própria ANE. Segundo ele, não existe nação sem desenvolvimento, nem desenvolvimento sem engenharia, e a retomada do crescimento brasileiro depende do fortalecimento da atividade.
Bogossian chamou a atenção para o desinteresse dos jovens pela carreira de engenharia e defendeu mudanças na formação acadêmica para aproximar os estudantes da profissão desde o início dos cursos. Para ele, disciplinas fundamentais como matemática, física e química devem ser preservadas, mas precisam ser acompanhadas de conteúdos que apresentem a engenharia e suas aplicações práticas, tornando a formação mais atrativa e conectada à realidade do mercado.
Ao concluir, reforçou a necessidade de planejamento como condição essencial para o desenvolvimento do país e das atividades de engenharia. O presidente do Clube defendeu o princípio de que projetos devem ser bem planejados antes de sua execução.
“O Clube tem como sua mais importante missão a defesa da soberania e da engenharia nacional, porque não há nação sem desenvolvimento e não há desenvolvimento sem engenharia. Nós estamos, eu diria, nessas últimas décadas, lutado muito pela retomada do desenvolvimento e a engenharia tem sofrido bastante”, afirmou Francis.

O Seminário ANE 2026 reúne representantes do setor produtivo, universidades, instituições de pesquisa e entidades de classe para discutir os desafios e as perspectivas da engenharia no Brasil. Também foram destacados na abertura do evento problemas como a escassez de profissionais qualificados, a baixa procura dos jovens pelos cursos de engenharia e a necessidade de modernizar a formação acadêmica, aproximando universidades, escolas técnicas e indústria. A inteligência artificial, a transição energética, a crise climática e as mudanças tecnológicas foram apontadas como fatores que exigem atualização constante e maior integração entre os diferentes setores.
No painel sobre o futuro da engenharia, os debatedores defenderam a valorização da profissão, o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a transformação das riquezas naturais brasileiras em produtos de maior valor agregado. Foram discutidas oportunidades em áreas como Terras Raras, energia, mineração e fabricação de ímãs para motores elétricos e turbinas eólicas, além de entraves relacionados à escala industrial, ao financiamento e à demora no licenciamento ambiental. Também foi ressaltada a importância de aproximar a engenharia da sociedade, estimular a participação dos profissionais em decisões públicas e fortalecer a cooperação entre governo, universidades e empresas.



