Informe 18/05/2018 – Escola Superior de Guerra: “nesta casa estuda-se o destino do Brasil”

Escola Superior de Guerra: “nesta casa estuda-se o destino do Brasil”

O Clube de Engenharia, em parceria com a Academia Nacional de Engenharia, recebeu no dia 17 de maio o General do Exército Décio Luís Schons, Comandante da Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, para uma palestra sobre a instituição. Tratando sobre a história, as atividades atuais e os projetos futuros da escola, o General Schons falou acerca da missão e dos desafios da ESG frente a aspectos vitais da agenda nacional, como a estratégia de defesa, a soberania nacional e os cortes orçamentários na área de Ciência e Tecnologia.

“A Escola Superior de Guerra é a mais antiga instituição a pensar o Brasil do ponto de vista estratégico”, disse Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, ao abrir o evento. Fundada em 1949, no contexto pós 2ª Guerra Mundial, a ESG consolidou a primeira tentativa de se pensar o país em questões como geopolítica, defesa e soberania. “De lá para cá, em sucessivos governos e regimes”, continuou Celestino, “a ESG estabeleceu um conceito extraordinário, de ser uma instituição voltada para pensar o Brasil”.

O General Schons explicou que a ESG é hoje um instituto de altos estudos e pesquisa em política, estratégia e defesa, promovendo o intercâmbio entre profissionais civis e militares, brasileiros e estrangeiros, de diferentes áreas de conhecimento. Segundo ele, são seis as colunas que sustentam as atividades da escola: o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia, o Instituto de Doutrina de Operações Conjuntas (IDOC), o Centro de Estudos Estratégicos — um think tank que interliga academia, sociedade e Estado (policy maker) e produz materiais de estudo e comunicação —, o Instituto Cordeiro de Farias — que oferece Cursos de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa —o Instituto de Capacitação para Aquisições de Defesa e a Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Diversidade de pensamento
Os cursos regulares oferecidos pela ESG duram entre 5 e 42 semanas, e em 2018 será iniciado o curso de mestrado stricto sensu em Segurança Internacional e Defesa, com doutorado previsto para 2022. O corpo de estudantes é formado por profissionais indicados por instituições militares e, no caso de civis, por indicações de instituições convidadas pela ESG.

No ano passado foi realizado o primeiro concurso para admissão de docentes permanentes na instituição, culminando na contratação de 15 professores e professoras civis e militares, doutores de diferentes áreas, como História, Ciência, Política, Geopolítica, Economia, Relações Internacionais e Engenharia, além de Ciência, Tecnologia e Inovação.

A diversidade de áreas e de formações, tanto nos docentes quanto nos estudantes, é vista como um dos objetivos da escola. “A nós interessa a diversidade de pensamento”, salientou o General Schons. “Do debate resultam coisas positivas, de valor, que nos empurram para frente. É disso que o Brasil precisa neste momento. Nós não queremos radicalismos, pessoas endurecidas em posições. Queremos debate, diálogo, construir. Nosso país é um país em construção, é novo e ainda temos muito a aprender”, afirmou o Comandante da ESG.

O General Décio Luís Schons foi instrutor da Escola Preparatória de Cadetes do Exército e da Academia Militar das Agulhas Negras; Observador Militar na Organização das Nações Unidas em Angola; Oficial de Ligação da Organização das Nações Unidas na ex-Iugoslávia; Ajudante-de-ordem e Assistente-Secretário do Ministro do Exército; Adjunto e Chefe da Comissão do Exército Brasileiro em Washington.

Soberania nacional
No debate, a plateia e o palestrante puderam aprofundar mais a discussão sobre a atuação da ESG e sobre estratégias das Forças Armadas ligadas à soberania nacional.

Uma das questões foi sobre a inserção da escola para fora do ambiente militar. “Nós temos um curso em parceira com a FIESP [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] sobre gestão de recursos de defesa. E estamos em tratativas para um curso de logística e mobilização nacional em parceria com o Instituto Mackenzie, o que vai abrir um campo interessante de cooperação”, respondeu o General Schons. “Temos trabalhos em parceira com diversas universidades, como a UERJ, UFRJ, UFF, Universidade do Rio Grande do Sul, e estamos conversando para o estabelecimento de parcerias com a Unicamp e a USP”, afirmou, frisando que a abertura dos cursos de Mestrado e Doutorado possibilitarão ainda mais intercâmbios entre a ESG e outras instituições de ensino e pesquisa civis brasileiras.

A discussão sobre soberania nacional é crítica e debatida na ESG, afirmou o General Schons. “Para as Forças Armadas, a soberania em grandes linhas diz respeito a questões de fronteiras, mas sabemos que não é só isso. Mas, com relação aos outros aspectos, é muito pouca a liberdade de ação das Forças Armadas para tratar sobre, porque são assuntos essencialmente de caráter político — estão no nível político, não estão nem no nível estratégico. Então quando se fala, por exemplo, das terras indígenas, as Forças Armadas não são nem chamadas a opinar sobre isso”, explicou.

Outro exemplo dado pelo general é o patrulhamento das fronteiras, uma responsabilidade primordialmente das polícias, mas que é hoje desempenhado pelas Forças Armadas. Perguntado sobre a operação militar desenvolvida na Amazônia em parceria com países como EUA, Peru e Colômbia no ano passado, ele explicou que, além de ter sido controlado pelo Brasil, foi um exercício oportuno para que o Exército pudesse se preparar, inclusive administrativamente, para a onda migratória de milhares de venezuelanos que hoje chegam ao Brasil pela fronteira com Roraima.

Estratégia, tecnologia e cortes orçamentários
“Não tem havido, por parte do Estado brasileiro, a preocupação no nível mais alto, de política de defesa e desenvolvimento nacional”, afirmou o General Schons ao falar sobre os cortes de orçamento público nas áreas de Ciência e Tecnologia, afetando inclusive a área de estratégia militar. “Essa é uma grande preocupação para as Forças Armadas”, salientou.

“A parte orçamentária está ficando cada vez mais apertada, por causa da questão do teto orçamentário [Ementa 95], que nos aperta imensamente. Nossos projetos não têm apelo midiático, não têm apelo eleitoral. Então se é preciso socorrer alguns aliados políticos, vão tirar das áreas em que não há apelo imediato, e as Forças Armadas são candidatas sérias a receber esses cortes. Muitos de nossos programas não podem nem ser divulgados abertamente, são programas de sigilo porque envolvem a soberania nacional”, explicou o Comandante.

O Comandante da ESG citou o exemplo da Marinha, que tem mantido os projetos de enriquecimento de urânio para fins pacíficos e, também, do submarino nuclear apesar dos sucessivos cortes de orçamento. O mesmo gargalo é vivido pelo Exército, a quem coube o programa de defesa cibernética. “É uma luta diária para colocar recursos. São áreas essenciais para a segurança do país”, afirmou.

“A capacitação que a Escola proporciona é exatamente uma metodologia de planejamento, até mesmo de montagem e estudo de cenários futuros. Os estagiários que frequentam os cursos hoje podem futuramente assessorar ministérios. Acredito que esse é um papel importante da escola e um dos argumentos para levar os cursos para Brasília”, explicou.

Projetos futuros
Entre os projetos previstos ainda para 2018 estão seminários sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente na Amazônia do século XXI; Combate à corrupção; Novos Rumos da Geopolítica; e Centenário do Fim da 1ª Guerra Mundial. Além disso, estão previstos: mesa-redonda sobre migração do ponto de vista estratégico; disciplina optativa sobre geopolítica para a Academia Militar das Agulhas Negras; formação de um grupo de Avaliação da Conjuntura e Extensão Cultural. Os seminários são transmitidos em videoconferência para qualquer pessoa inscrita.

O Comandante da Escola Superior de Guerra encerrou sua apresentação com o que entende ser a síntese das atividades na ESG: “Nesta casa estuda-se o destino do Brasil”.

Cooperação
A cooperação entre o Clube de Engenharia e a Escola Superior de Guerra é extremamente importante”, afirmou Pedro Celestino no fechamento do evento, citando como eixos de atuação da centenária instituição Engenharia, Democracia e Soberania, e como temas de destaque nas discussões atuais, Energia Elétrica, Satélite Geoestacionário, Petróleo e Geopolítica e Telecomunicações. A mesma vontade foi salientada pelo presidente da Academia Nacional de Engenharia, Francis Bogossian, que convidou a Escola Superior de Guerra para dialogar sobre um programa de cooperação entre as instituições.

Clique aqui para assistir ao vídeo completo da palestra no canal do Youtube do Clube de Engenharia.

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