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artigo 13/08/2016

Eleições no Clube de Engenharia acontecem em momento decisivo para o país

O Clube de Engenharia reafirma anualmente, em agosto, o espírito democrático que marca sua trajetória centenária, com as eleições que renovam o terço do seu Conselho Diretor. Neste ano de 2016, no entanto, o pleito acontece em momento extremamente difícil da vida nacional. O cenário não é novo, porquanto em 2015 o país já estava paralisado pelas crises econômica e política. No que toca à engenharia, sob a capa do combate à corrupção, legítimo anseio da sociedade, as nossas principais empresas eram, em conjunto, desestabilizadas. Naquela ocasião, com a sabedoria e a força da união dos ex-presidentes do Clube, que lideraram o processo, e a preocupação de todos com a necessidade urgente de enfrentar a realidade – política, econômica e técnica – a opção vitoriosa foi a composição de uma chapa de unidade, a Chapa Engenharia e Desenvolvimento.

Eleita, a diretoria indicada pela Chapa Engenharia e Desenvolvimento adotou como principais eixos de atuação a retomada do desenvolvimento, a preservação do acervo gerencial e tecnológico das grandes empresas de engenharia e o fortalecimento dos setores estratégicos da economia, o de petróleo, o nuclear e o aeroespacial, sem se descuidar da permanente atenção dada aos problemas da nossa cidade e do Estado do Rio de Janeiro. Procedeu-se à articulação com as entidades congêneres, buscando aumentar a influência da Engenharia na solução dos problemas nacionais.

A questão do impeachment motiva uma persistente divisão na sociedade. A diretoria posicionou-se, com o respaldo do Conselho Diretor, pela intransigente defesa da Democracia alertando para o risco de se colocar a perder as conquistas da sociedade nas últimas décadas.

Infelizmente, o que se vê hoje é o estabelecimento de políticas que conduzem ao desmonte do Estado, para que não mais disponha das ferramentas estratégicas para o desenvolvimento. Daí a fragilização da Petrobras para que, de petroleira integrada, como são as principais do setor, públicas e privadas, do mundo, venha a ser mera produtora de óleo bruto. Deixa, assim, ela, de induzir o desenvolvimento industrial, através da sua vasta cadeia de mais de 5000 fornecedores, nacionais e estrangeiros aqui instalados. Igualmente, os bancos públicos - o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica - se retraem, passando a ter como foco o financiamento de privatizações e de concessões. Complementa o quadro o ataque, sob a capa do combate à corrupção, ao setor nuclear: as obras de Angra 3 estão paralisadas e não têm prazo para recomeçarem, e o projeto do submarino nuclear está praticamente paralisado. Mais ainda, encaminha-se a desconstrução dos direitos sociais inseridos na Constituição de 1988, caracterizada pelo ataque à educação e à saúde públicas com o congelamento dos recursos a elas destinado por 20 anos, e pela proposta de reformar a previdência com ônus exclusivo dos trabalhadores e também de permitir que o negociado prevaleça sobre o legislado, derrogando quase oito décadas de legislação trabalhista.

Completa este quadro sinistro a alienação da soberania nacional, ao arrepio da tradição histórica do Itamaraty, deixando de lado restrições à abertura de nosso mercado interno de serviços, as políticas de integração regional e de interação com os países emergentes e, em particular, com o grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Mais do que nunca, é imperioso que nos unamos para impedir o retrocesso que se anuncia. Quanto maior a participação de associados na eleição deste mês, maior será a legitimidade das posições que o Conselho Diretor e a Diretoria vierem a tomar, em defesa da Engenharia e, sobretudo da Democracia, pelo fortalecimento do Estado democrático de direito, bem como, na busca do desenvolvimento econômico soberano, sustentável e inclusivo do Brasil e do seu povo.

A Diretoria