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notícia 01/12/2016

Reação química “misteriosa” pode causar fissuras no concreto

Com experiência de mais de 40 anos com o tema, o geólogo Cláudio Sbrighi atraiu grande público para a palestra.
Com experiência de mais de 40 anos com o tema, o geólogo Cláudio Sbrighi atraiu grande público para a palestra.

Uma estrutura, como uma ponte ou viaduto, é capaz de apresentar fissuras sem ter passado por nenhum grande fenômeno meteorológico ou de degradação. O único sintoma externo é um gel branco, causado por uma reação química, que ocorre naturalmente entre os elementos do concreto, chamada reação álcali-agregado. A melhor forma de evitá-la é conhecer os elementos do concreto e da localidade da obra. “A misteriosa reação álcali-agregado no concreto” foi apresentada em palestra do geólogo Cláudio Sbrighi Neto, diretor do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), em 22 de novembro no Clube de Engenharia. O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e Divisão de Estruturas (DES) e atraiu dezenas de interessados da área.

Fenômeno químico
Segundo Sbrighi, os elementos sódio e potássio presentes no cimento reagem com os agregados reativos, produzindo o chamado silicato de sódio e potássio, que absorve água, formando um ponto de tensão. O resultado externo é um gel, de caráter expansivo, que, ao absorver água, pode causar fissuras, desplacamento e manchamento do concreto.

"Antigamente falavam que o concreto era eterno. Não é, tem um tempo de vida útil e muitas vezes pode não ser muito grande", afirmou o geólogo. Prova disso é que um dos três tipos de reação álcali-agregado, a reação álcali-sílica, manifesta-se entre o terceiro e o quinto ano de existência da estrutura. A reação álcali-sílica lenta, entre o quinto e o décimo ano. E a reação álcali-carbonato é um terceiro tipo, caracterizado pelo contato do carbonato com a sílica.

As condições para a desta reação química entre os componentes naturais do concreto incluem aspectos do ambiente, como umidade e temperatura. Em lugares mais quentes, a reação pode ocorrer mais rapidamente, assim como ambientes úmidos, como é o caso de barragens de hidrelétricas, apresentam mais risco. Por isso, as medidas mitigatórias também envolvem o controle dos elementos envolvidos no fenômeno. Segundo Sbrighi, existem tipos específicos de cimentos que tendem mais para a reação, que são os tipos 2 e 5, e os que tendem menos, que são o 3 e o 4, em virtude dos elementos que os compõem.

Prevenção é o melhor caminho
Para Cláudio Sbrighi, o melhor a se fazer é prevenir a ocorrência da reação, analisando o ambiente onde estará a estrutura, escolhendo o cimento ideal, e limitando o contato com água, na medida do possível. Depois que ocorre, e é de fato comprovada após ensaios em laboratórios, é importante evitar a umidade e impermeabilizar a estrutura. Também podem ajudar técnicas como abertura de juntas, para alívio de tensão e limitação da deformação, e injeção química de lítio. As orientações a esse respeito se encontram na norma brasileira NBR 15.577, atualmente em revisão, que avalia o grau de risco de acordo com o meio de inserção da estrutura, e para cada grau (zero, mínimo, moderado ou forte) corresponde uma ação preventiva.