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notícia 16/06/2015

Telebras: planos e perspectivas para os próximos anos

A luta pela universalização da banda larga e do provimento de acesso público à rede foi tema de reunião com Jorge Bittar e entidades parceiras do Clube de Engenharia. Destaque para os planos de sua gestão à frente da Telebras, um dos pilares para o avanço das telecomunicações no país

Luiz Alberto (Artigo 19), Flavio Mosaf (CE), Pedro Eckman (Intervozes), Jorge Eduardo (CE), Christiano Lins (CE), Marcio Patusco (CE), Beatriz Tibiriçá (Coletivo Digital), Jorge Bittar (Telebras), Gilberto França (CE), Marcello Miranda (Instituto Telecom) e Rosa Leal (Instituto Telecom)
Luiz Alberto (Artigo 19), Flavio Mosaf (CE), Pedro Eckman (Intervozes), Jorge Eduardo (CE), Christiano Lins (CE), Marcio Patusco (CE), Beatriz Tibiriçá (Coletivo Digital), Jorge Bittar (Telebras), Gilberto França (CE), Marcello Miranda (Instituto Telecom) e Rosa Leal (Instituto Telecom)

Em encontro com Jorge Bittar, presidente da Telebras, realizado no Clube de Engenharia dia 12 de junho, foi abordado, com ênfase, o papel da empresa no encaminhamento de bandeiras que o Clube de Engenharia historicamente defende. Entre elas, a banda larga pública de qualidade e a disponibilização de acesso à internet em todo o território nacional. Organizado pela Divisão Técnica Especializada de Eletrônica e Tecnologia da Informação (DETI) estiveram presentes entidades parceiras dispostas a conhecer melhor objetivos, perspectivas e  planos de trabalho do recém-empossado presidente da Telebras. Entre elas, representantes do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação; Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé; Artigo 19; Instituto Telecom, além de associados do Clube de Engenharia. 

Bittar, que é associado do Clube, assume a presidência da empresa, peça-chave no avanço da democratização das comunicações no país, em momento que caracteriza como “desafiador”. Segundo informou, após passar por um período de expansão econômica e social, o Brasil entra em momento de dificuldade fiscal e precisa de um novo ciclo que deverá ser marcado pela qualidade. “É preciso avançar no projeto educacional, de qualificação e capacitação técnica para aumentar a produtividade. A universalização do acesso à internet é crucial para que esse novo ciclo se estabeleça de fato”, defendeu. 

O papel da Telebras na construção desse novo ciclo, segundo seu presidente, é o de atuar de forma complementar às operadoras no atacado e como parceira dos cerca de 4 mil pequenos provedores que disputam hoje apenas 8% do mercado, dominado pelos grandes provedores. Também como reguladora de mercado tem papel importante tendo feito reduzir os preços dos recursos no atacado em cerca de 50%. É da empresa, ainda, o papel de implementar a rede privativa de comunicação na administração pública federal, além de prover infraestrutura de rede de suporte a serviços de telecomunicações. “Na relação com os pequenos provedores e na busca dos objetivos, estamos focando no resgate, dentro da empresa, do seu caráter público, de servir à população”, explicou Bittar.

Luta desigual

Em um quadro de enfrentamento desigual, as grandes empresas de telecomunicações concorrentes estão entre as barreiras ao avanço da Telebras. Segundo Bittar, a Telebras ficou “em estado letárgico” por 12 anos e só não foi extinta porque cedeu seus quadros para a Anatel, sendo posteriormente ativada para levar a internet onde as empresas privadas não têm interesse comercial de atender. Hoje, a empresa é pequena e fazer frente às gigantes das telecomunicações que operam no Brasil é um grande desafio. 

A desburocratização e o desenvolvimento do setor comercial são, segundo Bittar, os caminhos escolhidos para fazer com que a empresa avance. “Os recursos do Tesouro desenvolveram a engenharia, mas o comercial era fraco e o retorno dos investimentos da empresa era irrisório. Um dos nossos desafios é fazer um reajuste com o novo plano comercial. A empresa tem que ter missão de governo, mas precisa se manter de pé”, explicou. 
Outra saída para a desproporcionalidade da competição tem sido uma abertura constante para parcerias. Neste sentido, a empresa vem firmando acordos de interesse mútuo. “A Visiona, empresa de cooperação entre a Telebras e a Embraer coordena o lançamento do satélite nacional em 2017 para prestar serviços de banda larga em regiões menos acessíveis e para as Forças Armadas, que será parceira na operação do satélite”, destacou o presidente. Outra parceira potencial é a Eletrobras, que pode ceder espaço para as fibras nas instalações das operadoras elétricas. Dataprev, Sepro e Correios estão entre as empresas com as quais a Telebras busca sinergia e que podem abrir negociações para que transfiram suas redes para a empresa. 

Novos horizontes

Além de colocar em órbita o satélite nacional para as comunicações das Forças Armadas, outra medida na área de segurança é a construção de um cabo submarino que ligará Fortaleza a Portugal. O objetivo é atender o tráfego de internet entre Brasil e Europa que hoje, graças à saturação do cabo existente, precisa passar pelos Estados Unidos. Os planos não são estratégicos apenas pela possibilidade de levar a internet onde ela não chega e por tornarem a troca de informações segura, mas trazem também um ponto importante para o desenvolvimento industrial do país. 

“A ideia é que a Telebras atue como fomentadora da tecnologia nacional através de seus projetos, fazendo uso da legislação vigente que privilegia a indústria nacional em nossas compras de equipamentos e sistemas”, declarou Bittar. Na área da educação e da universalização, estão nos planos da empresa a atuação como provedora final ao usuário em localidades com até 50 mil habitantes, onde as grandes operadoras não chegam, e o fornecimento de banda larga e conteúdos em escolas sem bom acesso à rede.

Entre as perguntas dos presentes o destaque foi o programa Banda Larga para Todos. Em sua primeira fase, o programa que previa levar a internet a 40 milhões de pessoas alcançou apenas 2,6 milhões novos usuários. “De fato, a meta ficou aquém do esperado, mas não houve recuo no objetivo do programa, nem do então ministro Paulo Bernardo, nem da presidenta Dilma Rousseff. A Telebras foi burocrática na relação com os pequenos provedores e, de cada 100 que nos procuravam, atendíamos apenas 10. Hoje, a cada novo ponto instalado, olhamos em um raio de 40 quilômetros em busca de clientes potenciais”, explicou. 

Com o programa Banda Larga para Todos estruturado sobre três pilares - a Telebras, os leilões reversos e a revisão dos contratos de concessão -, e 21 mil quilômetros de rede instalada, a Telebras deverá ter relevante papel no provimento de recursos físicos para a nova fase. Para isso, sua direção conta, ainda, com a participação do ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, “parceiro importante para fazer avançar o programa Banda Larga para Todos”, comemora Bittar. 

Entre os compromissos firmados na reunião estão: buscar canais para uma abertura maior à participação da sociedade civil na formulação e debates do programa Banda Larga para Todos – ainda não divulgado em seus detalhes pelo governo e sem abertura para discussão com a sociedade civil – e dar maior transparência às ações da Telebras, alimentando o site da empresa com mais dados e informações de interesse público.