Por Olga Simbalista
Roberto Burle Marx (1909–1994) foi um dos mais influentes paisagistas do século XX. Seu trabalho transformou a forma de projetar jardins, integrando arte, arquitetura, ecologia e a rica diversidade da flora brasileira.

O Sítio Roberto Burle Marx, que historicamente é reconhecido também como a antiga chácara onde ele residiu, localiza-se em Barra de Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 2021, por representar uma paisagem cultural única, que une modernismo, arte, botânica e preservação ambiental. O espaço funciona como o maior laboratório botânico, artístico e cultural deixado pelo paisagista, abrigando uma infinidade de mais de 3.500 espécies de plantas tropicais e subtropicais, onde se destacam coleções únicas de bromélias, aráceas e palmeiras.
Suas características principais são: residência do artista de 1973 até sua morte em 1994, uma área aproximada de 405 mil m² (cerca de 40 hectares), coleção com mais de 3.500 espécies de plantas tropicais e subtropicais, jardins ornamentais, lagos, espelhos d’água, viveiros, caminhos sinuosos, integração entre paisagismo, arquitetura, arte e natureza, conjunto arquitetônico com residência, ateliê, salão de festas, casa de pedra e a histórica Capela de Santo Antônio da Bica, do século XVIII.

O que torna o sítio tão especial foi que o espaço foi concebido como um verdadeiro laboratório vivo, onde Burle Marx experimentava combinações de plantas, cores, texturas e formas. Muitas espécies brasileiras raras foram cultivadas e preservadas ali pela primeira vez, tornando o sítio uma referência mundial em conservação da biodiversidade e paisagismo tropical.
Roberto Burle Marx, nascido em 4 de agosto de 1909, em São Paulo, era filho de pai alemão e mãe pernambucana de quem herdou o gosto pelas plantas em seu cuidadoso trato de seu jardim e, daí, tornando-se um botânico autodidata. Além de paisagista, foi: pintor, escultor, designer de joias, tapeceiro e cantor lírico.
Quando sua família se mudou para a Alemanha, em 1918, ele com 19 anos, conheceu plantas brasileiras no Jardim Botânico de Berlim, o que o encantou de tal forma, que decidiu criar algo semelhante no Brasil. No final dos anos de 1960, seu sítio se transformou na coleção mais representativa de plantas brasileiras, além de outras espécies tropicais raras. Ele trouxe para a frente dos jardins plantas que antes ficavam nos quintais, como bananeiras, bromélias e jaqueiras e, também, diferente dos demais artistas modernistas que usavam linhas retas e simetria, introduziu canteiros redondos e formas curvas que se tornaram suas marcas.
Quando convidado para projetar um jardim público em Recife, terra de sua mãe, recebeu enormes críticas da população local, até então acostumada com jardins europeus, retangulares e ornados por rosas e outras flores, uma vez que Burle Marx revolucionou ao abandonar o modelo europeu e colocar a flora brasileira, até então vista como mato, no centro de suas obras, utilizando espécies nativas e biomas inteiros como paleta de cores e textura, transformando a paisagem em uma tela viva.
Uma de suas obras mais famosas e reconhecidas internacionalmente foi o Parque do Flamengo, com 17 mil árvores plantadas de mais de 240 espécies para o qual ele desenhou croquis das passarelas e da localização das espécies vegetais.
Um importante marco de sua carreira foi seu primeiro jardim, criado na casa de Alfredo Schwartz, em Copacabana, a convite de Lucio Costa, um dos autores do projeto arquitetônico de 1932. O projeto, portanto, está prestes a completar 95 anos, e o marco não passará em branco. Já está em cartaz a exposição “Plantas em Movimento”, no Museu Judaico de São Paulo (até 2 de agosto), bem como a “Burle Marx pelos amigos”, no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro. E outras homenagens estão previstas. O Centro Paul Klee, em Berna, na Suíça, prepara exposição para outubro, que depois seguirá para Madri, na Espanha. Uma prova de que o gênio desse artista brasileiro continua vivo.




