RESUMO
A presente matéria híbrida com um artigo analisa o impacto da incorporação do caça multifuncional F-39 Gripen na Força Aérea Brasileira (FAB), com ênfase nos desdobramentos mais recentes do programa, ocorridos entre 2025 e 2026.
Aeroespacial e defesa
A pesquisa se debruça sobre as capacidades técnicas da aeronave, a consolidação de sua produção em território nacional e a qualificação dos pilotos brasileiros. Ademais, o estudo estabelece um comparativo entre o Gripen e outros caças de quinta geração, posicionando-o em um ranking de soberania tecnológica. Por fim, investiga-se a dependência da aeronave por Materiais Críticos e Elementos de Terras Raras (ETR), discutindo as vulnerabilidades e oportunidades da cadeia de suprimentos.
1 INTRODUÇÃO
O século XXI testemunha uma corrida silenciosa e complexa pelo domínio dos céus, onde a soberania de uma nação está intrinsecamente ligada à sua capacidade de desenvolver, operar e produzir aeronaves de caça de última geração. Nesse contexto, o Brasil, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), deu um passo decisivo ao selecionar, em 2013, o caça sueco Gripen E, designado localmente como F-39, para renovar sua frota de defesa aérea (Saab, 2025a, p. 1).
O programa, oficialmente conhecido como FX-2, materializou-se com a assinatura de um contrato em 2014, prevendo a aquisição de 36 aeronaves, sendo 28 monopostos (F-39E) e oito bipostos (F-39F), além de um ambicioso pacote de transferência de tecnologia e suporte logístico (Saab, 2025a, p. 2). O primeiro voo do caça, realizado na década de 1980, na Suécia, representou o início de uma trajetória de aprimoramento contínuo, culminando na versão E/F, que incorpora avanços significativos em sensores, motorização e sistemas de guerra eletrônica (Defesa Aérea Naval, 2023).
Esta pesquisa justifica-se pela relevância geopolítica e industrial do Programa Gripen para o Brasil, que ultrapassa a mera aquisição de um vetor militar. Trata-se de um projeto estruturador da base industrial de defesa nacional, gerador de empregos altamente qualificados e vetor de autonomia tecnológica. O objetivo central deste artigo é, portanto, dissecar os marcos recentes do programa, comparar o F-39 com seus pares globais e investigar sua dependência de materiais considerados estratégicos para a segurança nacional, como os Elementos de Terras Raras (ETR).
2 A GÊNESE E EVOLUÇÃO DO PROGRAMA GRIPEN: DA SUÉCIA PARA O BRASIL
Força Aérea
A história do Gripen remonta ao fim da Guerra Fria, quando a Suécia, tradicional nação neutra, buscou desenvolver um caça leve, de alto desempenho e baixo custo operacional para substituir suas envelhecidas frotas de Saab 35 Draken e Saab 37 Viggen (WIKIPÉDIA, 2025, p. 3). O projeto JAS 39, cuja sigla denomina Jakt (caça), Attack (ataque) e Spaning (reconhecimento), foi concebido para operar a partir de pistas curtas e precárias, uma doutrina de defesa descentralizada conhecida como Bas 90. Conforme especialistas da área, a doutrina sueca se mostrou extremamente eficaz, pois permite que as aeronaves sejam dispersas por uma vasta rede de pistas improvisadas, o que as torna virtualmente imunes a um ataque de saturação a bases aéreas convencionais (19Fortyfive, 2025, p. 7).
O primeiro protótipo realizou seu voo inaugural em 9 de dezembro de 1988, e após um acidente em 1989 que quase interrompeu o programa, a aeronave foi finalmente introduzida na Força Aérea Sueca em 1997 (WIKIPÉDIA, 2025, p. 2). A virada do milênio trouxe a necessidade de modernização, resultando nas versões C e D, que adicionaram capacidade de reabastecimento em voo (REVO) e compatibilidade com padrões da OTAN (ABRA-PC, 2025, p. 5). A geração atual, Gripen E/F, representa um salto geracional, sendo frequentemente classificada como uma aeronave de “quarta geração e meia” ou “4.5+”, posicionada logo abaixo dos caças furtivos (stealth) de quinta geração.
Engenharia e tecnologia
Para o Brasil, a escolha do Gripen em detrimento de concorrentes como o Boeing F/A-18 Super Hornet (EUA) e o Dassault Rafale (França) foi estratégica. O fator decisivo foi a ampla transferência de tecnologia ofertada pela Saab, que não se limitava à montagem, mas incluía o desenvolvimento conjunto de software, a integração de sistemas e a capacitação de engenheiros brasileiros. Nas palavras do presidente da COPAC, Major-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, “cada novo F-39 Gripen entregue representa um avanço significativo para o país” (SAAB, 2025a, p. 4). A parceria, que inicialmente previa a montagem de 15 das 36 aeronaves no Brasil, evoluiu para a produção de componentes e o desenvolvimento de sistemas nacionais, como o Head-Up Display (HUD) e o Wide Area Display (WAD) pela AEL Sistemas (Tecnodefesa, 2026a, p. 28).
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A presente pesquisa classifica-se como um estudo exploratório e descritivo, de natureza qualitativa, baseado em revisão bibliográfica e documental. As fontes de informação incluíram publicações oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB), comunicados de imprensa da fabricante Saab e da parceira brasileira Embraer, além de artigos de revistas especializadas e portais de defesa. A análise dos dados seguiu uma abordagem hermenêutica, buscando compreender o contexto e as implicações das informações coletadas. As especificações técnicas foram sistematizadas em tabelas, e os parâmetros de comparação entre aeronaves basearam-se em dados de domínio público. Para a investigação sobre Materiais Críticos, recorreu-se a relatórios de órgãos geológicos e publicações acadêmicas, abordando a dependência de elementos como neodímio, disprósio e samário, essenciais para componentes eletrônicos de ponta.
Governo
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Especificações Técnicas e Novos Marcos do Programa
O F-39E Gripen é uma aeronave de combate monomotor, de asa delta com canards, projetada para alta agilidade. Sua estrutura utiliza materiais compostos (fibra de carbono) e ligas metálicas avançadas, resultando em um perfil de baixo peso e alta resistência. A Tabela 1 sintetiza suas principais especificações.
Tabela 1 – Especificações técnicas do F-39E Gripen
Parâmetro Especificação / Fabricante Saab (Suécia) em parceria com Embraer (Brasil)
Comprimento 14,1 metros / Envergadura 8,6 metros
Altura 4,5 metros / Peso Máximo de Decolagem ~16,5 toneladas
Automóveis e veículos
Carga Útil (Armas) 5.300 kg / Velocidade Máxima Mach 2,0 (aproximadamente 2.400 km/h)
Teto Operacional Acima de 16.000 metros
Autonomia (sem reabastecimento) 3.250 km /Motor General Electric F414-GE-39E (empuxo de 22.000 lbf com pós-combustão) / Radar AESA Raven ES-05 (com tecnologia GaN)
Trem de Pouso Relocado para as raízes das asas, liberando espaço interno para combustível
Fonte: Elaborado pelo autor com base em MEIONEWS (2025), ÉPOCA NEGÓCIOS (2025) e ABRA-PC (2025).
As entregas de aeronaves ocorrem gradualmente. Até novembro de 2025, a FAB havia recebido 11 caças, todos fabricados na Suécia, mas com aeroestruturas brasileiras (SAAB, 2025a, p. 3). Um marco disruptivo ocorreu em março de 2026, com a apresentação do primeiro F-39E Gripen inteiramente produzido no Brasil, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP). Este evento, inédito na América Latina, colocou o Brasil em um seleto grupo de nações com capacidade de produzir caças supersônicos de alta complexidade (Embraer, 2026, p. 2). O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e outras altas autoridades prestigiaram a cerimônia, demonstrando a importância geopolítica do feito (Embraer, 2026, p. 4).
Economia
Em outro desenvolvimento recente, a Saab realizou a primeira apresentação da versão biposto Gripen F, que é crucial para o treinamento de pilotos e missões de ataque complexas. Conforme destacado por especialistas do setor, o modelo biposto acelera significativamente a curva de aprendizagem dos novos aviadores, permitindo que o instrutor corrija manobras e gerencie os sistemas em tempo real (Saab, 2026, p. 1).
4.2 Comparativo Internacional e Ranking de Soberania
Posicionar o F-39 Gripen entre os caças mais modernos do mundo exige uma análise cuidadosa. Se comparado a aeronaves de quinta geração com capacidade furtiva (stealth), como o norte-americano F-35 Lightning II, o russo Su-57 Felon e o chinês J-20 Mighty Dragon, o Gripen carece das mesmas capacidades de baixa observabilidade. No entanto, a literatura especializada aponta que, em uma relação custo-benefício, o Gripen se destaca como a melhor aeronave de combate não furtiva do mundo (19FORTYFIVE, 2025, p. 1).
O ranking a seguir, elaborado com base em critérios de furtividade, fusão de sensores, poder de fogo e custo operacional, oferece uma visão panorâmica:
Material de referência geográfica
· 1º Lugar: Lockheed Martin F-22 Raptor (EUA) – Soberano em combate ar-ar, combinando furtividade, supercruzeiro e agilidade extrema. É o padrão ouro que nenhum outro caça alcançou em plenitude.
· 2º Lugar: Lockheed Martin F-35 Lightning II (EUA) – O “cérebro” dos céus. Sua fusão de sensores e capacidade de rede o transformam em um centro de comando aéreo, mesmo sendo menos ágil que o F-22.
· 3º Lugar: Chengdu J-20 Mighty Dragon (China) – A aposta chinesa para a supremacia no Pacífico. Acredita-se que combine furtividade e um radar AESA poderoso, embora seus motores ainda apresentem desafios.
· 4º Lugar: Sukhoi Su-57 Felon (Rússia) – Uma aeronave letal e ágil, cuja furtividade é questionada, mas sua capacidade de manobra e poder de fogo são inegáveis.
· 5º Lugar: SAAB JAS-39E/F Gripen (Suécia/Brasil) – O melhor entre os não-furtivos. Sua verdadeira força reside na guerra eletrônica, na simplicidade logística e na superioridade em combate dentro do alcance visual (WVR) e além (BVR), especialmente quando armado com o míssil Meteor.
Aeroespacial e defesa
Portanto, no contexto da soberania nacional para um país como o Brasil, que não visa uma guerra de agressão, mas sim a defesa de seu vasto território e a projeção de poder na América do Sul, o F-39 Gripen é a ferramenta ideal. Ele oferece capacidade de combate de ponta por um custo operacional até quatro vezes menor que o de um F-35, conforme apontam estimativas do setor (19Fortyfive, 2025, p. 13).
4.3 Testes e Qualificação dos Pilotos Brasileiros
A transferência de tecnologia do programa Gripen não se limitou à indústria; ela foi fundamental para a formação dos pilotos. Até 2025, mais de 350 profissionais brasileiros, entre engenheiros, técnicos e aviadores, foram treinados na Suécia (Saab, 2025a, p. 4). Na Base Aérea de Anápolis (GO), esquadrão do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), os pilotos brasileiros realizaram um intenso cronograma de treinamento. O Tenente-Coronel Ramon Fórneas, comandante do esquadrão, compara a experiência de pilotar o F-39 à de guiar um carro de Fórmula 1, tamanha a capacidade de processamento de informações e a precisão exigida (Veja, 2025, p. 1).

Os testes de voo e armamento têm sido bem-sucedidos. Em novembro de 2025, a FAB realizou o primeiro disparo real do míssil ar-ar de longo alcance Meteor a partir de um F-39E Gripen. Este míssil, propulsionado por um motor ramjet, não tem paralelo no mundo, sendo capaz de abater alvos a mais de 200 km de distância e realizar manobras evasivas no fim do trajeto (FAB, 2025, p. 1). Em novembro do mesmo ano, a aeronave também foi certificada para reabastecimento em voo (REVO) com o avião tanque KC-390 Millennium, desenvolvido pela Embraer. Essa certificação amplia exponencialmente o raio de ação do Gripen, permitindo que ele atue em qualquer ponto do território nacional e além, com apenas uma parada para reabastecimento (Aeroflap, 2025, p. 2).

4.4 A Dependência de Materiais Críticos e Elementos de Terras Raras
A alta performance do F-39 Gripen, como a de qualquer aeronave de quinta ou 4.5 geração, é sustentada por uma tecnologia que depende intrinsicamente de Elementos de Terras Raras (ETR). A aviônica de ponta, como o radar AESA Raven ES-05, utiliza módulos de Transmissão/Recepção (T/R) que contêm ímãs permanentes de samário-cobalto (SmCo) e outros elementos como neodímio e disprósio. O sistema de busca e rastreamento infravermelho (IRST) também depende desses materiais para seus sensores de última geração.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) define ETRs como um conjunto de 17 elementos químicos, cruciais para aplicações em tecnologias aeroespaciais, de defesa e energia (SGB, 2025, p. 2). Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente raros na crosta terrestre, mas sua extração e refino são complexos, caros e ambientalmente agressivos. A Agência Brasil (2026) destaca que a maior parte da produção global de ETRs é controlada pela China, criando uma vulnerabilidade geopolítica significativa para países que dependem desses materiais para sua defesa. Conforme a publicação, “terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto”, ou seja, toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é terra rara (AGÊNCIA BRASIL, 2026, p. 5).
Estima-se que um único caça moderno como o Gripen utilize de 200 a 400 kg de ETRs em seus diversos sistemas, desde a aviônica até os sistemas de propulsão e controle de voo. No caso de uma frota de 36 aeronaves, o consumo total se aproxima de 10 toneladas de ETRs, sem contar a necessidade de peças de reposição e mísseis. O Brasil, que detém a segunda maior reserva de Terras Raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, tem uma oportunidade única de reduzir essa dependência externa (AGÊNCIA BRASIL, 2026, p. 8). No entanto, o país ainda carece de uma cadeia produtiva completa, que vai da mineração ao refino de alta pureza, um gargalo que o governo federal precisa enfrentar para alcançar a desejada soberania tecnológica.
Engenharia e tecnologia



5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise empreendida demonstra que o Programa F-39 Gripen é um sucesso em múltiplas frentes. Para a Força Aérea Brasileira, ele representa um salto geracional sem precedentes, capacitando o país a defender sua soberania com uma aeronave de ponta, apoiada por uma logística moderna e pilotos excelentemente treinados. As recentes certificações de REVO e a entrada em operação de mísseis como o Meteor dotam o Brasil de um poder de dissuasão que rivaliza com o de potências tradicionais.
Para a indústria nacional, o programa é um estruturador de capacidades. A produção do primeiro caça 100% nacional em Gavião Peixoto não é apenas um marco histórico; é a semente para um polo tecnológico de defesa capaz de gerar empregos, reter cérebros e potencialmente exportar tecnologia. A transferência de conhecimento da Saab para a Embraer e para a cadeia de suprimentos brasileira é um ativo estratégico de valor incalculável.
Por fim, a discussão sobre Materiais Críticos e Elementos de Terras Raras abre uma janela de oportunidade. A dependência externa para a produção de componentes-chave do Gripen é um ponto de atenção, mas as vastas reservas brasileiras de ETRs podem, com o investimento correto em tecnologia de refino, transformar essa vulnerabilidade em uma alavanca de poder nacional. O Gripen, portanto, não é apenas um caça; é um vetor de desenvolvimento científico, industrial e geopolítico para o Brasil no século XXI.
Governo
REFERÊNCIAS
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AGÊNCIA BRASIL. Terras Raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/terras-raras-minerais-estrategicos-e-criticos-entenda-diferenca.Acesso em: 7 jun. 2026.
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Material de referência geográfica
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Aeroespacial e defesa
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SAAB.Primeiro caça Gripen produzido no Brasil é apresentado.20 mar.2026.Disponível em:https://www.saab.com/pt-br/markets/brasil/noticias/2026/primeiro-caca-gripen-produzido-no-brasil-e-apresentado.Acesso em: 5 jun.2026.
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SGB. Minerais estratégicos: Terras Raras são utilizados para produção de turbinas eólicas e carros híbridos .Disponível em: https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/minerais-estrategicos-terras-raras-sao-utilizados-para-producao-de-turbinas-eolicas-e-carros-hibridos.Acesso em: 5 jun. 2026.
Agências governamentais
TECNODEFESA. Brasil supersônico – FAB recebe o primeiro F-39 Gripen produzido no país pela Embraer.25 mar.2026.Disponível em: https://tecnodefesa.com.br/brasil-supersonico-fab-recebe-o-primeiro-f-39-gripen-produzido-no-pais-pela-Embraer/#.Acesso em: 2 jun. 2026.
VEJA. ‘O Gripen é como um ótimo Fórmula 1’, diz piloto da FAB. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/economia/o-gripen-e-como-um-otimo-formula-1-diz-comandante-da-fab/.Acesso em: 2 jun. 2026.
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19FORTYFIVE. ‘No Escape’ JAS 39 Gripen E: Best Fighter Not Named F-22, F-35 or F-47 NGAD. 2025. Disponível em: https://www.19fortyfive.com/2025/12/no-escape-jas-39-gripen-e-best-fighter-not-named-f-22-f-35-or-f-47-ngad/.Acesso em: 3 jun. 2026.



