Obras civis são empreendimentos complexos que exigem planejamento de qualidade. Com numerosos detalhes – materiais e ferramentas a serem utilizados, serviços contratados, mão de obra, impostos – é fundamental que profissionais com uma visão geral do empreendimento e conhecimento técnico executem um planejamento que vá evitar imprevistos, assim como um orçamento compatível com a realidade e bem aplicado no cronograma da obra. Para falar sobre “Rotinas de orçamentos e planejamentos de obras civis”, o Clube sediou palestra de Daniel Antunes, engenheiro civil pós-graduado em Gestão, no dia 8 de dezembro. O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT), Divisão Técnica de Engenharia Econômica (DEC) e Divisão Técnica de Ciência e Tecnologia (DCTEC), com apoio da Associação Brasileira de Engenheiras e Arquiteturas núcleo Rio de Janeiro (ABEA-RJ) e Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC-RJ).

Planejamento: evitar falhas e desperdícios
Um dos maiores benefícios do planejamento de uma obra, segundo Daniel Antunes, é ter uma visão em escala macro do projeto: o responsável poderá trabalhar com parâmetros e metas para que tudo funcione corretamente em relação ao cronograma. Ao longo da execução podem ser detectadas situações desfavoráveis, que podem vir a causar prejuízos, no entanto reversíveis. Segundo Antunes, quanto antes se percebe uma falha, maior é a oportunidade de sucesso da obra. O planejamento também possibilita fazer a otimização da alocação de recursos, evitando problemas no orçamento.

O engenheiro apresentou uma série de erros recorrentes na elaboração de projetos. Um dos principais é o planejamento e o controle serem atividades do mesmo setor que executa a obra, situação na qual as pressões e surpresas da execução tornam esta atividade prioritária e o planejamento fica em segundo plano. E, ainda mais importante, é ter a consciência de que um bom planejamento evita imprevistos e falhas na execução. “Não se perde dinheiro com o planejamento, ganha-se. Mais dinheiro é gasto no começo, porque precisa-se de alguém para fazer a função. Mas depois vem o ganho por evitar problemas que o planejamento conseguiu prever”, ele afirmou.

Olhar clínico sobre etapas
Para orientar os interessados no planejamento de projetos, Daniel Antunes comentou alguns métodos de gestão. As cinco fases básicas de um projeto são: iniciação, execução, monitoramento e controle, encerramento e planejamento. O planejamento de uma obra civil deve ter um tempo mínimo de 2 semanas. Ele apresentou um modelo baseado em quatro etapas. A primeira, de concepção e viabilidade, faz as estimativas de prazo e de custo e o projeto básico. A segunda, de planejamento e detalhamento, já formaliza o projeto executivo, planejamento analítico e orçamento analítico. A terceira, de execução, é quando a obra se desenvolve e ao mesmo tempo acontece o monitoramento. Por fim, na finalização, ocorre a entrega da obra, fechamento das notas fiscais e outros procedimentos.

Especificamente para projetos de engenharia civil, Daniel Antunes apresentou alguns conceitos importantes, como o de duração. A duração do projeto depende da quantidade de material (a partir da área da obra, em m²), recursos (número de pedreiros) e produtividade (quanto se executa da obra em determinado tempo). Dependendo da quantidade de pedreiros, com determinada produtividade, para executar determinada área, obtém-se a duração das etapas e e também se faz possível adequar o orçamento.

Orçamento: mais detalhes, menos perdas
Além do planejamento, Daniel Antunes tratou do assunto da orçamentação de projetos, que é o gerenciamento de custos da obra. Um dos principais erros na orçamentação, segundo ele, é o uso da “estimativa” no lugar do Custo Detalhado: a aplicação de um custo em determinada etapa do empreendimento que não condiz com a realidade. O modelo certo é conhecido como Custo Detalhado, que explora as etapas e necessidades da obra evitando prejuízos. Outro erro é a “aceitação absoluta de verdades relativas”, como por exemplo acreditar que a economia vai melhorar e nisso basear a alocação de recursos. Também se configura como um grande obstáculo ao orçamento eficiente a pressão comercial em detrimento da área técnica: com valores contingenciados, a qualidade do empreendimento pode estar comprometida.

No orçamento, é preciso ter em mente a existência dos custos e dos impostos e adicionar o fator lucro. Uma técnica para a distribuição da verba é saber que o custo da obra, ou seja, tudo que será gasto, terá base 80% técnica e 20% comercial. Já o preço, que é o que se cobra como retorno da obra, tem base 20% técnica e 80% comercial.

Para orçamentar, é preciso fazer a identificação dos serviços e o que o compõe, a exemplo de material a ser utilizado, ferramenta e mão de obra. Na composição de custos calcula-se insumo, material, unidade, índice (o inverso da produtividade), perdas (por material), custo unitário e custo total. Tudo isso pode valer, por exemplo, para uma forma ou uma sapata. O valor será aplicado no cronograma, baseado no tempo em que será feita determinada etapa da obra.

O fator lucro, valor total de retorno sobre a obra, como o próprio nome diz, é baseado na lucratividade: porcentagem da receita que corresponderá ao lucro. Faz-se imprescindível ao profissional responsável pelo orçamento ter conhecimento dos impostos que incidirão sobre o empreendimento, e como incidirão. O preço de venda da obra será uma soma do custos, impostos e lucro.

Receba nossos informes!

Cadastre seu e-mail para receber nossos informes eletrônicos.

O Clube de Engenharia não envia mensagens não solicitadas.
Skip to content