NBR 6120: novas orientações para a construção civil

Engenheiro João Vendramini apresentou as principais mudanças. Foto: Fernando Alvim.

Por mais de 30 anos engenheiros civis e de estruturas utilizaram uma norma curta e pouco precisa para prever as cargas que suas obras teriam que suportar: a NBR 6120, publicada em novembro de 1980 pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mas as casas, locais de trabalho e hábitos dos brasileiros mudaram muito e rever a norma tornou-se uma necessidade. “Norma de Cargas ABNT NBR 6120 – A evolução da revisão da norma” foi a palestra promovida pelo engenheiro João Vendramini, presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE), em 24 de julho, no Clube de Engenharia. A expectativa é que seja publicada até o final de 2019.

Informações em primeira mão

Pode-se dizer que os espectadores da palestra de Vendramini tiveram acesso a informações exclusivas sobre a revisão da norma, uma vez que a ABECE vem trabalhando no texto há cerca de cinco anos. Segundo ele, a norma ainda vigente, de 1980, ignora uma série de variáveis na concepção de um projeto de engenharia: “A norma se preocupa quase que exclusivamente com edificações verticais, residenciais, com alguns elementos de comercial, sem preocupação com esforços horizontais nem com nenhum outro tipo de edificação. É quase uma ratificação do que já se fazia na época”. Alguns objetivos que guiaram a Associação para estruturar o texto foram uniformizar a norma em nomenclaturas já estabelecidas em outros documentos da área, e dar confiabilidade ao novo texto, uma vez que os poucos valores estabelecidos anteriormente já estavam muito “arraigados” nos profissionais. Procuraram, então, obter dados sólidos para determinar as cargas em numerosos casos. Uma grande quantidade de detalhes de uma edificação está agora prevista na norma, como as telhas, que terão valores diferentes se forem de alumínio ou de madeira, o forro, que terá cargas diferentes sendo de gesso ou PVC, etc.

Uma das novidades, considerada, nas palavras de Vendramini, a “menina dos olhos” da norma, é a parte das Ações Variáveis. Trata-se de reconhecer que determinadas construções não estão expostas à mesma carga o tempo todo, como por exemplo aeroportos, shoppings, arquibancadas, dispensas, depósitos de supermercados e outros estabelecimentos, escadas, etc. Em determinadas situações, esses espaços estarão vazios e, em outras, com “carga de multidão”. Saber projetar uma obra com carga variável é, para o palestrante, motivo de grande mérito: “Essas são situações para nós nos orgulharmos da profissão. Cada obra nossa é um protótipo”, afirmou. Se antes um engenheiro não sabia que peso esperar de um Centro de Processamento de Dados (CPD), uma biblioteca com pé-direito alto, um banco, agora terá a norma para orientar.

Para os brasileiros do século XXI

Eles também se debruçaram sobre a mudança no estilo de vida dos brasileiros nos últimos 30 anos. Entraram nas casas mais eletrodomésticos pesados, varandas receberam móveis e plantas pesadas, as garagens precisam sustentar carros de variados tamanhos e pesos, e até mesmo blindados. Neste último caso, o grupo se debruçou sobre toda a frota de carros que circulam no Brasil, o peso que cada um consegue transportar, e qual é o peso adicionado em cada um dos quatro tipos de blindagens usados no país. Verificaram, assim, que quase todos os veículos demandam carga de 300kg/m². Mas também acharam interessante dividir o espaço das garagens de acordo com as variações de peso dos veículos, desde os mais leves aos mais pesados, chegando até a viatura de bombeiros.

Segundo Vendramini, a ABECE enviou esta nova versão da norma para a ABNT na terceira semana de julho, e agora o texto deve passar por editoração e algumas checagens. O evento contou com promoção do Clube de Engenharia, Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e Divisão Técnica de Estruturas (DES), com apoio da ABECE e do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON).

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