Atualizado em 24/11/2020

Em tempos de pandemia, com o país em quarentena, é da maior importância abrir canais de interlocução permanente com a sociedade brasileira e, em especial, com o Conselho Diretor e os associados do Clube de Engenharia. Essa é a proposta do Brasil Amanhã, que todas as terças-feiras e sextas-feiras, às 18h, estará no ar pelo YouTube e demais redes do Clube de Engenharia. Sem deixar de investir todos os nossos esforços na luta contra o coronavírus, queremos pensar o Brasil Amanhã, pós-pandemia.

Assista aos vídeos da série:

O apagão no Amapá ocorrido em novembro de 2020 trouxe à tona algumas das mais conhecidas falhas da privatização do setor elétrico no Brasil. Para Cecy Maria Martins Marimon, convidada da websérie Brasil Amanhã #63, trata-se de um claro caso de negligência, tanto da empresa privada responsável pela distribuição de energia no Estado, quanto da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pela fiscalização. Um exemplo é o fato de um transformador reserva, que poderia ter tornado o apagão menos calamitoso, estar em manutenção desde o final de 2019. E coube à Eletrobras, empresa pública criada nos anos 1950, o papel de apoiar e buscar soluções para a crise. Cecy lembra que a Eletrobras foi responsável por criar um sistema elétrico nacional integrado, robusto e seguro, baseado em uma matriz energética limpa. As empresas geradoras de energia que integram o sistema Eletrobras têm, por exemplo, a responsabilidade de gerenciar barragens nas maiores bacias hidrográficas do país, e atuam em todo o território nacional apoiando políticas públicas. Mas a fragmentação a partir das privatizações coloca em risco a segurança energética do País e, principalmente, coloca em risco o bem-estar, a saúde e a economia em estados mais afastados do centro-sul, como é o caso do Amapá.

Cecy Maria Martins Marimon é licenciada em Ciências e Matemática e em Pedagogia. Especialista em Psicopedagogia Social e mestre em Educação. Atuou como professora e gestora na educação básica e no ensino superior, com ênfase na formação de professores. Desde 2010 exerce cargo de pedagoga na Educação Corporativa, na CGTEletrosul, em Florianópolis, trabalhando na implantação do ambiente virtual de aprendizagem e na capacitação dos empregados educadores visando a gestão do conhecimento. Diretora de Formação do Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e Região representa a Intersindical dos Eletricitários do Sul do país no Coletivo Nacional dos Eletricitários.

Publicado em 24/11.

 

A tríade pesquisa, ensino e extensão nas universidades públicas brasileiras é um desafio diário de construção de conhecimento com impacto social. A estudante de engenharia Karina Karim, convidada da websérie Brasil Amanhã #62, compartilha alguns dos sucessos de sua trajetória em projetos que alinham o ensino de engenharia à arte, à matemática e até à agricultura. Para ela, incluir uma lente antirracista, feminista e periférica na engenharia é um caminho para o desenvolvimento de tecnologias que sejam inovadoras em todos os aspectos, inclusive na transformação da sociedade. De competições internacionais de veículos de exploração espacial ao ensino de matemática e ciências na educação fundamental, passando até ao desenvolvimento de tecnologias sociais como CubeSats para hortas comunitárias, Karina é exemplo dos muitos esforços realizados para que as engenharias sejam mais diversas e, principalmente, inclusivas para mulheres em geral e mulheres negras, em particular.

Karina Karim é estudante de Engenharia Mecânica da Universidade Federal Fluminense (UFF), integrante da Frente UFF e desenvolvedora de tecnologias sociais no programa SACI-E do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e na Oficina de Inovação e Ancestralidade (OIA PETMEC UFF).

Publicado em 10/11.

A história do Brasil é marcada por uma disputa de projetos políticos distintos: de um lado, aqueles que lutam por um país soberano, independente, e que veem o papel essencial da ação estatal na realização desta tarefa; o segundo grupo envolve aqueles para o qual o alinhamento às potências mundiais e seus modelos econômicos determinam o rumo do desenvolvimento, e é imperativo a saída do Estado como ator econômico. O geólogo Ricardo Latgé, convidado da websérie Brasil Amanhã #61, resgata esta contradição analisando os setores mineral e de petróleo no Brasil. Mostra que a mineração foi essencialmente conduzida pelo setor privado, atuando o Estado como um ator basicamente autorizador e arrecadador de tributos.

A história do petróleo no Brasil também seguiu um rumo similar, mantendo-se facultado à iniciativa privada por cerca de cem anos, com resultados pífios. Só com a intervenção direta do Estado, com a criação por Getúlio Vargas da Petrobras, em 1953, este quadro mudou. Organizado sob a égide do monopólio estatal, obteve resultados empresariais espetaculares, tornando-se uma referência neste setor. Por fim, Latgé mostrou que ofuturo ainda reserva um papel relevante para o petróleo, mesmo com a transformação das matrizes energéticas em direção a combustíveis renováveis. O protagonismo da Petrobras, estatal, é, portanto, essencial para uma Engenharia nacional forte, a expansão do mercado de trabalho, o desenvolvimento do Brasil e a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.

Ricardo Latgé Milward de Azevedo é Geólogo, formado em 1978 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalhou na Petrobras de 1979 a novembro de 2014, desempenhando tanto atividades técnicas como de gestão, com destaque para a função de Assessor da Diretoria de Exploração e Produção, de 2003 a 2012. Foi presidente da Federação Brasileira de Geólogos e da Associação Profissional dos Geólogos do Estado do Rio de Janeiro. Acumula cargos de conselheiro do Clube de Engenharia e do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro. Participou da diretoria da Associação dos Engenheiros da Petrobras.

Publicado em 06/11.

A reação da sociedade brasileira aos desafios impostos pela Covid-19 se deu em diferentes estratégias. Uma delas foi a Frente UFF, projeto de extensão multidisciplinar da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense. Rafael Franco, estudante de Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente da universidade e integrante da Frente, foi o convidado da websérie Brasil Amanhã #60. Sobre as conquistas Franco explicou que o projeto é uma rede de combate à pandemia formada por estudantes, docentes, técnicos, empresas, secretarias de saúde e cidadãos. Ao todo, quase 300 pessoas se envolveram na Frente UFF desde março, início da pandemia. Entre os resultados, ele destaca as 17 mil face-shields produzidas por impressão 3D e entregues a profissionais de saúde, e os protótipos de respirador mecânico, caixa de Intubação e cabine de coleta de swab, todos direcionados para futuramente atender hospitais. De caráter horizontal, com decisões coletivas, o projeto ratifica a capacidade da universidade pública em gerar conhecimento e agir rapidamente diante de crises, apesar do pouco apoio governamental e de fundos reduzidos.

Rafael Franco é graduando em Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente pela Universidade Federal Fluminense (UFF), atual presidente do Diretório Acadêmico Octávio Cantanhede (DAOC) da Escola de Engenharia da UFF e integrante do Projeto Frente UFF - Rede de Combate ao Coronavírus.

Publicado em 03/11.

A evolução e a disseminação da Internet, a partir dos Estados Unidos, se deram em cenário de total falta de regulamentação pública. Para Marcos Dantas, professor titular da Escola de Comunicação da UFRJ e convidado da websérie Brasil Amanhã #59, a lógica econômica da rede, concentrada em plataformas que funcionam à base de coleta, análise e comércio de dados, impõe grandes desafios à soberania dos países, aos regimes democráticos e ao combate à desigualdade socioeconômica. Para o professor, é preciso esmiuçar, por exemplo, o fato de que os grandes fundos de investimento do capital financeiro alimentam e lucram com essas empresas. E a guerra comercial entre EUA e China é apenas mais um episódio desse contexto. A pandemia de Covid-19 e a educação forçadamente remota escancararam também esses desafios. Marcos Dantas defende que é essencial para o Brasil colocar essa agenda no centro dos debates de políticas públicas porque os dados são o petróleo do século 21.

Marcos Dantas é professor titular da Escola de Comunicação da UFRJ, doutor em Engenharia de Produção pela COPPE-UFRJ, professor e pesquisador dos programas de pós-graduação em Comunicação e Cultura (ECO-UFRJ) e em Ciência da Informação (ECO-IBICT/UFRJ), membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), diretor do Centro Internacional Celso Furtado.

Publicado em 30/10.

 

A Engenharia do futuro vem atender às necessidades de um mercado de trabalho que exige cada vez mais rapidez e eficiência em todos os processos e que utiliza da tecnologia para estes fins. A professora e consultora Ercilia de Stefano foi a convidada da websérie Brasil Amanhã #58 e tratou dessa temática, abordando também o emprego de metodologias ativas de ensino para a Indústria 4.0 e seu alinhamento com as novas diretrizes curriculares de Engenharia, aprovadas em 2019. As habilidades e competências exigidas se expandiram, afirma a professora, para abranger também a comunicação interpessoal, o conhecimento e o desenvolvimento de tecnologias, a atualização constante e a visão analítica. Metodologias ativas de ensino, baseadas, por exemplo, em resolução de problemas ou no trabalho em equipe, devem ser cada vez mais empregadas, auxiliando na formação deste profissional trans/interdisciplinar.

Ercilia de Stefano é pós-doutora em Engenharia Civil pela COPPE/UFRJ e em Sistemas de Gestão Sustentáveis pela UFF. Doutora em Engenharia de Transportes e mestre em Engenharia de Sistemas, ambos pela COPPE/UFRJ. Possui MBA em Gestão Estratégica em Comércio Exterior e é especialista em Gestão Estratégica Pública e em Gerência e Desenvolvimento de Sistemas Orientado a Objetos. Graduada em Matemática e advogada. Professora, pesquisadora e consultora.

Publicado em 27/10.

 

A PEC da Reforma Administrativa (PEC 32/2020), encaminhada em setembro pelo governo federal para o Congresso Nacional, propõe alterações profundas no funcionalismo público brasileiro. Para a economista Ceci Juruá, convidada da websérie Brasil Amanhã #57, trata-se de uma reforma que, na prática, intensifica o desmonte do Estado e contraria preceitos constitucionais em vigor, ao mesmo tempo em que reduz as competências do Congresso Nacional. Ceci Juruá afirma que toda a sociedade brasileira apoia e considera necessária uma reforma que elimine privilégios e desigualdades, principalmente nos altos salários do funcionalismo dos poderes Judiciário e Legislativo. Também deveria estar no foco de uma reforma construtiva o combate ao patrimonialismo e a imposição de regras éticas restritas para todos os servidores públicos e membros de altas funções estatais. Entretanto, a PEC 32/2020 não elimina os privilégios atuais e cria novos privilégios, além de enfraquecer o Estado nacional. A economista defende que “sem o Estado forte, democrático e bem dimensionado, a sociedade fica a mercê dos conglomerados estrangeiros e das altas finanças internacionais, atores que não primam por uma ética humanista nem imune a práticas ilícitas. Por ser anti-democrática e contrariar cláusulas pétreas da atual Constituição, o Congresso Nacional não deve aceitar a reforma proposta. A PEC deve ser devolvida ao Executivo”.

Ceci Juruá é economista, mestre em Desenvolvimento e Planejamento Econômico e doutora em Políticas Públicas. É membro do Conselho Consultivo da Confederação Nacional de Trabalhadores Liberais Universitários (CNTU) e sócia e membro do Conselho Fiscal do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. Pesquisadora independente, é autora de “Visconde de Mauá. Defensor do Nacionalismo Econômico do Oiapoque ao Chuí” e “Horizontes de Reconstrução da Pátria Soberana".

Publicado em 16/10.

 

O Brasil possui duas heranças que, perenes em nossa história, ainda impõem desafios para que o país se torne, de fato, uma nação soberana: o colonialismo e a escravidão. Para o advogado e ex-deputado federal constituinte Vivaldo Barbosa, convidado da websérie Brasil Amanhã #56, somente quando enfrentarmos essas heranças é que poderemos vislumbrar um futuro igualitário. Ele lembra que, mesmo após a independência de Portugal, o Brasil continuou nas mãos de uma nação estrangeira, a Inglaterra, e que somente em 1850 é que o governo imperial começou a implementar políticas nacionais de industrialização. Entretanto, foi só com a República, já chegando ao século XX, que o país teve, pela primeira vez, políticas de proteção industrial e de crédito para que as indústrias nacionais pudessem florescer. E se a década de 1930 foi marcada pelo trabalhismo e pelo início do desenvolvimentismo, traços da política nacional que permaneceram mesmo sob o autoritarismo da Ditadura Militar, nos anos 1990 e hoje temos o alargamento de visões neoliberais que afastam o país, cada vez mais, de enfrentar sua própria história. É preciso defender os direitos (principalmente os trabalhistas) e a indústria nacional, afirma, se o Brasil quiser nas próximas décadas se firmar como uma nação forte e respeitada no restante do mundo.

Vivaldo Vieira Barbosa é advogado, professor e político brasileiro. Exerceu o mandato de deputado federal constituinte em 1988. É segundo suplente no Senado pelo Rio de Janeiro. Autor de “Industrialização e Nacionalização - Como se forja uma nação ou As Perdas Internacionais” (2019), "O pensamento político — do Iluminismo aos nossos dias" (2010), "Meeiros do Café – Gente e Ocupação da Zona Proibida do Caparaó (2009) e "A Rebelião da Legalidade" (2002).

Publicado em 13/10.

 

O ano de 2020 impôs diferentes desafios para a educação, inclusive com o fechamento de escolas e universidades para atividades presenciais. O Clube de Engenharia tem, com a Secretaria de Apoio ao Estudante de Engenharia (SAE), oferecido um espaço contínuo de troca de experiência e de conhecimentos para futuras engenheiras e futuros engenheiros. Para Thaís Silva, graduanda do curso de Engenharia de Produção e convidada da websérie Brasil Amanhã #55, essas ações são essenciais para manter vivo o espírito de aprendizado, de formação integral e de busca por inclusão na área. Ela cita o exemplo do Encontro Fluminense de Estudantes de Engenharia (EFFEng), neste ano realizado remotamente. Engajada em diferentes projetos estudantis e de formação profissional, Thaís reforça a validade de se aventurar e, mesmo no contexto da pandemia, continuar em contato com colegas e iniciativas.

Thaís Silva é graduanda de Engenharia de Produção. Agente de Inovação no Start up Rio, voluntária na Tecnogueto e compõe o Global Shapers RJ, uma iniciativa do Fórum Econômico Mundial, composta por uma rede de Hubs desenvolvidos e liderados por jovens entre 20 e 30 anos de idade. Uma entusiasta na agenda de diversidade, inclusão e empreendedorismo social. Atualmente é RSS IEEE, Representante Estudantil da Seção Rio de Janeiro no IEEE. Ainda no IEEE foi presidente do grupo de afinidade WIE (Woman in Engineering), presidente do ramo estudantil IEEE UFF e chefe de Logística na equipe de foguetemodelismo Lufft.

Publicado em 06/10.

O Rio de Janeiro foi a matriz do desenvolvimento de informática no país, nos anos 1960. Atualmente, no entanto, o setor de software e serviços enfrenta grandes desafios para se consolidar novamente. Para Benito Paret, convidado da websérie Brasil Amanhã #54, falta articulação entre empresas e universidades para além do apoio momentâneo a startups. É preciso também fomentar a formação de profissionais de Tecnologia da Informação (TI), mercado que segue crescendo e que, com o início da vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), terá grandes transformações pela frente no pós-pandemia. A informática de hoje está conectada diretamente à Internet e a uma nova cultura sobre uso de dados. É uma oportunidade de mercado que precisa ser aproveitada. Benito Paret é presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro (TI Rio) e diretor executivo da Riosoft.

Publicado em 02/10.

 

As primeiras previsões sobre os impactos econômicos da pandemia de Covid-19 eram pessimistas, mas a realidade se mostrou ainda mais desafiadora. Para o empresário Cesar Prata, convidado da websérie Brasil Amanhã #53, esse impacto, no entanto, não atingiu da mesma forma a todos os setores: alguns não pararam. Enquanto o agronegócio e o setor de petróleo e gás se mantiveram estáveis, outros, como o de comércio eletrônico, viram oportunidades de crescer. Com relação ao setor industrial, afirma ele, a escassez de matérias primas (como o aço) tem dificultado a retomada. Mas o ambiente macroeconômico trouxe uma situação perfeita, segundo Prata, para estimular a produção local de bens, até então excessivamente dependente da produção chinesa. Com dólar alto e juros baixos há oportunidade de crescimento à vista, inclusive com parcerias na América Latina.

Cesar Prata é industrial, presidente da ASVAC Bombas Industriais Navais. Foi vice-presidente e ocupou o posto de presidente do Conselho de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). Entre outras atividades foi presidente da Câmara Naval & Offshore (CSEN) e conselheiro da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (SOBENA) e do Conselho de Metalurgia & Mineração. É conselheiro da Fundação Gilberto Salvador (SP).

Publicado em 22/09.

O Instituto Militar de Engenharia (IME) é uma das universidades de excelência do Brasil e, no contexto da pandemia de Covid-19, tomou a decisão de adotar o ensino remoto para todos os seus estudantes ainda em março. O tenente-coronel Erick Galante, chefe da seção de Engenharia Química do IME e convidado da websérie Brasil Amanhã #52, afirma que a mudança repentina só foi possível graças ao esforço do quadro docente em mudar metodologias de ensino e, dessa forma, encerrar o primeiro semestre letivo de 2020. Na pós-graduação, o tenente-coronel explicou que as pesquisas continuaram, respeitando os cronogramas individuais dos estudantes, mas também o controle de acesso e higienização dos laboratórios. No viés científico, o IME tem assessorado projeto de reposicionamento de fármacos, estudando que medicamentos já existentes poderiam ser usados para o tratamento da nova doença. Parcerias com a Fiocruz e instituições internacionais levaram a um trabalho experimental que está em curso. Para Galante, essas iniciativas atestam o compromisso do IME em formar engenheiros de excelência, prontos a contribuir para o país.

Erick Galante é tenente-coronel do Exército e chefe da seção de Engenharia Química do Instituto Militar de Engenharia (IME). Possui graduação em Engenharia Química pelo IME, especialização em Engenharia de Segurança e mestrado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestrado em Explosives Ordnance Engineering pela Cranfield University (Inglaterra) e PhD em Defence and Security, com ênfase em explosivos, também pela Cranfield University (Inglaterra). Atualmente é professor do IME, foi duas vezes coordenador do curso de graduação em Engenharia Química do instituto, é sócio do Clube de Engenharia e Conselheiro Regional do CREA-RJ. É membro da Royal Society of Chemistry (RSC, Inglaterra), do Institute of Explosives Engineers (IExpE, Inglaterra), da Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança (SOBES), da Sociedade de Engenharia de Segurança do Estado do Rio de Janeiro (SOBES-Rio) e da Academia Brasileira de Engenharia de Segurança (ABEST).

Publicado em 18/09.

 

A tragédia social, econômica, política e ética do Brasil é parte integrante de sua história desde a colonização. Pensar o futuro só é possível quando enfrentamos essa realidade. Para Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e convidado da websérie Brasil Amanhã #51, o país urge por um Projeto de Nação que acolha essas contradições perenes e busque construir um caminho para o futuro pós-pandemia que passe pelo definitivo enfrentamento das desigualdades sociais. Países como EUA, China e Coreia do Sul, lembra Amaral, têm um Projeto de Nação e sabem o que querem alcançar enquanto sociedade e como pretendem atingir esses objetivos. O Brasil permanece na incerteza, na subserviência aos países ricos, um processo que nunca foi interrompido de fato desde o início da colonização portuguesa. Temos, afirma Amaral, todas as condições para um pleno desenvolvimento socioeconômico ambientalmente responsável: terra, riquezas naturais e povo. Falta, no entanto, enfrentar o passado e entender que as atuais políticas de destruição perpetuam uma história pautada pela escravidão, pela depredação do meio ambiente e pela exploração dos mais pobres.

Roberto Amaral é jornalista e advogado. Foi ministro da Ciência e Tecnologia, integrou o Conselho Estadual de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e foi conselheiro da Itaipu Binacional. É professor adjunto (licenciado) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor titular da Faculdade Hélio Alonso. Semanalmente escreve na revista Carta Capital online e em seu blog Pensar Brasil. Publicou em 2020 o livro "História do Presente: conciliação, desigualdade e desafios" (E-Book da Editora Expressão Popular).

Publicado em 11/09

 

O Clube de Engenharia abre suas portas para que estudantes e profissionais recém-formados apresentem seus trabalhos de conclusão de curso na forma de palestras técnicas — uma iniciativa que tem trazido debates renovadores para a entidade centenária. Uma dessas apresentações foi a realizada por Francisco Costa, que pesquisou termografia aplicada ao setor elétrico. Convidado da websérie Brasil Amanhã #50, Costa falou sobre sua passagem e aprendizado no Clube de Engenharia e sobre desafios e perspectivas para o setor elétrico no contexto da pós-pandemia. Em linha direta com os estudantes, deu ênfase especial à importância do coletivo no enfrentamento das adversidades.

Francisco Araújo Costa é Engenheiro Eletricista com ênfase em Sistema de Potência e carreira desenvolvida no setor elétrico, com certificação para atuação na rede básica do ONS. Atua em Sistema Elétrico de Potência (SEP) desde 2001 e tem habilitação em Termografia desde 2003. Membro do Comitê Nacional Brasileiro de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (CIGRÉ Brasil), atualmente é Operador de COS Marte Engenharia/FURNAS. No Clube de Engenharia, Costa participou por dois anos de projetos a partir da Secretaria de Apoio ao Estudante de Engenharia (SAE).

Publicado em 08/09.

 

Os números preocupantes da falta de saneamento básico no Brasil mostram uma situação inaceitável: apesar de uma cobertura de rede de abastecimento de água de 90%, cerca de 100 milhões de brasileiros ainda não têm acesso regular à água potável, e 40% não têm coleta de esgoto. E, do total de esgoto coletado, apenas 60% é tratado. Para Marilene Ramos, engenheira civil com passagem em diferentes instituições públicas ligadas ao setor, a meta de universalização para 2033 está longe de ser alcançada e, por isso, é necessário incentivar que novos atores, além das companhias públicas, também se façam presentes. Convidada da websérie Brasil Amanhã #49 afirma que a Caixa Econômica Federal e o BNDES têm capacidade de financiar infraestrutura de saneamento desde que com recursos reembolsáveis. E defende que o desafio da reestruturação do setor no contexto do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026), sancionado em julho, é justamente viabilizar a ampliação dos investimentos com a entrada dos investidores privados e o atendimento às metas legais de universalização.

Marilene Ramos é engenheira civil, com mestrado e doutorado pela COPPE/UFRJ. Entre 2008 e 2010, foi secretária do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro e, entre 2011 e 2014, foi presidente do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (INEA). Foi diretora das áreas de Energia, Gestão Pública e Socioambiental, e Saneamento e Transporte no BNDES.

Publicado em 04/09.

O futuro do saneamento básico no Brasil continua em debate após a promulgação do novo marco legal do setor, em julho, com a Lei nº 14.026. Para Clovis Nascimento, engenheiro de carreira da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), o marco representa um retrocesso. Convidado da websérie Brasil Amanhã #48, Clovis afirma que, apesar dos números preocupantes da falta de saneamento básico no país, o Brasil vinha com um planejamento consistente de obras interrompido pelo Governo Federal atual e o anterior. Com o novo marco, o setor agora poderá ser controlado por empresas privadas, embora experiências nacionais (Manaus) e internacionais (França, Alemanha, Bolívia), entre outras, demonstrem que os desafios persistem e, por vezes, o setor privado se retira por falta de lucro ou por não conseguir implementar e administrar a infraestrutura necessária.

Clovis Francisco do Nascimento Filho é engenheiro civil e sanitarista, pós-graduado em Políticas Públicas e Governo. Atualmente é presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e integrante da coordenação do movimento SOS Brasil Soberano. Exerceu o cargo de Subsecretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos do Rio de Janeiro e foi Diretor Nacional de Água e Esgotos da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. Foi presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), e vice-presidente da 4ª Região da Asociación Interamericana de Ingenieria Sanitária y Ambiental (AIDIS), região que compreende Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil.

Publicado em 01/09.

A Secretaria de Apoio ao Estudante de Engenharia (SAE) surgiu em 2016 no Clube de Engenharia como uma estratégia de aproximar os estudantes da entidade e estimular a troca de conhecimentos com profissionais experientes. De lá para cá, o projeto tem trazido inúmeros frutos positivos, incluindo quatro mil novos sócios aspirantes, que pouco a pouco têm se envolvido com a luta essencial em defesa da Engenharia e da soberania nacional, sem deixar de lado o foco no conhecimento técnico. Luiz Fernando Taranto, jornalista e secretário-executivo da SAE, convidado da websérie Brasil Amanhã #47, fala sobre os desafios da SAE no contexto da pandemia de Covid-19 e também das perspectivas do trabalho.

Luiz Fernando Taranto é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela faculdade Estácio de Sá (1976). Exerceu diversos cargos na área cultural, particularmente com cinema. Trabalhou nas produtoras Embrafilmes e Mapa Filmes e foi chefe de gabinete do Instituto Municipal de Arte e Cultura do Rio de Janeiro (RioArte), que pensava a política cultural da cidade. Também foi assessor parlamentar da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro e do Congresso Nacional; e atuou como gerente de promoção da cidadania na prefeitura de Juiz de Fora (MG). Com o conselheiro e coordenador da Secretaria de Apoio ao Estudante de Engenharia, José Stelberto Porto Soares, atua desde 2016 à frente da SAE como secretário-executivo.

Publicado em 28/08.

Em 2020, o Clube de Engenharia completa 140 anos de existência. A "Casa da Engenharia Nacional", ao longo de sua história, esteve sempre ao lado daqueles que defenderam um Brasil justo, soberano e igualitário. Para Tatiana Ferreira, conselheira do Clube, a pandemia de Covid-19 e o estado de calamidade pública que o país vive hoje reforçam a necessidade de que engenheiras e engenheiros estejam juntos, em coletividade, pensando caminhos e soluções a partir de suas áreas de conhecimento. Convidada da websérie Brasil Amanhã #46, Tatiana conclama que, assim como ela, estudantes e engenheiros recém-formados tomem parte das discussões que, no Clube, moldam uma defesa contundente e técnica do desenvolvimento e da soberania nacional. Afinal, afirma, a Engenharia é o motor que fará o Brasil voltar a se desenvolver.

Tatiana da Silva Ferreira é engenheira civil, formada em 2018 pela Faculdade do Rio de Janeiro. Sócia aspirante do Clube de Engenharia desde 2014, passou a atuar, em 2015, como representante de sua faculdade na Secretaria de Apoio ao Estudante de Engenharia (SAE). Participou ativamente da realização das três edições do Encontro Fluminense de Estudantes de Engenharia (EFFEng), como comissão organizadora (2017), coordenadora (2018 e 2019) e assessora geral (2020). Desde 2018 integra o Conselho Editorial da entidade e, desde 2019, o Conselho Diretor. É também conselheira suplente na Câmara de Engenharia Civil do CREA-RJ (2019-2021). Atua como engenheira autônoma e empreendedora na TODA Engenharia, trabalhando no setor de reformas, construção e consultorias técnicas.

Publicado em 25/08.

Para o engenheiro mecânico e conselheiro vitalício do Clube de Engenharia, Carlos Monte, os hábitos da vida nas grandes cidades foram alterados e mudanças importantes, como o trabalho remoto e a vida cultural mais introspectiva, farão parte de nosso paradigma pós-pandemia. Convidado da websérie Brasil Amanhã #45, o engenheiro defende que, no âmbito da vida política, o Brasil já tem visto a urgência de se retomarem debates ao redor da soberania nacional e do desenvolvimento para além do simples crescimento econômico. A maior presença do Estado na sociedade e na economia como um todo é uma tendência global e, por aqui, se materializará na oposição a políticas de ajuste fiscal severo e mesmo na defesa de empresas e instituições nacionais estratégicas para a Ciência e a inovação tecnológica, como a Petrobras, a Embraer, a Embrapa e a Fiocruz. Fortalecer essas pautas será também preparar o Brasil para um contexto global muito desafiador e instável, seja pelo drama das mudanças climáticas em curso, seja pelos conflitos militares possíveis entre potências como os EUA e a China.

Carlos Saboia Monte é engenheiro mecânico formado pela Escola de Engenharia da UFRJ em 1962. Exerceu suas atividades profissionais nas empresas públicas Furnas e Eletrobras e nas empresas privadas Montreal e Chicago Bridge. Foi diretor de desenvolvimento de novos negócios do grupo Multiplic e Secretário Geral do Ministério da Previdência e Assistência Social durante os anos de 1987 e 1988 e sócio-gerente da Profix Consultoria a partir de 1988. Em 2006, foi convidado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) para participar do Projeto Cresce Brasil, exercendo a coordenação de consultores técnicos. É conselheiro vitalício do Clube de Engenharia, do qual já foi Diretor Cultural na década de 1980. Desde 2019 é vice-presidente do Instituto da Brasilidade.

Publicado em 21/08.

A desestruturação da Petrobras é um processo desastroso que só foi possível diante, entre outros fatores, da falta de transparência na empresa pública. Esta é a visão de Paulo César Ribeiro Lima, doutor em Engenharia e engenheiro aposentado da petroleira, convidado da websérie Brasil Amanhã #44. Para Paulo Lima, a aguda crise da engenharia nacional foi capitaneada pela ideia equivocada de que a corrupção seria resolvida com a interdição das empresas — resultando, por exemplo, na proibição de suas contratações pela Petrobras. O legado histórico da maior empresa nacional tem sido pouco a pouco vendido (refinarias, ativos de logística, rede de gasoduto, entre outros), diante da inércia de todos os poderes da República. Paulo Lima defende, pós pandemia, o necessário enfrentamento dessa desestruturação e o resgate do papel estratégico da Petrobras para o desenvolvimento do país.

Paulo César Ribeiro Lima é engenheiro, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado na Universidade de Cranfield, na Inglaterra. Teve longa trajetória na Petrobras, tendo também atuado como Consultor Legislativo do Senado Federal e Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados, trabalhando principalmente nos novos marcos legais do Pré-Sal, royalties, biocombustíveis, setor elétrico e setor mineral. Foi professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE) e do Instituto de Ensino Superior Planalto.

Publicado em 18/08.

A relativa autonomia nacional e crescimento do setor industrial brasileiro no século 20 só foi possível a partir do planejamento do Estado. Resgatar esta história e avançar com a reestatização e renacionalização de setores estratégicos é parte fundamental da retomada do desenvolvimento socioeconômico que o país precisará no contexto pós-pandemia. Esta é a visão de Gilberto Bercovici, professor de Direito Econômico e Economia Política na USP e convidado da websérie Brasil Amanhã #43. A partir dos anos 1980 e 1990, lembra o professor, vimos o Estado deixando de participar de vários setores da economia e privatizando empresas estratégicas para a soberania nacional, como a Companhia Vale do Rio Doce, Telebras, e mesmo as desestruturações do setor elétrico e da Petrobras, que avançam até hoje. Ele lembra que essa visão privatista continua atualmente, com seguidos planos de privatização em curso que procuram vender empresas construídas por décadas a valores extremamente baixos.

Gilberto Bercovici é Professor Titular de Direito Econômico e Economia Política da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). É Graduado em Direito (1996); Doutor em Direito do Estado (2001) e Livre-Docente em Direito Econômico (2003) pela USP. A ênfase da sua produção está voltada para as áreas de Direito Econômico, Economia Política, Teoria do Estado, História do Direito Público e Teoria da Constituição, desenvolvendo pesquisas em torno dos temas de Estado e Subdesenvolvimento, Desenvolvimento Econômico, Papel do Estado na Economia, Política Econômica e Soberania.

Publicado em 14/08.

No ano do centenário de nascimento de Celso Furtado (1920-2004) e Florestan Fernandes (1920-1995), importantes pensadores das estruturas socioeconômicas historicamente desiguais do Brasil, a economista Esther Dweck traça caminhos para um desenvolvimento social com redução da desigualdade. A professora do Instituto de Economia da UFRJ, convidada da websérie Brasil Amanhã #42, lembra que o cenário socioeconômico pré-pandemia já era muito ruim, com desemprego e crescimento do mercado informal. E no âmbito internacional, o Brasil é exemplo do grupo de países que mais foi afetado pela pandemia: aqueles em que o Estado e as políticas de bem-estar social estão regredindo. Para que nosso país se desenvolva com redução da desigualdade, Dweck afirma que o desafio para as próximas décadas é entender a desigualdade em sua amplitude: patrimonial, de acesso aos serviços de qualidade, e mesmo regional.

Esther Dweck é professora associada do Instituto de Economia da UFRJ. Possui doutorado em Economia pela UFRJ (2006), com período sanduíche no LEM da Scuola Sant'Anna, em Pisa, Itália. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia do Setor Público, Crescimento e Desenvolvimento Econômico. Entre 2011 e 2016, atuou no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, no cargo de Chefe da Assessoria Econômica e como Secretária de Orçamento Federal.

Publicado em 11/08.

 

O Brasil está enfraquecido geopoliticamente, e adentra à reorganização econômica global no contexto da pandemia da covid-19 como um ator fragilizado. Esta é a crítica de Guilherme Estrella, conselheiro do Clube de Engenharia e convidado da websérie Brasil Amanhã #41. Para ele, as políticas econômicas do atual Governo Federal têm levado o país a uma tragédia social, intensificada por toda a crise humanitária causada pelo novo coronavírus. Reerguer o Brasil passa, portanto, por reestruturá-lo, fortalecendo o papel do Estado e das empresas públicas e nacionais, como a Petrobras. Para Estrella é preciso pensar a economia com seriedade e, principalmente, responsabilidade com os interesses nacionais e a superação da desigualdade.

Guilherme Estrella é geólogo, graduado em 1964 pela Escola Nacional de Geologia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e conselheiro vitalício do Clube de Engenharia. Foi contratado em 1965 pela Petrobras, onde fez sua carreira profissional, exercendo cargos de gerência de exploração, chefias e superintendências em diversas áreas. De 2003 a 2012 assumiu a diretoria de Exploração e Produção e à frente da equipe que descobriu as reservas do Pré-Sal, em 2006, transformou-se em referência internacional pelas incontestáveis conquistas da empresa.

Publicado em 07/08.

O desastre econômico da pandemia da Covid-19 é caracterizado, principalmente, pelo desemprego. E a recuperação só será possível diante de uma atuação sistemática e proativa do Estado — muito diferente das políticas atuais, ligadas a ideais de austeridade. Essa é a crítica de Alexandre Leal, conselheiro vitalício do Clube de Engenharia e convidado da websérie Brasil Amanhã #40. Leal defende que as empresas sejam aliadas do processo. Para isso o Estado deve dar a direção, retomando necessariamente sua capacidade de investimento e focando, por exemplo, em duas áreas estratégicas: saúde (através do SUS) e infraestrutura. Entre as ações imediatas, Leal defende, entre outras, o fim do teto de gastos públicos (Emenda Constitucional n.º 95), que limita de forma drástica a capacidade do Estado de investir na recuperação da economia.

Alexandre Henriques Leal Filho é engenheiro, bacharel em História (UFRJ), mestre em Engenharia Econômica pela Universidade de Stanford e, atualmente, conselheiro vitalício do Clube de Engenharia. Teve a maior parte de sua vida profissional ligada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (hoje BNDES), onde ingressou em 1966 e de onde se aposentou. Também atuou em outras empresas e órgãos estatais, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Nuclebrás Engenharia S/A (Nuclen) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Publicado em 04/08.

 

As políticas de proteção ambiental e o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis devem andar lado a lado. Para Carlos Minc, convidado da websérie Brasil Amanhã #39, é preciso defender políticas rigorosas de licenciamento ambiental como estratégia de segurança da população e defesa do meio ambiente, principalmente diante dos gravíssimos episódios recentes. Minc criticou a postura do atual governo federal com relação ao tema, com seguido enfraquecimento, por exemplo, do combate ao desmatamento e queimadas na Amazônia. Ex-ministro do Meio Ambiente, ele constatou, na prática, que é possível reduzir a destruição da floresta e, ainda assim, impulsionar o desenvolvimento da Amazônia. Para Minc, valorizar a floresta em pé deve ser a estratégia norteadora para a região, impulsionando a pesquisa científica e o uso sustentável dos recursos naturais.

Deputado estadual, ocupando seu oitavo mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc possui mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Técnica de Lisboa e doutorado em Economia do Desenvolvimento pela Universidade de Paris I – Sorbonne, com longa trajetória em movimentos ecologistas e sociais. Em 1989, recebeu o Prêmio Global 500, concedido anualmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) para pessoas que se destacam mundialmente nas lutas em defesa do meio ambiente. É professor-adjunto licenciado do Departamento de Geografia da UFRJ. Foi secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro (2007-2008, 2011-2014) e ministro do Meio Ambiente (2008-2010).

Publicado em 31/07.

 

Em 26 de julho de 2020, o Brasil celebrou o centenário de nascimento de Celso Furtado (1920-2004). A convite do Clube de Engenharia o conselheiro vitalício Roberto Saturnino Braga prestou sua homenagem ao grande economista e um dos mais importantes pensadores sociais brasileiros. Saturnino, que também tem lugar cativo na história do pensamento desenvolvimentista brasileiro, registrou na websérie Brasil Amanhã #38 que Furtado foi um pioneiro, destrinchando em dezenas de livros as raízes do subdesenvolvimento do Brasil, examinando com profundidade os processos econômicos na América Latina, e criticando o colonialismo e a geopolítica global. Foi também um importante ator político, tendo dirigido trabalhos na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (hoje BNDES). A homenagem vem em um contexto crítico para o Brasil: celebrar Furtado é, para Saturnino, utilizar de seu pensamento como ferramenta de análise e proposição de soluções para o país de hoje.

Roberto Saturnino Braga é formado em Engenharia Civil e Econômica, com cursos da CEPAL e do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Foi funcionário do BNDES, a partir do primeiro concurso do Banco, em 1956. Teve longa vida política, como vereador, deputado federal e senador por três mandatos, tendo sido o primeiro prefeito do Rio de Janeiro eleito pelo voto direto do povo. Escritor com 15 livros publicados, de política e de literatura de ficção. É conselheiro vitalício do Clube de Engenharia e presidente do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento e do Instituto Cultural Casa Grande.

Publicado em 28/07.

 

Os estudos geológicos voltados para a indústria de mineração tiveram expressivo avanço no século 20, inclusive no Brasil, com Petrobras e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) protagonizando as pesquisas no setor. Para a geóloga Maria Glícia da Nóbrega Coutinho, a mineração precisa continuar a avançar em direção a uma preocupação com o uso sustentável dos recursos minerais no contexto das mudanças climáticas. Na websérie Brasil Amanhã #37, a diretora do Clube de Engenharia enfatizou o papel estratégico e basilar do setor para as indústrias e analisou os impactos sofridos, em diversos países, diante da pandemia de Covid-19. Fez ainda o balanço das reações de governos para preservar empregos e a robustez das empresas.

Maria Glícia da Nóbrega Coutinho é geóloga formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Na University of LondonRoyal Holloway College, Inglaterra, concluiu seu MPhy e o PhD com a tese sobre o modelo das mineralizações de ouro na Província Borborema, NE do Brasil. Posteriormente, esse conhecimento foi aplicado na Amazônia, tendo publicado o livro: Província Mineral do Tapajós: Geologia, Metalogenia e Mapa Previsional para Ouro. Iniciou suas atividades profissionais no DNPM (hoje Agência Nacional de Mineração), Ministério das Minas e Energia, e transferiu-se para o recém criado Serviço Geológico do Brasil (CPRM), onde permanece até os dias atuais. Desde 2002 responde pela Assessoria de Assuntos Internacionais do CPRM coordenando projetos de cooperação internacional. É membro do Conselho Diretor do Clube de Engenharia e Diretora Técnica, atualmente no terceiro mandato. É sócia da Geological Society of London; Sociedade Brasileira de Geologia – SBG; e International Association of Genesis Ore Deposits – IAGOD.

Publicado em 24/07.

A sanção do novo marco legal do saneamento básico ainda deixa em aberto como será a reorganização do setor nos próximos anos. Para Stelberto Soares, Conselheiro do Clube de Engenharia e convidado da websérie Brasil Amanhã #36, é preciso ser cauteloso quando da passagem para os regimes de concessão privada. Stelberto critica o veto presidencial a um artigo do marco que previa um prazo para que as empresas públicas estaduais se adaptassem às concessões para empresas privadas. Defende que a Engenharia terá papel essencial nessa nova dinâmica. Isso porque deverá atuar não só no planejamento e na execução de projetos de infraestrutura de saneamento, mas também na fiscalização. A experiência de cidades como Paris e Berlim mostra que empresas privadas tendem a devolver áreas e cidades com população de baixa renda, onde os níveis de inadimplência são maiores e os desafios de infraestrutura também. Contexto semelhante deverá ser visto no Brasil: sem um regime fiscalizador robusto é provável que sejam mantidas as históricas desigualdades no acesso ao saneamento básico, direito humano ainda longe de ser garantido a toda a população.

José Stelberto Porto Soares é Engenheiro Civil e Sanitarista pela Escola Nacional de Saúde Pública. Entre outras atividades foi, na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Subsecretário de Planejamento (Secplan), Subsecretário de Obras, Gerente na Secretaria de Habitação e Coordenador de Projetos no Programa do Banco Mundial na Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

Publicado em 21/07.

O novo marco legal do saneamento básico, sancionado em 15 de julho, trouxe dúvidas e preocupações à sociedade, principalmente diante da essencialidade do acesso regular à água potável no contexto do isolamento social causado pela Covid-19. O tema, vital para o presente e o futuro do país, foi abordado pelo engenheiro Luiz Edmundo Horta Barbosa da Costa Leite na websérie Brasil Amanhã #35. Para Luiz Edmundo, com larga experiência na área, não há privatização da água com o novo marco, e sim uma reestruturação do setor para facilitar a concessão privada. O Brasil ainda apresenta números dramáticos na distribuição desses serviços e, segundo ele, as concessões poderão facilitar a entrada dos recursos necessários para a universalização. Pontos como tarifas módicas para a população mais pobre e fiscalização dos bens reversíveis das concessões deverão ser prioridades na regulamentação da Lei.

Luiz Edmundo Horta Barbosa da Costa Leite é engenheiro mecânico formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com mestrado em engenharia ambiental pela Universidade da Virgínia Ocidental e aperfeiçoamento em engenharia sanitária pela Universidade do Texas, ambas nos EUA. É professor aposentado do Departamento de Recursos Hídricos da UERJ. Foi membro do Painel Consultivo em Saúde Ambiental da Organização Mundial da Saúde e desenvolveu projetos técnicos na área em diversos países. Também atuou como Subsecretário de Recursos Hídricos e Saneamento do Estado do Rio de Janeiro e Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro.

Publicado em 17/07.

A pandemia de covid-19 evidenciou que a habitação é um direito humano, ainda que duramente negligenciado. E que habitação não se resume a paredes, e sim a um complexo de bem-estar e segurança que passa por infraestrutura urbana acessível, saneamento básico, energia elétrica e mesmo o lazer. Para o conselheiro do Clube de Engenharia José Luiz Alquéres, convidado da websérie Brasil Amanhã #34, as políticas de habitação devem buscar integrar a população à cidade: no caso do Rio de Janeiro, por exemplo, isso passa por entender o Centro como uma possível zona residencial, já que há uma descentralização da região enquanto núcleo de comércio e serviço da capital. Das políticas municipais às federais, habitação também se conecta à produção e distribuição de eletricidade, um marco de desenvolvimento que encontra na Eletrobras uma protagonista brasileira. A transição de fontes fósseis para fontes renováveis abre um caminho novo de atuação da empresa pública, inclusive em estratégias de habitação mais baratas e sustentáveis.

José Luiz Alquéres é engenheiro civil pela EPUC-RJ (1966), pós graduado em Planejamento Urbano pela OEA (1971) e Planejamento Energético pela Universidade de Chicago (1979). Desempenhou importantes funçōes como presidente da Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (CERJ), Secretário Nacional de Energia, presidente da Eletrobras, Diretor do BNDESPAR, Diretor da Cia. Bozano Simonsen, Presidente da Alstom E Presidente da Light S.A.. Preside o Conselho da Sociedade de Amigos do Museu Imperial, é vice-presidente da Casa Stefan Zweig e do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). Foi Conselheiro da Fundação Nacional Promemória, presidiu a Associação de Amigos do Museu Histórico Nacional e é membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Publicado em 14/07

 

O endividamento público deveria funcionar como uma estratégia de investimento a longo prazo para o atendimento dos interesses do Estado. No entanto, segundo Maria Lucia Fattorelli, convidada da websérie Brasil Amanhã #33, tal estratégia tem sido usada, por diversas vezes, como forma de transferência de recursos para o mercado financeiro. As inconsistências afetam a capacidade dos estados investirem em políticas públicas essenciais para o bem-estar da população. A securitização de dívidas, por exemplo, foi votada e aprovada em plena pandemia e propõe uma manobra financeira que fragiliza o orçamento público e a economia produtiva.

Maria Lucia Fattorelli é graduada em Administração (UFMG) e Ciências Contábeis (Faculdade Machado Sobrinho) e especializada em Administração Tributária (FGV). Coordena há 20 anos a Auditoria Cidadã da Dívida, associação civil sem fins lucrativos.

Publicado em 10/07.

 

A pandemia do Covid-19 tem reverberações nas disputas geopolíticas globais, e o papel do Brasil no mundo após esta crise ainda está em aberto. Para o professor Mauricio Metri, é preciso entender o histórico de disputas geopolíticas no passado recente para compreender os possíveis rumos do sistema financeiro internacional. Na websérie Brasil Amanhã #32, ele lembra que os EUA têm expandido sua presença militar no mundo desde o fim da Guerra Fria, empreendendo guerras continuamente como forma de cercar potências rivais — China e Rússia. O financiamento vem da posição do dólar no sistema financeiro internacional, inclusive no setor de petróleo. As nações rivais têm se movimentado. O Brasil, que vinha do fortalecimento do BRICS nos anos 2000 e de uma política externa multilateral voltada para o Sul Global, após 2016 sofreu um revés, perdendo totalmente sua força estratégica. Para Metri, podemos esperar, no futuro próximo, a intensificação do esforço chinês em "desdolarizar" o sistema. E os EUA devem manter a disputa político-militar entre as potências.

Mauricio Metri é professor associado do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional do Instituto de Economia da UFRJ. Doutor, Mestre e Graduado em Economia pelo IE-UFRJ. Autor do livro "Poder, Riqueza e Moeda na Europa Medieval" publicado pela Editora FGV. Coordenador do Laboratório "Orti Oricellari de Estudos em Economia Política Internacional" e membro do Grupo de Pesquisa "O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo" vinculado ao CNPq.

Publicado em 07/07.

 

Antonio Lacerda: A saída hoje é o aumento do gasto público

A atual crise econômica que joga o Brasil na rota da recessão não começou na área econômica, e sim na saúde. Entretanto, é importante lembrar que mesmo antes do coronavírus o país já tinha sua economia indo mal, com crescimento baixo e altas taxas de desemprego, desalento, subocupação e desindustrialização. Para Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e convidado do Brasil Amanhã #31, não há saída imediata senão o aumento do gasto público, uma estratégia que todos os países estão sendo obrigados a adotar. Levar com seriedade esse processo é o que vai determinar se o Brasil sairá da crise da Covid-19 cambaleante ou pronto para enfrentar seus desafios econômicos. Para o doutor em Economia, no entanto, a total falta de habilidade do Governo Federal e a desarticulação dos poderes e das esferas de governo preocupam, e muito. Vivemos o auge da crise e, para vencê-la, é urgente abandonar ideologias cegas, como a de que um Estado mínimo e privatizações poderão colocar o país novamente na direção do desenvolvimento.

Antonio Corrêa de Lacerda é doutor pelo Instituto de Economia da Unicamp e mestre em Economia Política. Além de presidente do Cofecon é professor e diretor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciências Atuariais (FEA) da PUC-SP e coordenador do Grupo de Pesquisas sobre Desenvolvimento e Política Econômica (DEPE-PUC/SP). É membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (GACINT), da USP, do Conselho Superior de Economia (Cosec) da FIESP, do Conselho Temático de Política Econômica (Copec) da CNI e do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial. Com o livro "Desnacionalização: mitos, riscos e desafios" ganhou o Prêmio Jabuti na área de economia em 2001 (Contexto, 2000).
Publicado em 03/07.

 

Somente a educação, como parte de um projeto de nação forte e independente, livrará o Brasil de seu histórico de colônia e de mero exportador de matérias-primas. É o que afirma a primeira reitora mulher da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maior federal do país em número de estudantes, a médica e doutora em biofísica Denise Pires de Carvalho. Convidada da 30ª apresentação da websérie Brasil Amanhã, a professora explica que nosso país já é a 11ª nação do mundo em produção científica, mas que muitos desafios persistem para que a formação de pessoal qualificado avance. Já cumprimos a meta do Plano Nacional de Educação 2014-2024 de formar 60 mil mestres e 24 mil doutores por ano, mas essa proporção ainda é 3 vezes menor do que a vista em países desenvolvidos. E, diferentemente do que acontece neles, no Brasil ainda há pouco diálogo entre o setor que produz conhecimento e o setor industrial. As universidades estão prontas para enfrentar esse desafio e fazer crescer os seus mais de 60 parques tecnológicos, inclusive na área da saúde, mas precisam ser vistas pelos governos com esse potencial — tendo verdadeira autonomia financeira, que passa pela garantia de um orçamento público. As universidades são um orgulho para a nação e todo o esforço feito por elas para ajudar a sociedade no contexto da pandemia de Covid-19, mesmo com poucos recursos, mostra que o papel social da educação está no cerne da Academia brasileira.

Denise Pires de Carvalho é reitora da UFRJ desde 2019. Professora titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF), leciona nos cursos de graduação da área da saúde e nos programas de pós-graduação em Medicina e Ciências Biológicas da UFRJ. Médica formada com honra pela UFRJ possui mestrado e doutorado em Ciências Biológicas (Biofísica),ambos pelo IBCCF. Fez pesquisa de pós-doutorado pelo Hôpital de Bicêtre (França) e pela Universitá Degli Studi di Napoli (Itália) e, antes de assumir o cargo de reitora, foi diretora e vice-diretora do IBCCF, coordenadora acadêmica da Pró-Reitoria de Graduação da UFRJ, além de diretora-adjunta de graduação e também de pós-graduação.

Publicado em 30/06.

 

O antropólogo Otávio Velho, convidado da websérie Brasil Amanhã #29, traça as oportunidades que o ensino e a pesquisa em Ciências Sociais podem ter no contexto pós-pandemia do covid-19. Ele classifica como "pesadelo" o atual contexto brasileiro, no qual as Ciências Sociais foram elencadas como as principais vítimas do desmonte das políticas de educação, fruto da ignorância sobre o papel da Ciência básica na produção de conhecimento e de uma visão apenas de curto prazo sobre a aplicabilidade de pesquisas. Paradoxalmente, os holofotes também trouxeram maior reconhecimento e união de cientistas de todas as áreas, que se colocaram frontalmente contrários às perseguições — e que têm a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) como uma das entidades protagonistas dessa resistência. O momento, afirma Otávio Velho, é de pensar a retomada pós-pandemia como um momento de reconstrução, de repensar as condições do trabalho científico, de manter a aliança fortalecida hoje, e de defender a interdisciplinaridade e o diálogo com os reais problemas sociais do Brasil como basilares para a Ciência nacional.

Otávio Guilherme Cardoso Alves Velho é bacharel em Sociologia (PUC-Rio), mestre em Antropologia Social (UFRJ/Museu Nacional) e doutor pela Universidade de Manchester. Professor Emérito da UFRJ, é também pesquisador Emérito do CNPq, presidente de Honra da SBPC, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e membro do Conselho Diretor do Projeto Ciência Hoje. Foi professor visitante da Universidade de Stanford e, entre outras atividades, integrou o Conselho Técnico-Científico da CAPES, o Conselho Superior da FAPERJ e o Conselho Gestor do PROSUL. Foi vice-presidente da SBPC (2007-11) e membro do Conselho Superior da CAPES (2008-14).

Publicado em 26/06.

O ensino de Engenharia no Brasil foi tradicionalmente construído ao redor do ensino técnico, embora nos últimos anos tenha ocorrido cada vez menos a valorização de professores com experiência profissional. Para o engenheiro civil e cientista Luiz Bevilacqua, é preciso pensar estrategicamente o ensino da Engenharia. Convidado da 28ª apresentação da websérie Brasil Amanhã, ele afirma que as Diretrizes Curriculares devem ser pautadas pelo caráter técnico e interdisciplinar, mas que estudantes devem ter maior liberdade para escolher disciplinas e mesmo as universidades para moldar os currículos de acordo com as necessidades de cada contexto social do país. A diversidade brasileira, inclusive nos seus problemas para a Engenharia, deve ser traduzida também no ensino, aponta ele. Entretanto, é preciso relembrar que a Engenharia nacional tem sofrido uma desestruturação aguda nos últimos anos, indo na contramão de outros países e mesmo da tradição brasileira, em que histórias de sucesso como a da Petrobras evidenciam que o país tem sim competência para inovar e desenvolver tecnologia — embora o apoio do Estado seja fundamental.

Luiz Bevilacqua é engenheiro civil, formado pela Escola de Engenharia da Universidade do Brasil, hoje UFRJ, e doutor em Mecânica Aplicada pela Universidade de Stanford. Atualmente é professor emérito da UFRJ. Ao longo de sua trajetória profissional, atuou em diferentes cargos estratégicos ligados a instituições de ensino e de pesquisa científica no Brasil. Entre os destaques, foi reitor da UFABC, vice-reitor da PUC-Rio, diretor da COPPE/UFRJ, presidente do Comitê de Engenharia da CAPES, secretário-geral do Ministério da Ciência e Tecnologia, diretor científico da FAPERJ, e presidente da Agência Espacial Brasileira. Como engenheiro, foi responsável por projetos estruturais na Barragem de Furnas e nas usinas de Angra I e Angra II.

Publicado em 23/06.

 

Com a paralisação econômica e a crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19, a geopolítica internacional terá de se reestruturar. Para Celso Amorim, diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, a boa relação do Brasil com os demais países e a defesa de nossa soberania nacional deveriam ser essenciais, mas há pouco para se comemorar atualmente. Na 27ª apresentação da websérie Brasil Amanhã, Amorim critica a atual desestruturação da diplomacia brasileira, em curso já antes da pandemia, que coloca em risco um legado de relações estratégicas e soberanas que vêm desde os tempos do Barão de Rio Branco. Para ele é importante lembrar que soberania não é incompatível com cooperação internacional, e sim uma ferramenta de desenvolvimento e justiça social. Ao questionar os rumos da estratégia nacional de defesa, incluindo a entrega de recursos nacionais a empresas estrangeiras, Amorim recorda que o mundo pós-pandemia só será melhor se os países estiverem dispostos a defender o multipolarismo, a cooperação e o diálogo.

Celso Amorim é diplomata, formado pelo Instituto Rio Branco (1965) e com pós-graduação em Relações Internacionais na Academia Diplomática de Viena, na Áustria (1967). Com reconhecida trajetória pública em pelo menos quatro governos federais, foi embaixador do Brasil em diversos países. Chefiou a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Nova York, entre 1995 e 1999, foi ministro das Relações Exteriores entre 1993 e 1995, e depois entre 2003 e 2011, e também atuou como ministro da Defesa, entre 2011 e 2015.

Publicado em 19/06.

 

A pandemia de Covid-19 evidenciou que tecnologias elementares da vida moderna, mas que ainda não são acessíveis a milhões de pessoas no mundo, tornam-se ainda mais urgentes quando a saúde é colocada em jogo. Estamos falando, por exemplo, de saneamento básico, água potável e energia elétrica. Para o diretor do Museu da Amazônia, Ennio Candotti, convidado da 26ª apresentação da websérie Brasil Amanhã, cabe à Engenharia baratear o acesso a essas tecnologias, criando soluções para cada contexto social e cultural. E mais: a pandemia nos mostrou que apesar de termos desenvolvido, e muito, as tecnologias computacionais nas últimas décadas, ainda sabemos pouco sobre doenças virais. Para ele, urge também transparência no desenvolvimento das pesquisas científicas e mesmo revisões no que entendemos como propriedade intelectual ao falarmos de medicamentos e vacinas que podem ajudar a garantir o respeito aos direitos humanos frente à prepotência dos direitos de propriedade.

Ennio Candotti é físico, ítalo-brasileiro, naturalizado, formado pela Universidade de São Paulo e pela Università degli studi di Napoli. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) de 1974 a 1996 e da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) de 1997 a 2008, foi por quatro mandatos presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Atualmente é diretor do Museu da Amazônia (MUSA).

Publicado em 16/06.

 

As privatizações fazem parte de pacotes econômicos que buscam a transferência de competências públicas para empresas privadas, principalmente em tempos de crise econômica como a que vivemos desde antes da pandemia da Covid-19. Para Ricardo Maranhão, conselheiro vitalício do Clube de Engenharia e convidado do 25º episódio da série Brasil Amanhã, é importante lembrar que nem sempre privatizar gera ganho de eficiência ou economia de gastos públicos, como comumente é propagandeado. A reestatização é uma realidade em diferentes países, por vezes justificada pelo aumento desproporcional, para a população, do valor das tarifas de serviços antes administrados pelos governos. No caso do Brasil, é possível ligar as privatizações também ao fenômeno da desnacionalização da economia e precarização das condições de trabalho. Para Maranhão, é essencial qualificar esse debate e buscar mais participação pública na tomada de decisão sobre o tema, especialmente quando falamos de empresas que possuem valor histórico, estratégico e econômico para o país, como a Petrobrás.

Ricardo Moura de Albuquerque Maranhão é Engenheiro Mecânico, formado pela Escola Nacional de Engenharia (ENE) da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com 25 anos de trabalho na Petrobras, entre outras atividades foi vice-presidente do Clube de Engenharia, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) e fundador e vice-presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon). Foi Vereador e Deputado Federal. É Conselheiro Vitalício do Clube de Engenharia.

Publicado em 12/06.

 

Engenheiro e vice-presidente do Clube de Engenharia, Márcio Fortes fala, no 24º episódio da série Brasil Amanhã, sobre as questões geopolíticas ao redor da crise da Covid-19. Para ele, as disputas entre EUA e China desestruturam as relações políticas e econômicas também de outros países, com um horizonte ainda incerto. No Brasil, além da crise estrutural (política, econômica e de saúde), as eleições municipais e mesmo a sucessão próxima na presidência da Câmara dos Deputados terão reverberações na administração pública. Estamos diante de um grande ponto de interrogação, afirma, em um cenário onde a economia e a vida das pessoas parecem administradas por líderes sem qualquer preparo e compromisso com a Nação.

Márcio Fortes é engenheiro civil, especialista em Desenvolvimento Urbano, com larga experiência na gestão pública e privada em áreas como Economia, Comércio e Indústria, tendo passagens em cargos de liderança no Ministério da Fazenda, BNDES, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Petrobras, Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (organismo ligado à Organização das Nações Unidas/ ONU). Integra o Conselho Monetário Nacional e os Conselhos da Fundação Getúlio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica /PUC. Foi deputado federal por dois mandatos e presidente da João Fortes Engenharia.

Publicado em 09/06.

 

A gestão das cidades, tema relevante na agenda pública nos últimos anos, enfrenta agora um momento de vital reorganização, diz Vicente Loureiro, convidado do 23º episódio da série Brasil Amanhã. Se antes temas como sustentabilidade, novas tecnologias, melhoria do bem-estar e enfrentamento das desigualdades ocupavam a discussão, agora temos uma série de novos tópicos que, trazidos pela pandemia de covid-19, também passam a figurar como centrais. Para o arquiteto e urbanista, o isolamento social, que pelas perspectivas deve continuar a fazer parte da vida cotidiana por algum tempo em regime de intermitência, impõe a necessidade de uma reorganização dos espaços públicos e privados. O vírus é muito mais letal em áreas com infraestrutura precária, de modo que o saneamento básico, por exemplo, torna-se ainda mais urgente. No horizonte, aponta ele, está a erradicação da pobreza e a defesa das políticas sociais.

Vicente Loureiro é arquiteto e urbanista, pós-graduado em gerência de cidades e doutorando na Universidade de Lisboa, em Portugal. Tem relevante experiência no serviço público, atuando em Planos Diretores de urbanismo em municípios e no estado do Rio de Janeiro. Atualmente é conselheiro da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp).

Publicado em 05/06.

 

Não haveria combate à pandemia sem a Engenharia. Ela está presente na produção e manutenção de equipamentos médicos, na construção de hospitais de campanha e mesmo na geração e distribuição de energia. Mas, para o contra-almirante e engenheiro naval Alan Paes Leme Arthou, convidado do 22º episódio da série Brasil Amanhã, pensar o lugar da Engenharia na recuperação pós-covid-19 exige mais cuidado. O Brasil tem recursos naturais, tecnologias, matriz energética forte, recursos financeiros e mercado consumidor. Mas faltam recursos humanos: devemos incentivar a formação de profissionais de engenharia capazes de atuar no desenvolvimento de tecnologias de ponta, a fronteira para que o país floresça novamente sua indústria nacional.

Contra-Almirante Engenheiro Naval, Alan Paes Leme Arthou é graduado em Ciências Navais pela Escola Naval e em Engenharia Naval pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), onde também fez mestrado, com pós-graduação em Projeto de Submarinos pela IKL – Alemanha. Entre outras atividades foi Chefe da Divisão de Projetos e Vice-Diretor do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), Diretor do Centro de Coordenação de Estudos da Marinha em São Paulo, Coordenador do Programa Nuclear do Ministério da Ciência e Tecnologia e Gerente de Projeto e Construção do Submarino com Propulsão Nuclear. É membro da Academia Nacional de Engenharia e do Conselho Diretor do Clube de Engenharia.

Publicado em 02/06.

 

 

Não há desenvolvimento, social e econômico, sem a Engenharia, afirma Fátima Sobral Fernandes, no 21° episódio da série "Brasil Amanhã". Doutora em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fátima defende que, mais do que nunca, é necessário que haja determinação e vontade política para atravessar os tempos turbulentos da Covid-19. Para isso é preciso vislumbrar as oportunidades que o uso coordenado das novas Tecnologias de Informação e Comunicação pode trazer para melhorar os mecanismos de participação social nas políticas públicas, incluindo maior transparência e justiça social. Entre propostas e diretrizes a Conselheira Vitalícia do Clube de Engenharia destaca os fatores que deverão, de fato, estar no centro da política para que o país possa, finalmente, enfrentar suas desigualdades socioeconômicas históricas. Em síntese, o Brasil que Fátima Sobral Fernandes quer é “um Brasil Democrático, Soberano, Sustentável, Pacífico e Desenvolvido que se posicione como um dos líderes regionais de um mundo multipolar”.

Fátima Sobral Fernandes é formada na UFRJ, com mestrado no IME e doutorado na COPPE /UFRJ em avaliação da qualidade de serviços.  Como profissional, destaca-se sua atuação na CBTU, tendo ocupado o topo de carreira gerencial, e na UFRJ, tanto como professora associada, quanto como Superintendente de Planejamento e Desenvolvimento.  É sócia da Transcenderte Desenvolvimento Humano e Organizacional Ltda. (www.transcenderte.com), atuando como mentora de negócios de startups e de pequenas e médias empresas e, também, como instrutora de empreendedorismo credenciada pelo SEBRAE.

Publicado em 29/05.

 

O engenheiro é o profissional do Projeto. O Brasil não tem Projeto de Nação e tem sido, nas últimas décadas, dirigido pelos escândalos. A pandemia da Covid-19 catalisou esse processo, adicionando uma camada a mais de insegurança diante da falta de planejamento e de responsabilidade da maior autoridade nacional, o Presidente da República. É o que afirma Raymundo de Oliveira na 20ª apresentação do Brasil Amanhã. Ex-presidente do Clube de Engenharia, Raymundo insiste que o engenheiro é o profissional do projeto, aquele que materializa o futuro. E o país hoje carece dessa característica: falta um Projeto de Nação que possa pensar e construir um Brasil soberano. No entanto, oportunidades existem: a riqueza e a expertise do país em diferentes setores da economia mostram que temos sim a chance de retomar o desenvolvimento socioeconômico em direção ao futuro.

Raymundo Theodoro Carvalho de Oliveira é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1965, mestre e doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professor aposentado do Instituto de Matemática da UFRJ. Homem público, com importante atuação na vida política do país, atuou na Petrobras e no Serpro nos anos 60 e 70 e foi presidente da Cedae, do Proderj, da Fundação Universitária José Bonifácio e do Clube de Engenharia nos anos 90 e 2000. Foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro no final dos anos 70.

Publicado em 26/05

 

Para o engenheiro químico José Eduardo Pessoa de Andrade, convidado para a 19ª apresentação da websérie "Brasil Amanhã", a indústria química é um setor da economia que possui pouca visibilidade junto à sociedade, apesar de fornecer insumos essenciais para o setor farmacêutico, de cosméticos, de limpeza e ao agrononegócio, entre outros. Essa invisibilidade, afirma, se deve à alta especificidade do setor e também porque, no senso comum e na mídia, a indústria comumente é lembrada quando acontecem acidentes e contaminações. Mas, de fato, é setor estratégico, que traz inúmeras contribuições para a saúde e a vida cotidiana. Nos últimos anos, essa indústria perdeu investimentos e faturamento em relação a outros países, e Andrade aborda oportunidades para uma retomada após a pandemia da Covid-19, visando principalmente o setor farmoquímico ligado à saúde.

José Eduardo Pessoa de Andrade é engenheiro químico (UFRJ), mestre em Engenharia de Produção (COPPE/UFRJ) e MBA em Administração (COPEAD/UFRJ). Tem experiência na área de planejamento e economia, tendo trabalhado no setor privado e, principalmente, no BNDES. Também lecionou na Escola de Química da UFRJ, atuando em temas relacionados à avaliação de projetos industriais, em particular da indústria química. Atualmente é professor colaborador da UFRJ, diretor técnico e conselheiro do Clube de Engenharia e membro do Conselho Deliberativo da Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES (FAPES).

Publicado em 22/05

A pandemia da Covid-19 foi um gatilho para uma crise econômica de caráter sistêmico que já vinha se desenhando no mundo há algum tempo, desde a crise de 2008, afirma Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET). Convidado do 18º episódio da série Brasil Amanhã, o engenheiro químico lembra que as crises no capitalismo são cíclicas e atingem os diferentes setores da economia em fatores conjunturais e estruturais. No setor de petróleo e gás, a conjuntura é de uma redução da demanda, com o "cartel" da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da Rússia sem chegar a um acordo sobre preços, levando a uma queda acentuada dos valores atuais e de contratos futuros. No âmbito estrutural, dominam a própria crise do capital "fictício" (financeiro), que se estende desde 2008 e que leva a uma contínua diminuição do valor da força de trabalho e aumento do desemprego em todo o mundo. Coutinho lembra que  a Petrobrás tem toda a capacidade, se bem administrada, para sobreviver a esta crise: não só por sua robustez financeira, mas também por ter descoberto as melhores reservas de petróleo deste século — o Pré-Sal.

Felipe Coutinho é engenheiro químico desde 1997, especialista em Engenharia de Processamento pela Petrobrás desde 2000, com experiência nas áreas de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Engenharia básica (PD&E) no Centro de Pesquisas (Cenpes) e, na área de Projetos, especialista nas energias potencialmente renováveis com ênfase nos biocombustíveis. Engenheiro de Processamento Sênior é atualmente presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET).

Publicado em 19/05.

O economista e professor Carlos Aguiar de Medeiros trata no 17° Brasil Amanhã, entre outras questões, das singularidades da crise atual com relação à última grande crise econômica mundial, a de 2009. Um exemplo foi a ascensão dos populismos nos EUA, afetando políticas multilaterais. A projeção negativa do crescimento mundial também é inédita, só encontrando paralelo na Segunda Guerra Mundial. Há, além disso, o alarde da necessidade de reformas econômicas, com vistas à recuperação e proteção social, que não tiveram tanto espaço no pós-crise de 2009 — inclusive políticas protecionistas e centralizadoras, diferentes do que se havia feito até então. Há, portanto, uma janela de oportunidades para que os países se reorganizem geopoliticamente. Mas alerta: a imprevisibilidade temporal, ou seja, a falta de uma noção explícita sobre quando a crise acaba e se outra crise de saúde como essa pode surgir, também é elemento crucial de análise.

Carlos Aguiar de Medeiros possui graduação em Economia e mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é professor titular da UFRJ, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento, desemprego, tecnologia, Estado, mercado, padrões monetários, balança de pagamentos, industrialização e inserção internacional.

Publicado em 15/05.

No 16° episódio da websérie "Brasil Amanhã", o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), professor Ildeu Moreira, fala sobre a Marcha Virtual pela Ciência realizada em 7 de maio último, com ações nacionais para sensibilizar gestores públicos e a sociedade sobre a importância de se investir na educação e na ciência. Mais de 1 milhão de pessoas foram impactadas nas redes sociais pelas atividades e debates online realizados com especialistas de todo o país. Na ocasião foi divulgado o manifesto "Pacto pela Vida e pelo Brasil", que propõe, neste momento de grave crise, pontos comuns para toda a sociedade: "a defesa da vida de todos os brasileiros, inclusive os mais pobres, e a necessidade de se pensar coletivamente a recuperação da economia, e a essencialidade da educação, da ciência e da tecnologia", destaca Ildeu.

Além de presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira é professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalha nas áreas de física teórica (sistemas não-lineares), história da ciência, em particular história da ciência no Brasil, e comunicação pública da ciência. Entre as muitas atividades, foi editor científico da revista Ciência Hoje (1988/96) e membro de comitês editoriais de diversas revistas científicas. Recebeu, entre outros, o Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica do CNPq.

Publicado em 12/05

Conselheiro Vitalício do Clube de Engenharia, Cesar Duarte Pereira durante 60 anos projetou e construiu, como engenheiro e empresário, estruturas e equipamentos para diversos setores da indústria nacional. Conviveu permanentemente com a luta entre aqueles que queriam fazer do Brasil um país soberano e independente e aqueles que queriam um Brasil Colônia, subordinado aos interesses de economias mais fortes. A partir de sua experiência, Cesar traz para o "Brasil Amanhã 15" o firme olhar para a empreitada que a sociedade brasileira tem pela frente: a reconstrução do país pós-pandemia. Certo de que é impossível no bojo da luta política que hoje existe reunir as condições mínimas necessárias para a retomada da economia, defende: “Nossa tarefa é a construção de um Estado Soberano, Livre e Democrático. Faz-se imperioso um grande acordo nacional”.

Cesar é formado em Engenharia Mecânica, na Escola Nacional de Engenharia. Desde o primeiro ano do curso, 1961, viveu a realidade do dia a dia de chão de fábrica. Até a década de 90 atuou na área de Informática. A partir de então migrou para a área de Petróleo e Gás, na construção de estruturas, componentes e peças para plataformas offshore. Participou ainda da construção dos quatro submarinos convencionais Scorpène, a partir de parceria firmada entre o Brasil e a França (Prosub).

Publicado em 08/05

 

O médico Reinaldo Guimarães traz no Brasil Amanhã 14 breve histórico da indústria de produtos dedicados ao campo da saúde humana, conhecido como o Complexo Industrial da Saúde. O relato, da maior importância, esclarece o comportamento, neste campo, do Brasil e dos países mundo afora, incluindo o nascimento das Leis de Patentes e de Genéricos e as razões que levaram o Brasil a criar o Sistema Único de Saúde (SUS), fruto da sinergia entre uma política industrial e uma política social. Em destaque, ainda, a política industrial brasileira de vacinas,que nasce a partir do programa Nacional de Imunizações e define o papel de duas indústrias públicas: o Instituto Butantã e o Instituto Bio-Manguinhos (Fundação Oswaldo Cruz), que se capacitaram com estratégias independentes de garantia de transferência de tecnologia. Hoje o SUS responde por 30% de todo o mercado de medicamentos no Brasil e cerca de 90% do mercado brasileiro de vacinas é fornecido pelos dois institutos.

Reinaldo Guimarães é professor e pesquisador do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Graduou-se em Medicina na UFRJ, é MSc. em Medicina Social e Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (Instituto de Saúde Coletiva).

Publicado em 05/05

 

Neste 1° de Maio, o engenheiro mecânico Paulo Metri trata, no 13° episódio da série “Brasil Amanhã”, do futuro do mundo do trabalho através do que chama de “quatro forças tratoras”: “O capitalismo”, no qual os sindicatos são peça chave para a articulação justa entre capital e trabalho e na proteção de direitos. “O estágio de evolução da sociedade”, com instrumentos de defesa dos direitos humanos e o respeito à democracia, entre outros fatores. “O desenvolvimento científico e tecnológico”, com a busca de soluções para os altos índices de trabalhadores demitidos. E “o impacto que o novo coronavírus irá produzir”. Pensando no Brasil amanhã, Metri conclui: “O Estado com o controle da sociedade é primordial para beneficiar essa própria sociedade”.

Paulo Cesar Smith Metri é mestre em Engenharia Industrial e cursou a Escola Superior de Guerra (ESG). É conselheiro do Clube de Engenharia e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro (CREA-RJ). Trabalhou na Montreal Engenharia, Finep, Secretaria Estadual de C&T, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Ministério das Minas e Energia, Agência Nacional do Petróleo, Comissão Nacional de Energia Nuclear e Indústrias Nucleares do Brasil.

Publicado em 01/05.

 

No 12º episódio da série "Brasil Amanhã", a cientista social Maria Lucia Werneck Vianna fala da janela de oportunidades aberta ao se discutir o "amanhã" da pandemia. O "novo normal", ela explica, deve ser uma crítica ao normal anterior. Observar toda a movimentação realizada em torno da saúde e da seguridade social no mundo torna possível, e necessário, discutir a proteção social como um conjunto de direitos permanente, e não filantropia temporária. Ela lembra que a reforma da Previdência, aprovada em 2019, ignorou a previdência social como parte do amplo sistema de seguridade previsto na Constituição de 1988. Sistema que prevê a assistência social e a saúde como direitos de todos, dois pilares que se mostram vitais para a sobrevivência da população em meio à pandemia.

Maria Lucia Werneck Vianna é professora aposentada do Instituto de Economia da UFRJ. Possui graduação no IFCS pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e mestrado e doutorado pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Estado e Governo, atuando principalmente nos seguintes temas: seguridade social, política social, previdência social, planos de saúde e democracia.

Publicado em 28/04.

 

Luiz Gonzaga Belluzzo trata no Brasil Amanhã 11 da chamada "PEC do orçamento de guerra”. “Orçamento de guerra como instrumento de estabilização de uma economia que entrou num processo de ruptura” afirma. E segue em sua apresentação esclarecendo a gravidade dos tempos que vivemos. “Em geral, as crises econômicas são momentos de flutuação de economias que podem ser mais ou menos pronunciadas, quando os circuitos monetários entre empresas, bancos e trabalhadores sofrem uma contração, mas não uma ruptura. Estamos falando de uma crise muito mais grave, porque os nexos que ligam empresas com empresas, trabalhadores com suas empresas estão rompidos”.

Luiz Gonzaga Belluzzo é formado em Direito e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduado em Desenvolvimento Econômico pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e doutor em economia pela Universidade de Campinas (Unicamp). Foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e de Ciência e Tecnologia de São Paulo, fundador das Faculdades de Campinas (Facamp) e conselheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). É autor, entre outros, dos livros “Os Antecedentes da Tormenta” e “Ensaios sobre o Capitalismo no Século XX”. Em 2001 foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists e em 2005 recebeu o Prêmio Intelectual do Ano (Prêmio Juca Pato).

Publicado em 24/04.

 

Com a certeza de que não voltaremos, pós pandemia, ao ponto que estávamos, o economista José Roberto Afonso aponta os muitos desafios a vencer para repensar o país e outro modo de vida. Não hesita em citar em primeiro lugar o desafio da ciência, há algum tempo deixada de lado no Brasil, para descobrimos hoje que, mais do que nunca, precisamos dos cientistas. Outro grande desafio é o isolamento, lembrando que se agora ele é físico, o isolamento social e econômico nós já temos há muito tempo, com grande parcela da população excluída. E, nesta linha de raciocínio, o professor do Instituto de Direito Público (IDP) vai decodificando, no Brasil Amanhã 10, a história real do momento que vivemos, em busca de respostas possíveis para o amanhã.

José Roberto Afonso é Mestre em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e pós-doutorando no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa. Foi, entre outras atividades, superintendente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), assessor técnico especial do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e da Assembleia Nacional Constituinte, e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas – IBRE/FGV.

Publicado em 21/04.

 

“Esta crise é um processo no qual se desencadeia a interação perversa entre oferta e demanda, na forma de uma espiral descendente motivada pela alimentação recíproca entre redução de oferta e redução de demanda. Potencialmente, pode vir a ter uma terceira perna, e incluir também uma crise financeira generalizada, de insuficiência de pagamentos de dívidas em todo o sistema econômico”, afirma o economista Ricardo Bielschowsky. Brasil Amanhã 09 traz, entre muitas outras questões, o debate sobre a natureza da crise que hoje atinge a população mundial e, em especial, sua dimensão econômica.

Ricardo Bielschowsky é PhD, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialista em desenvolvimento e pensamento econômico brasileiro e latino-americano é autor, coautor ou organizador de mais de 60 publicações, entre as quais 20 livros, com destaque para “O pensamento Econômico Brasileiro (1930-64) - o ciclo ideológico do desenvolvimentismo”, “Investimento e reformas no Brasil na década de 1990”, e “Cinquenta anos de pensamento da CEPAL”.

Publicado em 17/04.

 

As profundas alterações, pós pandemia, no que hoje entendemos como trabalho são abordadas no Brasil Amanhã 08 pelo sociólogo e professor universitário Clemente Ganz Lúcio. Com o olhar no futuro, Clemente trata, entre muitos outros temas, das imensas mudanças econômicas e prevê, após a crise que vivemos, que o uso das novas tecnologias, da inteligência artificial, estará consolidado no sistema produtivo de maneira inimaginável.

Clemente Ganz Lúcio atua na assessoria das centrais sindicais brasileiras e tem como questões permanentes em suas atividades as políticas públicas e o mundo do trabalho. Atuou durante 35 anos no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), dos quais 16 anos como diretor técnico. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e participa hoje do Conselho de Altos Estudos do Tribunal de Contas da União.

Publicado em 14/04.

 

Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), médica sanitarista, Ligia Bahia possui graduação em Medicina pela UFRJ e mestrado e doutorado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz. Sistemas de proteção social e saúde; relações entre o público e privado no sistema de saúde brasileiro; mercado de planos e seguros de saúde; e financiamento público e privado são suas principais áreas de interesse.

A partir da crise sanitária mundial, somada à crise política que deixa transparecer a divisão e a tensão na qual o país está imerso, Ligia faz em Brasil Amanhã, episódio 07, além da análise de conjuntura, a retrospectiva de tempos que antecederam à pandemia. Cita o desmonte da indústria nacional e das instituições científicas como processos com reflexos evidentes no cenário atual, que nos transformaram em uma nação sem recursos para atender às exigências do dramático momento que vivemos.

Publicado em 10/04.

 

A destruição do sistema de inovação no Brasil; a falta de uma política clara de priorizar o enfrentamento da crise na saúde pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); e o desperdício de recursos públicos por ausência de prioridades são, entre outros, os temas abordados pelo economista Luiz Martins de Melo no Brasil Amanhã 06. Com mestrado e doutorado em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),

Luiz Martins é atualmente professor associado 4 do Instituto de Economia da UFRJ, o IE/UFRJ. Foi diretor da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep de 1986 a 1988. Tem especialização em Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Science Policy Research Unit (SPRU), na Universidade de Sussex, Inglaterra, e em Design and Evaluation of Innovation Policy. United Nations University, UNU-INTECH, Holanda. Desde 1978 trabalha com os temas de política de Ciência, Tecnologia e Inovação - C,T&I.

Publicado em 07/04.

 

Conselheiro vitalício do Clube de Engenharia, o engenheiro eletricista Luiz Alfredo Salomão, convidado do Brasil Amanhã 05, é personagem de destaque no cenário político do Estado do Rio de Janeiro e na política nacional. Entre outras atuações, eleito deputado federal, na legenda do PDT, participou da Assembleia Nacional Constituinte de fevereiro de 1987 a outubro de 1988. Atua hoje como diretor da Escola de Políticas Públicas e Gestão Governamental/IUPERJ/UCAM. Abordando em brevíssima retrospectiva os modelos econômicos que a história do Brasil registra e os cenários de grandes momentos do desenvolvimento industrial, Salomão aponta ações e sugere caminhos priorizando as bandeiras históricas do Clube de Engenharia: Democracia, Soberania e Engenharia, como base de um novo modelo econômico. E defende que à frente desta construção estão os engenheiros, em parceria com cientistas/pesquisadores e políticos nacionalistas.

Publicado em 03/04.

 

Brasil Amanhã recebe o Engenheiro de Telecomunicações, com mais de 40 anos de experiência no setor, Márcio Patusco Lana Lobo, ex-presidente do Comitê Consultivo da Anatel, atuando hoje na Câmara de Universalização e Inclusão Digital do Comitê Gestor da Internet no Brasil, na Divisão Técnica Especializada de Ciência e Tecnologia do Clube de Engenharia e no seu Conselho Diretor. Em discussão, as crescentes lutas em defesa dos direitos de privacidade dos cidadãos e empresas no trato das informações pessoais. E, neste contexto, com a intensificação do uso de dados pessoais na Internet, a importância da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor no ano em curso. O próprio Fórum Econômico Mundial (WEF) reconhece que os dados pessoais “são a moeda do mundo digital”, e que, portanto, devem ser tratados de forma regulada.

Publicado em 31/03.

 

No momento em que todas as atenções se voltam para conter o avanço do Coronavírus, estudantes e professores de Engenharia, Medicina e Desenho Industrial da Universidade Federal Fluminense (UFF) são destaques com uma inovação tecnológica de baixo custo e extremamente necessária. Trata-se da "face shield", uma máscara de proteção para profissionais de saúde, transparente, que cobre todo o rosto e pode ser higienizada e reutilizada. O projeto, chamado FaceShield-UFF, tem como um de seus realizadores o conselheiro do Clube de Engenharia e engenheiro ambiental Lucas Getirana, que também é mestrando do Programa de Engenharia e Biossistemas (PEGB-UFF). O rápido desenvolvimento desta tecnologia, prestes a ser produzida em larga escala, é o assunto principal do terceiro episódio do programa Brasil Amanhã, do Clube de Engenharia.

Publicado em 28/03.

 

A professora Cláudia Morgado, primeira mulher a dirigir a Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, presidente do Fórum Nacional de Dirigentes de Instituições de Ensino de Engenharia e conselheira do Clube de Engenharia é a convidada do segundo episódio. Em discussão, o cenário de crises que vêm se sobrepondo à educação no Brasil e a possível luz no fim do túnel.

Publicado em 27/03.

 

No primeiro programa, Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, fala do impacto econômico que deverá ser enfrentado no dia seguinte ao fim da pandemia.

Publicado em 24/03.

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