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notícia 24/10/2016

A consultoria como oportunidade de trabalho

Luiz Affonso Romano: consultor há 46 anos. Foto: Fernando Alvim.
Luiz Affonso Romano: consultor há 46 anos.
Foto: Fernando Alvim.

Com o desemprego no país alcançando quase 12% da população economicamente ativa, o aumento da expectativa de vida e a falta de perspectiva de novos postos de trabalhos, em especial para os mais experientes, uma alternativa se destaca: a consultoria. Este foi o tema da palestra  Consultoria: oportunidade de trabalho para engenheiros, do consultor e presidente da Associação Brasileira de Consultores (ABCO), Luiz Affonso Romano, em 18 de outubro, no Clube de Engenharia. A área é vista como uma oportunidade para profissionais orientarem organizações fazendo uso de suas habilidades técnicas e pessoais, somadas a uma larga experiência. O evento contou com promoção das divisões técnicas especializadas de Ensino Profissional (DEP) e de Formação do Engenheiro (DFE).

Com o objetivo de prevenir ou resolver problemas, o trabalho de consultoria consiste em um profissional aplicar seus conhecimentos e técnicas para contribuir com soluções junto a gestores de outras empresas. Esse consultor deve ser independente, sem compromissos com a organização em questão, para que possa lançar um olhar distante e crítico sobre as questões em pauta. Seu trabalho é temporário e envolve a elaboração de diagnóstico, a busca de alternativas adequadas e capacidade de auxiliar na implementação das mudanças.

"Consultores ajudam a despertar para novas oportunidades e a enxergar ameaças à organização", afirma Luiz Affonso Romano. Fernando Tourinho, Diretor de Atividades Técnicas do Clube de Engenharia, demarcou a consultoria como oportunidade para engenheiros que ainda se sentem ativos e se encontram desempregados ou insatisfeitos com suas atividades. "Nesse momento, muitas empresas estão se reformulando e buscando alternativas para que não passem pelos grandes problemas que acontecem nas empresas de engenharia", afirmou.

O pontapé: saber o que deseja
Partir de um emprego "formal", com rotina, hábitos, segurança e hierarquias, para se tornar um consultor, envolve o desejo de mudança. É preciso ter em mente o que se deseja fazer, o que se quer alcançar, como aplicar o tempo e com que tipo de profissional se quer interagir. Luiz Affonso Romano saiu de seu cargo de diretor em um órgão governamental ainda antes dos 30 anos de idade, para criar sua empresa de consultoria. "Eu não gostava do que fazia. Me dava poder, me dava prestígio, mas não me dava satisfação", afirma, sobre o trabalho anterior. Mesmo assim, isso foi em uma época em que grandes empresas e indústrias se preocupavam com concorrência - e não com inovação, por exemplo -, e sua área era de controle de preços. Já teve um escritório no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, dezenas de funcionários, mas a mudança pela qual passa o mundo do trabalho afeta fortemente os autônomos, e hoje Romano é consultor por conta própria e trabalha em home office.

Perfil do profissional
O home office é o ambiente de trabalho escolhido por 20,5% dos consultores, segundo pesquisa do Laboratório da Consultoria. O mesmo estudo, Perfil da Consultoria no Brasil, constatou que 43,5% dos profissionais da área são mulheres, a maioria (48%) tem graduação e quase 60% têm entre 25 e 46 anos. Este dado, no entanto, é contestado por Romano, consultor há 46 anos, que afirma ser a faixa etária dos mais velhos maior do que a pesquisa indica.  
 
Por lidar com empresas e pessoas muito diversas, um consultor deve estar bem preparado: saber quem é seu cliente, como deve se comunicar com ele, focar no antes, durante e pós venda. É preciso, também, ter em mente qual a imagem que se quer fixar: da empresa ou do profissional. Saber fazer uso de suas habilidades pessoais e relacionadas à sua formação também faz parte do caminho para o sucesso. Precisa ter comportamento ético; ser sigiloso e não comentar sobre outros trabalhos e empresas; saber ouvir e perguntar; ter rede de parceiros e clientes; se fazer visível; cumprir prazos; garantir serviços; e ser orientado para resultados. Na maioria dos casos em que um consultor é procurado para um trabalho, a indicação é de um cliente ou outro consultor. Uma dica de Romano é que o profissional não dedique todo o seu tempo em atividades para a consultoria, permitindo-se fazer prospecção de clientes, ações de marketing, lançamento de novos produtos. Algumas formas de se fazer visível são por meio de artigos técnicos, participação em congressos e eventos e ações comerciais próprias.

Perfil dos clientes
A consultoria é buscada por organizações de todo tipo, como órgãos governamentais, congregações religiosas, ligadas à saúde e esporte, mas os principais contratantes são os setores de comércio, indústria, micro e pequenas empresas e empresa familiar. Buscam diagnóstico e soluções nas áreas de treinamento, planejamento, gestão de negócios e estratégia, mas o leque de possibilidades é amplo, passando por jurídico, cultural e gestão de crises.

Geralmente, o problema da instituição não é exatamente o apontado pelo gestor, e é a visão crítica independente do consultor que vai identificar isso. "O problema é sistêmico. Ele aparece nas vendas, mas pode estar no atendimento, pode estar na produção", afirmou Romano. Por isso, é fundamental que o trabalho do consultor seja de parceria com o cliente, o qual deve estar envolvido em todo o processo, desde o diagnóstico. O grau de satisfação com esse tipo de serviço, com dados de 2016, indicou 22,6% de muito satisfeitos e 62,4% de satisfeitos.