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notícia 13/11/2015

Diretores discutem a engenharia nacional no Faixa Livre

Da esquerda para a direita: Paulo Passarinho, Carlos Ferreira, Stelberto Soares e Sebastião Soares. Foto: Programa Faixa Livre.
Da esquerda para a direita: Paulo Passarinho, Carlos Ferreira, Stelberto Soares e Sebastião Soares.
Foto: Programa Faixa Livre.

 

A grave crise que afeta a engenharia brasileira foi tema da entrevista que o vice-presidente do Clube de Engenharia, Sebastião Soares, o diretor técnico Carlos Ferreira e o conselheiro Stelberto Soares concederam, na quarta-feira (11), ao programa Faixa Livre. Transmitido de segunda a sexta-feira, das 9h às 10h30, na Rádio Livre AM (1.440) e pelo site da Associação de Engenheiros da Petrobras – AEPET (www.aepet.org.br), apresentado por Paulo Passarinho, o programa tem reconhecida história de luta pela democratização da informação em seus mais de 20 anos no ar.

Não foi por outra razão que o vice-presidente do Clube de Engenharia ao iniciar sua conversa com o apresentador e os ouvintes agradeceu o espaço democrático do programa para "prestar contas do que o Clube vem fazendo em prol do desenvolvimento soberano e inclusivo do Brasil”. Por cerca de uma hora a conversa abordou temas da maior relevância para o país e para a engenharia nacional, inclusive a distinção da Justiça do Paraná em poupar empresas estrangeiras de investigações mais rigorosas, em uma linha de trabalho exatamente oposta a que vem adotando com as empresas brasileiras.

Atuando intensamente na retomada do desenvolvimento, com a preservação da engenharia brasileira, o Clube de Engenharia segue unido a outras entidades pugnando em quatro frentes, inclusive junto ao poder executivo. Sebastião Soares apontou as três primeiras: “A regularização dos pagamentos de obras já executas, já medidas, já faturadas e aceitas. Esta é uma linha de desenvolvimento e de reivindicação firme do Clube de Engenharia. A segunda é a retomada de projetos que estão a meio caminho, como Angra 3, em fase avançada de execução e a refinaria do Comperj, entre outras. Interromper essas obras no estágio em que estão é um crime de lesa pátria porque não será possível retomá-las sem  uma perda imensa de oportunidades, de prazo  e de custos. A terceira linha de nossa luta é a regulamentação dos acordos de leniência, que vão permitir que os corruptos, os executivos corruptos das empresas sejam punidos, mas a estrutura produtiva das empresas de engenharia seja mantida: seus engenheiros, seus  trabalhadores e o exército de profissionais que é mobilizado nas obras”. 

Em complemento, o quarto item, o Banco de Projetos, é esclarecido pelo diretor técnico Carlos Ferreira. “Temos um problema sério no Brasil que é a falta de um Plano Nacional de Desenvolvimento. A falta de um Plano de Estado. O último que tivemos foi o II PND, no governo Geisel. O Brasil, infelizmente, com toda a sua riqueza peca porque o trabalho de uma ou mais gerações é destruído em seguida. Começamos tudo e novamente destruímos. Eu sou testemunha disso porque vivi a década de 70 na iniciativa privada, na indústria naval. Naquela época éramos o segundo maior construtor naval do mundo, somente superados pelo Japão. Eu era da Ishikawajima e tínhamos uma capacidade fantástica. Hoje não temos capacidade de fazer nem motor auxiliar para navios. Importamos tudo. Vivemos um processo que nos levou a uma brutal desnacionalização”, afirmou Carlos Ferreira ao defender a participação da sociedade na construção de um Plano de Estado que pense o Brasil das próximas gerações. 

Entre outras questões, o conselheiro Stelberto Soares alertou para a importância da democratização da informação e da necessidade absoluta de maior clareza no debate público sobre a Petrobras. “A luta é muito séria e sei que esse programa tem uma audiência muito especial, de pessoas preocupadas com as questões nacionais. Por isso é importante estimular a existência de programas como esse, no qual é possível avançar nesse processo de discutir e de ampliar a informação para que o senso comum não seja usado para as forças que querem nos tornar menores”

Acesse aqui o áudio completo da entrevista.