Centros de Operação do Sistema Elétrico estão em constante evolução para garantir energia ao país

Evento do Clube trata dos desafios tecnológicos e humanos para o aperfeiçoamento da segurança energética nacional

A energia elétrica precisa estar presente nos mais diferentes pontos do país de forma ininterrupta, tanto nas residências quanto nas empresas, para atender uma necessidade fundamental da sociedade. Mas para que esse fornecimento seja prestado com segurança, garantido o bom funcionamento das atividades econômicas, cotidianas e principalmente serviços essenciais, há a necessidade de um monitoramento em âmbito nacional e regional 24 horas por dia. Para que esse objetivo seja alcançado, os centros de operação são fundamentais, a começar pela própria estrutura do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) quanto setores  com essa função sob responsabilidade das concessionárias de distribuição. Os desafios desses Centros foram melhor conhecidos por meio do evento  “Centros de Operação do Sistema Elétrico: Perspectivas e Desafios”, promovido pela Divisão Técnica de Energia (DEN) do Clube de Engenharia do Brasil nesta segunda-feira (17).

A engenheira elétrica Vandrianne Rodrigues, que atura na Operação do ONS, contou como funciona esse órgão que praticamente comanda o Sistema Integrado Nacional (SIN), acompanhando tanto a geração, transmissão e intercâmbio de energia em todo o território nacional. Ela atua no Rio de Janeiro, onde há o monitoramento da região Sudeste, mas há também outros centros no Nordeste, Sul e no Distrito Federal. É um trabalho minucioso que exige cada vez mais capacitação técnica por parte dos responsáveis, mas também aprimoramentos tecnológicos, sobretudo no caminho da digitalização, para que não haja falhas no fornecimento, ou seja, para evitar os temíveis apagões.

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Vandrianne Rodrigues

Os desafios não faltam, a começar pela própria variação no consumo de energia ao longo do dia e dependendo do dia da semana, mas também na geração. O país vê crescer a produção de energia eólica e solar, bem como a Minigeração Distribuída (MMGD) e administrar essa carga não é fácil. Os operadores precisam ficar atentos também a qualquer incidente e até uma queimada pode interromper a transmissão em determinado ponto. A responsabilidade é gigantesca e é preciso atenção e capacidade de resposta rápida. Mas além de conhecimento, os profissionais precisam de estar sempre em equilíbrio.

“E principalmente para vocês que são profissionais ou que estão aspirando alguma posição em centros de operação ou que já estão mesmo nos centros, fica um recado: é sempre importante cuidar da saúde mental. Temos muitos momentos de pressão, é uma operação em tempo real, portanto, há um lado humano que precisa ser pensado”, ressaltou Vandrianne.

Ivan Nachtigall, Gerente de Operações do Grupo Equatorial no Maranhão, também abordou desafios enfrentados pelo sistema elétrico, incluindo as distribuidoras nos estados. Ele ressaltou o impacto dos eventos climáticos extremos mas também citou problemas como falhas de transmissão, acidentes e interrupções operacionais. Segundo ele, o sistema também passa hoje em dia pela necessidade de prevenir ataques cibernéticos e de estar mais preparado para mudanças na sociedade, como o uso de carros elétricos, e o surgimento de mini usinas. São problemas que acabam sendo bem resolvidos com os avanços tecnológicos, como a inteligência artificial, e o aprimoramento técnico dos profissionais.

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Ivan Nachtigall

“O conhecimento, ele está aí cada vez mais acessível e para cada um dentro da sua situação. A gente com certeza que está falando com pessoas hoje do Brasil inteiro. Então eu acho muito saudável a democratização da educação e do conhecimento”, concluiu Ivan.

O coordenador da DEN, Francisco Costa, avaliou que o evento trouxe um rico aprendizado e destacou que ele aponta para a necessidade de constante evolução tecnológica dos  centros de operação, exigindo dos profissionais da área uma atualização constante de seus conhecimentos, garantido a segurança energética do país.

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