FTIS 2026 debata inovação, tecnologia e sustentabilidade com participação do Clube

Membros da DEN integram painel sobre “Transição Energética e Inovação”

O Clube de Engenharia do Brasil teve este ano uma colaboração marcante com o FITS (Fórum Global de Inovação e Tecnologia em Sustentabilidade), realizado no último dia 17 na sede do Sebrae Rio. Nesta décima oitava edição foram tratados temas relativos ao fomento à inovação e à tecnologia, com atenção ao processo produtivo, à competitividade e ao desenvolvimento sustentável em suas três dimensões: ambiental, econômica e social. A programação contou com painéis sobre Energia, Saneamento, Mobilidade, Mudanças Climáticas, Infraestrutura e Políticas Públicas.
O painel sobre “Transição Energética e Inovação: Desafios, Oportunidades e Novos Mercados” reuniu profissionais do setor elétrico, petróleo e gás, engenharia, educação e operação do sistema para discutir como as mudanças tecnológicas está entrelaçada com as iniciativas voltadas para a descarbonização e as transformações econômicas e sociais. O painel contou com a mediação do conselheiro e coordenador da DTE de Energia do Clube (DEN), Francisco Costa. Integraram essa etapa do evento Gabriela Rosa (Fundadora e Diretora Ellon Engenharia Inteligente e Conselheira e Membro da DEN), Marcus Neves (Pesquisador da COPPE-UFRJ), Milton Simas Torres (Professor CEFET/RJ) e Vandrianne Rodrigues (Engenheira de Operação no Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS)).
A abertura destacou que a transição energética exige a integração de diferentes fontes, tecnologias e modelos de gestão, buscando conciliar segurança energética, competitividade, sustentabilidade e desenvolvimento econômico. Um dos principais debates tratou do papel do petróleo na transição energética. Marcos Neves argumentou que, historicamente, as transições energéticas não eliminaram completamente as fontes anteriores e que o petróleo ainda possui vantagens como alta densidade energética, infraestrutura consolidada e facilidade de transporte. Para ele, o desafio central não é simplesmente substituir fontes, mas promover a descarbonização da economia, considerando aspectos econômicos e as características específicas do Brasil. Também foram discutidas a exploração de petróleo, a margem equatorial e a necessidade de avaliar alternativas de redução de emissões levando em conta os diferentes setores da economia e os custos de mitigação.
Outro eixo importante foi a modernização da infraestrutura e a incorporação de novas tecnologias. Gabriela Rosa destacou que redes e instalações elétricas antigas podem se tornar um gargalo para a expansão da geração distribuída, do armazenamento e da mobilidade elétrica, reforçando a necessidade de conformidade, qualificação profissional e adequação das redes. Vandrianne Rodrigues explicou os desafios operacionais provocados pela crescente participação de fontes eólicas e solares, incluindo o corte de geração renovável e a necessidade de novas tecnologias, como inversores formadores de rede, armazenamento e equipamentos capazes de contribuir para a estabilidade do sistema. O armazenamento foi apresentado como recurso para aumentar a flexibilidade, reduzir perdas, oferecer backup e administrar demandas de consumidores.
Por fim, os participantes ressaltaram que a transição energética depende não apenas de tecnologia, mas também de pessoas qualificadas, inovação, educação e capacidade de resolver problemas. Milton Torres destacou o papel fundamental dos profissionais técnicos na instalação, manutenção, operação e integração de sensores, IoT, redes inteligentes e novas tecnologias, enquanto os demais participantes reforçaram a importância do pensamento crítico e da capacitação contínua. As considerações finais convergiram para a ideia de que o sistema energético está se tornando mais complexo e exige profissionais capazes de lidar com dados, novas tecnologias e situações imprevisíveis. O painel encerrou defendendo uma visão integrada da transição energética, associada à sustentabilidade, à inovação tecnológica, à formação profissional e a uma mudança de mentalidade sobre produção e consumo de energia.

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Marcus Neves, Gabriela Rosa, Francisco Costa, Vandrianne Rodrigues e Milton Simas Torres (da esq. para a dir.)

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