Clube de Engenharia do Brasil homenageia diretor de Inteligência da Polícia Federal

Leandro Almada recebe a placa do presidente Francis Bogossian

Delegado Leandro Almada da Costa tem trabalho reconhecido e profere aula magna para o Conselho Diretor

O Clube de Engenharia do Brasil prestou uma homenagem ao delegado e diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada da Costa, por seus serviços prestados ao país, em especial no combate ao crime organizado do Rio de Janeiro. Ele recebeu a placa das mãos do presidente da entidade, Francis Bogossian, durante a última reunião do Conselho Diretor, nesta segunda-feira (13), e proferiu uma aula magna com o tema: “A Polícia Federal no enfrentamento ao crime organizado. O desafio Rio de Janeiro”.

Em sua fala, os conselheiros ouviram de uma alta autoridade um diagnóstico alarmante, mas que não foge da percepção do cidadão comum: “o Rio de Janeiro atingiu o fundo do poço”. É um quadro que se compõe não só pela alta criminalidade nas ruas, pelo controle territorial exercido pelas organizações criminosas e a guerra constante pelo domínio dessas áreas, mas principalmente pela infiltração dessas facções na alta cúpula do poder. A boa notícia dada pelo delegado é que esses males estão retrocedendo e há solução para os problemas enfrentados pelo estado.

A aula serviu para uma exposição sobre os bastidores da chamada Missão Redentor, uma força-tarefa e centro de inteligência operacional coordenada pela PF no estado, que já está na sua segunda fase. Ela segue diretrizes do Supremo Tribunal Federal (STF) estipuladas na ADPF 635 (conhecida como “ADPF das Favelas”) e para alcançar os resultados que vem conquistando no combate ao crime organizado, recebeu investimento em equipamentos no valor de R$ 30 milhões.

Já foi responsável pela prisão de três deputados estaduais, inclusive o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, de um desembargador federal e do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Ela mira, portanto, o alto escalação do poder político, membros corrompidos do Judiciário, e líderes do crime organizado, mas já atua nos meios empresariais. Além do tráfico de drogas, armas, cigarro e jogos de azar, o ramo de combustíveis também entrou para o rol. Isso explicaria as sucessivas irregularidades encontradas na Refinaria de Manguinhos (Refit).

“Quando eu falo de corrupção, estou falando do Judiciário, do Ministério Público, de Poder Legislativo, principalmente, do poder político e também das instituições policiais. Mas a Polícia Federal há 30 anos, 40 anos atrás, não tinha uma realidade tão diferente dessa, especialmente no Rio de Janeiro. Eu vejo que os senhores já são mais experientes, têm uma vivência no Rio de Janeiro há bastante tempo, sabem exatamente que há 30 ou 40 anos atrás, a Polícia Federal aqui nessa mesma praça maior, debaixo desse mesmo céu e em cima dessa mesma terra, do lado desse mesmo lugar do porto, não era a unidade e nem a instituição que é hoje”, afirmou Almada Costa. “Então a Polícia Federal, para poder fazer frente a isso, não tem mágica, a gente tem que retomar o poder político que está cooptado na mão de criminosos, de agentes políticos criminosos. A gente vai ter que primeiro tornar rígidas essas instituições porque não tem mágica e a gente não consegue fazer o enfrentamento que a gente precisa fazer contra o crime organizado só com a Polícia Federal e sem contar com as instituições de Estado, tanto as polícias, civil militar, quanto o Ministério Público, quanto o Poder Judiciário”, acrescentou o delegado.

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Isso não significa, segundo ele, obter “licença para matar”, mas agir com inteligência e estratégia. A partir do momento em que as instituições estejam de novo fortalecidas e dentro da legalidade, os temidos líderes de facções que estão principalmente nas comunidades passam a ser mais vulneráveis. O delegado mostrou que grande parte desse quadro se deve à decadência econômica e da crise social do estado, agravadas pela transferência da capital para Brasília e falta de articulação entre as elites empresarias e políticas para desenvolver o território fluminense. Mas tanto o crescimento da economia quanto a segurança e o emprego podem sofrer grandes melhorias, segundo ele, se houver essa virada e recuperação institucional. O voto mais consciente do eleitor também é fundamental para isso.

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