A Coppe/UFRJ reafirma sua liderança no desenvolvimento de soluções tecnológicas para os desafios da mobilidade sustentável e da inovação industrial com mais um avanço do MagLev-Cobra, trem de levitação magnética desenvolvido em parceria com a Escola Politécnica (Poli). Até outubro deste ano, a versão automatizada do MagLev, produzida pela empresa Aerom, e com apoio da Faperj, deverá iniciar os testes transportando passageiros na linha experimental, no Centro de Tecnologia da UFRJ.
Segundo o professor Richard Stephan, coordenador do projeto e professor do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe, e da Poli, em paralelo foi submetida à FINEP uma proposta de financiamento para a realização de um Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental (EVTEA). O estudo tem como finalidade identificar o local para a expansão do percurso do veículo, conforme o cronograma do projeto. A expansão poderia permitir que o MagLev alcance o Parque Tecnológico da UFRJ, que é uma das possibilidades, percorrendo curvas e inclinações, o que ampliará a validação da tecnologia de supercondutividade empregada no sistema.
Richard Stephan explica que a sustentação do MagLev-Cobra é obtida por meio de supercondutores instalados na parte inferior do veículo e de trilhos formados por ímãs de terras raras. “É justamente nesse componente que um novo avanço tecnológico poderá fortalecer ainda mais a autonomia nacional.”

Durante a sétima edição do Congresso Brasileiro de Terras-Raras (VII CBTR), realizada no dia 2 de julho, no Centro de Tecnologia da UFRJ, Richard apresentou o MagLev-Cobra a estudantes, pesquisadores, empresários e investidores de todo o país e defendeu o fortalecimento da produção nacional de ímãs permanentes. Após o evento, dezenas de participantes visitaram o veículo.

O professor destacou que foi necessária a importação de uma nova remessa de ímãs da China, agora com revestimentos mais resistentes à corrosão, para substituir os atuais, que passaram a apresentar pontos de ferrugem. Ao mesmo tempo, apontou uma perspectiva promissora: o desenvolvimento de um revestimento com tecnologia brasileira, fruto da pesquisa de doutorado de Ana Laura Campista, do Programa de Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos (EPQB), da Escola de Química da UFRJ., com orientação dos professores Ladimir José de Carvalho e Simone Louise Brasil.
Segundo Ana Laura, recobrimentos metálicos utilizados em ímãs sofrem desgaste ao longo do tempo, especialmente quando expostos à umidade e à chuva. Os novos ímãs importados já utilizam materiais que oferecem maior resistência à corrosão. No entanto, a tecnologia que ela desenvolve em sua pesquisa tem potencial para ampliar ainda mais essa proteção, prolongando a vida útil dos ímãs e reduzindo custos de manutenção.
O interesse despertado pelo projeto também chamou a atenção de pesquisadores de outras instituições. A doutoranda em Engenharia de Produção da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Isadora Marcela de Campos, que participou do congresso, afirmou que acompanha pesquisas sobre terras raras desde o mestrado e considera estratégico o fortalecimento dessa cadeia produtiva no Brasil.

“O Brasil importa ímãs de terras-raras da China e, então, se pudermos produzir, desenvolver e utilizar este material aqui será extraordinário, já que temos capacidade tecnológica, mão de obra qualificada e especialistas envolvidos que querem implementar isso. Agora, é uma força-tarefa, e precisamos de investimentos e de vontade política para dar continuidade ao desenvolvimento e competirmos no mercado internacional com produtos feitos aqui no Brasil”, defende Isadora.
Além de representar um marco para a mobilidade urbana de baixa emissão de carbono, o MagLev-Cobra consolida a capacidade da Coppe de transformar conhecimento científico em inovação com potencial de impacto econômico e social. As pesquisas voltadas à nacionalização de componentes estratégicos demonstram como a universidade contribui para reduzir a dependência tecnológica do país e fortalecer uma cadeia produtiva de alto valor agregado.



