CPR Grouting: técnica de geoenrijecimento é aprovada por especialistas

Solos moles são constantes desafios para áreas como a Geotecnia e a Engenharia Civil, e alvos de diferentes estudos e métodos de enrijecimento. O CPR Grouting é um desses métodos, por muito tempo desacreditado por especialistas da área. Alguns mitos a seu respeito foram quebrados na palestra “Melhoramento de solos moles: geoenrijecimento com CPR grouting – casos de obras e formulação teórica”, em 17 de maio, por Joaquim Rodrigues e Alessandro Cirone, ambos engenheiros civis, respectivamente diretor e geotécnico na Engegraut Engenharia e Geotecnia Ltda. O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT), Divisão Técnica de Geotecnia (DTG) e Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS-Rio).

O geoenrijecimento consiste em uma técnica de compressão do solo, que entra em processo de consolidação posteriormente: são estabelecidos, previamente, parâmetros geotécnicos de grande eficiência. Joaquim Rodrigues comparou com outros métodos de melhoramento de solos, que fazem o reforço de solos com transferência de cargas e, na sua visão, têm eficiência limitada, são frágeis para argilas sensitivas e chegam a poucos metros de profundidade.

Solos ultramoles
Exemplos de grandes obras na qual se fez uso do CPR Grouting foram apresentados. Uma delas foi a da Cidade do Rock, área que seria utilizada para o Rock In Rio em 2017. O desafio era, no prazo de três meses, enrijecer um solo considerado ultramole, de aproximadamente 30 mil m². Segundo Joaquim, uma das maiores dificuldades foi implementar o aterro de conquista na obra. Com captação de areia, dragagem e aplicação de geogrelhas foi possível aplicar o geoenrijecimento, e depois a terraplanagem. “Foi um trabalho foi muito crítico em função das particularidades do solo e do prazo imposto”, resumiu o engenheiro.

Outro caso apresentado foi a criação do Pontal Oceânico, um sub-bairro do Recreio, de propriedade particular. Também com solo ultramole a área precisou do geoenrijecimento tanto da área residencial quanto nas vias de acesso. O trabalho se iniciou com sondagens geotécnicas e aplicação de geogrelhas, com posterior geoenrijecimento com CPR Grouting, formação de galerias, lançamento de aterro no local e asfalto.

CPR Grouting: como funciona
Alessandro Cirone abordou em sua apresentação o tema “Considerações sobre a modelagem geotécnica do CPR Grouting”, no qual detalhou o funcionamento do método. Segundo ele, o produto é aplicado após haver já no solo uma malha de geodrenos e uma malha de estruturas verticais. O geogrouting é produzido na betoneira, composto de areia, silte, água e elementos adicionais. Do caminhão sai uma bomba, que por uma haste entra no solo, chegando a um bulbo, onde o geogrouting será aplicado. No bulbo, a massa de geogrouting se expande, num fenômeno chamado de “expansão de cavidade”, aplicando pressões no solo ao redor. Causa-se assim cisalhamento e posterior recalque imediato no solo, que vai expandir e adensar. O importante é que a expansão, que depende da proporção entre água e cimento no produto, cause uma fratura controlada, que não se propaga. A camada de drenos aplicada inicialmente evita que a expansão do solo na injeção do fluido vaze para a terra demasiadamente.

É possível saber dados da injeção do produto, uma vez que o bulbo por onde passa tem um medidor de pressão conectado a um dispositivo móvel por bluetooth. Nesta técnica é possível registrar a profundidade da haste, a pressão e o volume introduzido a cada ciclo do trabalho.

Aprovado por especialistas
O evento foi acompanhado por grandes nomes da Geotecnia atual como os professores Ian Schumman Martins e Marcio Almeida, ambos da COPPE/UFRJ, e o professor Sandro Sandroni, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), que expressaram a satisfação com a qualidade da palestra e expuseram suas antigas descrenças em relação ao método.

Para Sandro Sandroni, até então o CPR Grouting não era bem visto pelos cientistas da área por não parecer viável: “Eu tenho sido um crítico ferrenho do método, e agora eu percebo que isso tudo se devia ao fato de ele não estar bem amadurecido, e de estar sendo bem explicado, como agora. Estamos falando de uma mistura quase seca, portanto não vai fluir, e nós achávamos que era uma calda que fatalmente fluiria no solo mole. Vou começar a olhar para o método CPR Grouting com bons olhos. Antes as explicações dadas não eram palatáveis para os especialistas”, concluiu Sandroni.

Também para Ian Martins, a má compreensão do funcionamento do método era a causa da desconfiança no campo dos geotécnicos: “Inicialmente foi contada uma história que não era palatável na Geotecnia, porque nos foi dito que se faz uma injeção e imediatamente a água passa a fluir para os geodrenos cravados verticalmente. Essa ideia errônea foi desfeita aqui”, argumentou Martins.

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