Mapeamento de profundidades – a tecnologia em prol da navegação de qualidade

Portos são constantemente dragados para receber navios mais largos e altos. Na foto, o porto de Santos. Foto: Sergio Furtado / Fotos Públicas.

A participação do Brasil no comércio internacional pede, entre outros fatores, boa circulação de navios em nossos rios e boas condições de atracação nos portos. O problema referente à profundidade dos portos e o tamanho dos navios foi o tema da palestra "Obras portuárias - mapeamento de profundidades", com Aluizio Maciel, hidrógrafo com experiência na Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha, atual diretor da empresa Delfos Marítima, no dia 23 de outubro.

A palestra focou em apresentar tecnologias para mapeamento das profundidades dos portos e canais de navegação, a fim de garantir a circulação e atracação de navios. Se uma embarcação tocar o fundo, podem acontecer acidentes envolvendo vazamento de óleo e danos à tripulação, por exemplo. O problema reside no fato de que os navios são cada vez mais altos e mais compridos, enquanto a largura e altura dos rios são determinados por processos naturais. Segundo o palestrante, vários portos do país foram aprofundados desde 2008, o que é feito por dragagem, ou seja, retirada de areia e demais sedimentos do fundo. Naturalmente, todos os canais dragados sofrem assoreamento posterior, o que significa a volta do problema. Torna-se necessário barrar a entrada de navios muitos extensos e aceitar os de menor carga.

Escaneamento geral do fundo

Aluizio Maciel apresentou a principal tecnologia desenvolvida para o monitoramento dos rios a fim de reconhecer o tamanho do fundo e seu conteúdo: o ecobatímetro. Existem dois tipos: o monofeixe, capaz de mapear dois pontos do canal, delimitando sua largura, é considerado ultrapassado. Apesar de identificar as alturas das margens direita e esquerda, o espaço entre elas só pode ser estimado. Já com o ecobatímetro multifeixe, é possível ter um escaneamento geral, com muitos detalhes, identificando os possíveis obstáculos do caminho, sejam eles de diferentes tamanhos, e até os tipos de sedimentos que compõem o leito. Esse equipamento chega a ter 400 feixes que mapeiam o espaço determinado, porém é muito caro e por vários anos só houve um, pertencente à Marinha, operando no Brasil.

Dados confiáveis a níveis nacional e internacional

Para além das questões econômicas nacionais envolvendo as restrições aos navios maiores, o país tem responsabilidades perante a Organização Hidrográfica Internacional (OHI), que impõe normas e padrões internacionais para levantamentos hidrográficos aos países signatários. Eles estão detalhados na publicação "Especificações para Levantamentos Hidrográficos" (S-44). Além de o mapeamento detalhado das alturas e larguras, determina que todos os sensores utilizados no levantamento devem estar bem alinhados e sincronizados para dar confiabilidade aos dados. Aluizio Maciel, que atuou por anos na área de batimetria da DHN, na Marinha, afirmou que esta é responsável pelas cartas náuticas do país, e consequentemente pela garantia de que os navios que navegam em diversos países poderão também entrar no Brasil.

Nesse sentido, a própria Marinha organizou regras para aprovar a atuação de empresas capazes de fazer os levantamentos hidrográficas. As regras estão expressas pelas Normas de Autoridade Marítima para Levantamentos Hidrográficos, mais especificamente na NORMAM-25, que separa em duas categorias os tipos de levantamento hidrográfico que as empresas podem executar. Na Categoria A, estão incluídas as atividades de atualização de cartas náuticas, alteração de calado operacional dos portos, balizamento dos portos, pós-dragagem e obras sobre águas. Esses documentos devem ser analisados pela Marinha, que tem o poder de autorizar a atividade. Na Categoria B, é feito o acompanhamento de dragagem e outros serviços, e o documento resultante é somente checado pela Marinha, sem necessidade de autorização. Os levantamentos permitem obter diagnósticos tais como o mapa batimétrico (capaz de mostrar a posição de cada obstáculo), o mapa do retroespalhamento acústico (que define os sedimentos presentes no leito) e a detecção de objetos em geral. Maciel concluiu enfatizando que a segurança da navegação tem alta prioridade em todo esse processo, por isso as cartas náuticas e outras publicações devem ser precisas.

O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e divisões técnicas de Exercício Profissional (DEP), Formação do Engenheiro (DFE) e Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS). Teve apoio das divisões técnicas de Manutenção (DMA), Construção (DCO), Engenharia Econômica (DEC) e Estruturas (DES), além do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) e Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA).

Receba nossos informes!

Cadastre seu e-mail para receber nossos informes eletrônicos.

O Clube de Engenharia não envia mensagens não solicitadas.
Skip to content