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notícia 09/08/2017

A engenharia a serviço do desenvolvimento

Estudantes puderam debater com o presidente do Clube de Engenharia sobre crise política, perspectivas para a engenharia e desenvolvimento. Foto: Luiz Fernando Taranto
Estudantes puderam debater com o presidente do Clube de Engenharia sobre crise política, perspectivas para a engenharia e desenvolvimento.
Foto: Luiz Fernando Taranto

“O Clube de Engenharia tem 136 anos de atividades pautadas por três linhas de ação: a defesa da soberania, a defesa da engenharia e a defesa da democracia. É em nome disso que o Clube se movimenta e leva sua palavra a todas as entidades de engenharia, e hoje se dirige à juventude”, afirmou o presidente Pedro Celestino, em palestra para estudantes do curso de Engenharia de Controle e Automação do Instituto Federal Fluminense (IFF), em Macaé, no dia 3 de agosto.

“Nós só conseguiremos impedir que o Brasil seja destruído pela crise se nos unirmos acima de interesses político-partidários em torno de uma grande mobilização que una empresários, sindicatos, universidades, profissionais liberais, toda a sociedade, com uma só voz: não ao desmonte da economia, não ao desmonte de direitos sociais que datam de oito décadas”, conclamou.

Celestino compartilhou com os estudantes algumas de suas visões sobre a engenharia, resultado de anos de experiência que, agora, encontram as inquietações das futuras e futuros engenheiros que têm consigo uma grande responsabilidade: manter a engenharia a serviço do desenvolvimento. Neste contexto, impossível não falar da realidade nacional: “O atual governo tem a proposta mais drástica de desmonte da economia brasileira dos últimos 80 anos”, criticou, citando as atuais investidas do governo federal que pretende desmontar a Petrobras, o sistema Eletrobras e o BNDES, questões que o Clube de Engenharia tem reiteradamente se posicionado de forma crítica nos últimos meses.

Ameaças ao patrimônio nacional

“A Petrobras não está sendo privatizada. Ela está sendo destruída, fatiada, para ser vendida aos interesses estrangeiros. É mentira que ela tem sido mal gerida nos últimos quinze anos. Foi a Petrobras a responsável por nos tornar autossuficientes em petróleo, que descobriu o pré-sal. Não são meia dúzia de dirigentes corruptos que vão enlamear os mais de 80 mil funcionários honestos da maior empresa brasileira”, disse.

Pedro Celestino lembrou que a Volkswagen, empresa alemã, admitiu em 2015 que fraudou testes de emissão de poluentes em seus veículos movidos a diesel. Como resultado do escândalo, dirigentes foram afastados e a empresa foi condenada a pagar indenizações bilionárias, inclusive aos proprietários dos veículos. “Apesar disso, a Volkswagen não deixou de produzir um só veículo, porque é o orgulho nacional na Alemanha. Mas, por aqui, em nome do combate à corrupção — que nos une a todos —, se destrói o patrimônio do povo. Que se punam os responsáveis, que os processe e os condene. Mas que se preserve a empresa e os empregos. Nada disso é levado em conta, porque o que está em jogo é a entrega do nosso patrimônio, prejudicando o Brasil de amanhã, o Brasil de vocês”, alertou.

“Quando eu era estudante nós éramos um país essencialmente agrícola, com 60% da população no campo e 40% nas cidades. Hoje nós temos mais de 80% da população morando no meio urbano. E quem mora na cidade, independentemente da classe social, precisa de moradia, transporte, saneamento, alimentação, de serviços. Tudo isso demanda muita engenharia. São campos de atividades que, em qualquer circunstância, demandarão engenheiros do Brasil inteiro”.

O presidente do Clube de Engenharia ainda debateu com os estudantes questões como crise política, gestão de recursos públicos e política econômica. “Juros no Brasil, por exemplo, são hoje os mais altos do mundo. Com a economia em depressão, o banco Itaú consegue ter, neste semestre, 6 milhões de reais de lucro. É um escândalo. Temos uma política econômica capturada pelo mercado financeiro”, afirmou.

Espaço democrático

Considerado "um polo de informação e referência no exercício de pensar o desenvolvimento do Rio de Janeiro e de todo o país, e identificado como uma instituição que agrega engenheiros e técnicos com o objetivo de oferecer um espaço democrático para a discussão de questões relacionadas ao desenvolvimento nacional e a capacitação técnica dos engenheiros", em texto de Juliana Marinho publicado no portal do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, campus  Macaé, o Clube de Engenharia ainda é reconhecido "por tentar ao longo de toda a sua história estreitar os laços com as universidades, de forma a contribuir positiva e solidamente". 

Para o estudante Victor Pereira, da diretoria financeira e de marketing do Centro Acadêmico de Engenharia de Controle e Automação do IFF Macaé, a palestra de Pedro Celestino foi importante para aproximar a experiência do engenheiro dos anseios dos jovens. “Foi muito esclarecedor entender o posicionamento do Clube de Engenharia em relação à conjuntura político-econômica do Brasil hoje. Faço parte da Secretaria de Apoio ao Estudante de Engenharia (SAE) no IFF Macaé e considero essa integração entre estudantes e profissionais essencial”. Victor defende que o investimento em educação é uma das maiores prioridades da engenharia para enfrentar a crise e a perda de empregos. “Investir não apenas no ensino superior, mas também no básico. Além disso, é necessário priorizar as pesquisas em engenharia, fortalecendo o investimento em bolsas, que foram em grande parte canceladas”.

Foi neste contexto que Luiz Fernando Taranto, secretário-executivo da SAE, informou sobre o I Encontro Fluminense de Estudantes de Engenharia, que será realizado nos próximos dias 11 e 12 de agosto no Clube de Engenharia; “É o primeiro encontro do tipo realizado pelo Clube e organizado com os diretórios acadêmicos que já comemoram a primeira vitória: 470 estudantes se inscreveram”.