Engenheiro Cesar Drucker
Conselheiro Vitalício
No próximo ano, a Superintendência de Urbanização e Saneamento-SURSAN completará setenta anos da sua criação. Não há registro, na história da cidade do Rio de Janeiro, de outro período em que tantas obras de grande porte tenham sido executadas simultaneamente, voltadas à circulação urbana, ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário e resíduos sólidos, e à prevenção de eventos geológicos. Estas realizações atenderam a dois objetivos estratégicos: promoveram a modernização e a adaptação das áreas já urbanizadas da cidade, e ao mesmo tempo planejaram, ordenaram e possibilitaram a expansão urbana em direção à Zona Oeste.
À época, a dimensão e a simultaneidade dessas realizações despertaram a atenção nacional e internacional. Um dos mais expressivos reconhecimentos foi concedido pelo Guiness Book of Records à ampliação posterior da Estação de Tratamento de Água do Guandu, distinguida como a maior do mundo.
Sob uma perspectiva histórica, o Brasil viveu, em aproximadamente duas décadas, dois dos mais relevantes marcos da engenharia urbana nacional: a construção de Brasília e o amplo programa de transformação do Rio de Janeiro.
Pela sua importância, esse conjunto de realizações municipais merece ser reconhecido por instituições dedicadas à memória da engenharia civil.
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro acabou de sediar uma exposição dedicada a dois protagonistas dessa trajetória : os engenheiros Enaldo Cravo Peixoto e Raymundo de Paula Soares, que já tinham construído carreiras notáveis na Prefeitura do Distrito Federal, respectivamente no Departamento de Águas e Esgotos e no Departamento de Estradas de Rodagem. As obras apresentadas na exposição foram executadas nas suas gestões como Presidentes da SURSAN e Secretários de Obras.
Merece igualmente destaque a própria SURSAN, concebida como instituição inovadora, com metas definidas para um período de dez anos.
Tinha ampla disponibilidade de recursos, autorização para contratar empréstimos com o exterior, e uma flexibilidade administrativa incomum para os padrões da administração pública. A SURSAN foi criada em 1957, quando o Rio de Janeiro ainda era Distrito Federal, e Brasília encontrava-se em construção. Acreditava-se na época que o governo federal procurava compensar, com as grandes obras de infraestrutura de que a cidade necessitava, as graves perdas que o Rio de Janeiro teria com a transferência da capital.
Em 1960, o Distrito Federal transformou-se no Estado da Guanabara, passando a vigorar uma estrutura administrativa inteiramente distinta. Ainda assim, o governador recém-eleito manteve, durante todo o seu mandato, os objetivos e o funcionamento da SURSAN. Com a mudança política de 1964, novamente não houve descontinuidade nas atividades da entidade. Em 1965, foi eleito o segundo governador do Estado da Guanabara, que também preservou o funcionamento regular da instituição.
Ao encerrar suas atividades, a SURSAN havia cumprido plenamente os objetivos para os quais fora criada, constituindo-se num exemplo raro de continuidade na engenharia pública brasileira. Por essa razão, sua trajetória institucional também merece integrar os registros dedicados à preservação da história da engenharia civil.
A exposição aqui mencionada foi promovida pela Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro-SEAERJ, e pelo Centro Cultural da SEAERJ. Ela já foi exibida em outras entidades ligadas à engenharia pública.



