Clube abriga a 11ª edição do Seminário de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do Setor Elétrico (SMARS), que traz aprofundamentos sobre o tema
O Clube de Engenharia do Brasil teve a honra de abrigar a realização da 11ª edição do Seminário de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do Setor Elétrico (SMARS), que foi realizado entre os dias 23 e 25 de junho. Foram três dias de intensa programação, abordando temas como gestão socioambiental, mudanças climáticas, transição energética, relacionamento com comunidades, legislação ambiental e sustentabilidade empresarial. A mesa da Cerimônia de Abertura foi composta pelo Presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, pelo ex-Presidente e Membro do Conselho de Administração do CIGRE-Brasil, João Batista Guimarães Ferreira da Silva e por Daniella Feiteira Soares, Coordenadora do CE C6 e representante da comissão de organização do seminário.

Luciana Paz (Cepel); Daniella Soares – AXIA Energia (Coordenação); Raquel Loures – Secretária CE.C3, CEMIG (Coordenação); Silvia Helena Menezes Pires – Consultora (Coordenação) e Luiza Martins ( Paranaíba Transmissora de Energia)
O evento reuniu profissionais que atuam no setor elétrico, e favoreceu a qualificação técnica dos participantes, estimulando a troca de experiências sobre os principais desafios da área socioambiental. O seminário caiu justamente no mês em que é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho) e contribuiu para avanços no sentido do cumprimento do quarto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, que trata da Educação de Qualidade. Foi uma iniciativa do Comitê de Estudos (CE) mais multidisciplinar do Conselho Internacional de Grandes Sistemas Elétricos (CIGRE – Brasil): o CE-C3 – Desempenho Ambiental e Sustentabilidade do Sistema de Potência.
A organização do evento incluiu na programação, além de dois dias de apresentações de trabalhos técnicos, uma etapa inicial com minicurso, ministrado por especialistas convidados, com suas especialidades consolidadas no setor.
O curso teve como objetivo atualizar os profissionais do Setor Elétrico a fim de compreender e integrar os principais riscos e desafios relacionados à natureza e ao clima no contexto da transição energética, considerando os territórios nos quais o setor está presente, desde o planejamento até a operação de seus empreendimentos. Os participantes puderam aprender mais sobre os fundamentos técnicos e aspectos regulatórios que estruturam a agenda contemporânea de sustentabilidade, incluindo riscos físicos e de transição climática, impactos sobre biodiversidade e dependência e as recomendações de referenciais internacionais como ISSB (IFRS S1 e S2), GRI, TCFD e TNFD, além do marco regulatório brasileiro.
Além disso, painéis técnicos e apresentação de artigos compuseram a grade da programação do seminário. Os painéis abordaram as temáticas sobre Licenciamento Ambiental e Regulação: Desafios Atuais e Caminhos para o Setor Elétrico; Incorporação de Riscos Climáticos e de Biodiversidade no Planejamento e Operação do Setor Elétrico e Reportes de Sustentabilidade em Transformação: Normas, Padrões e Novas Exigências.
Foram apresentados também informes técnicos que transitaram entre os temas preferenciais definidos pela curadoria da Comissão Técnica: Planejamento, implantação e operação de empreendimentos de geração e transmissão; boas práticas na gestão socioambiental dos empreendimentos do setor elétrico e boas práticas na interação com comunidades locais e tradicionais.

O primeiro módulo de palestras apresentou a agenda de natureza a partir de conceitos fundamentais sobre biodiversidade, serviços ecossistêmicos e riscos associados à perda de capital natural, destacando a relevância da TNFD (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures) para orientar empresas na identificação, gestão e divulgação de riscos e oportunidades relacionados à natureza. No segundo módulo, o debate avançou para a agenda climática, com foco nos riscos físicos e de transição, e em seus possíveis impactos sobre o Setor Elétrico.
Também foram abordadas formas de incorporar esses riscos ao planejamento, gestão, tomada de decisão e divulgação corporativa, em diálogo com referenciais internacionais como a TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures, ou Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima) e as normas IFRS de sustentabilidade, que vêm orientando a padronização dos relatos corporativos sobre riscos e oportunidades climáticas. O terceiro módulo ampliou a discussão para os territórios, mostrando como clima, natureza e direitos humanos se conectam na prática e evidenciando temas como transição justa, participação social e proteção dos modos de vida de populações potencialmente afetadas por empreendimentos e políticas de transição energética.

As discussões reforçaram a necessidade de integração entre riscos climáticos, biodiversidade e direitos humanos em abordagens cada vez mais sistêmicas para a gestão da sustentabilidade. Para o Setor Elétrico, o grande desafio está em compreender essas conexões e incorporá-las de forma consistente ao planejamento e à operação de seus empreendimentos. O aprendizado acumulado na agenda climática pode elevar a cooperação corporativa, transformando a gestão da natureza em vantagem competitiva e em fator de segurança para investimentos.
“Entre os destaques desta edição estiveram as reflexões sobre os novos padrões e regulamentações para os relatos de sustentabilidade, além da incorporação dos riscos socioambientais à estratégia de negócios das empresas, reforçando o papel da sustentabilidade como dimensão central da governança corporativa, promovendo resiliência e a criação de valor no longo prazo”, destacou Luciana Paz, pesquisadora do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel).
Para Daniella Feteira Soares, coordenadora do Comitê de Estudos Desempenho Ambiental e Sustentabilidade do Sistema de Potência do CIGRE-Brasil, a programação do seminário demonstrou um claro amadurecimento da agenda de sustentabilidade no setor elétrico. Se, em edições anteriores, a discussão concentrava-se principalmente na conformidade legal e na mitigação de impactos, este ano observou-se uma abordagem mais estratégica, integrando aspectos ambientais, sociais, climáticos, de governança e direitos humanos ao planejamento e à operação dos empreendimentos.
“Em síntese, a programação de 2026 reforçou que a sustentabilidade deixou de ser um tema complementar para se consolidar como um elemento estruturante da estratégia do setor elétrico. O principal legado do seminário é a construção de uma visão compartilhada de que competitividade, segurança energética, proteção ambiental e desenvolvimento social são objetivos interdependentes, cuja concretização depende da adoção de medidas práticas, colaborativas e baseadas em evidências”, ressaltou Daniella Feiteira Soares.




