Marinha entregará em três anos o protótipo em terra do Submarino Nuclear Brasileiro

Um novo marco na história da indústria de defesa deverá acontecer nos próximos três anos, quando será entregue o protótipo em terra do submarino nuclear brasileiro, projetado pela Marinha do Brasil (MB). Trata-se de um modelo em tamanho real do equipamento que deverá garantir a segurança da costa brasileira e das áreas do Pré-Sal, previsto para ser colocado no mar, no Rio de Janeiro, até 2028.

A iniciativa tem sido considerada o segundo marco da história do país no que diz respeito à energia nuclear, sendo o primeiro o domínio do ciclo do combustível nuclear, sem o qual não seria possível abastecer o submarino. “Uma das funções do protótipo em terra é a preparação de operadores e sua qualificação operacional perante a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Esse é um processo contínuo: preparação e qualificação de um operador de reator nuclear demandam cerca de cinco anos”, destaca o Contra-Almirante André Luis Ferreira Marques, Diretor de Desenvolvimento Nuclear da Marinha, registrando em seguida que “esse tempo pode ser menor no futuro”.

Para apresentar os avanços, a Marinha promoveu uma visita de órgãos de imprensa às obras do Laboratório de Geração de Energia Nucleo Elétrica (LABGENE),no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), em Iperó, interior de São Paulo, onde o protótipo está sendo montado. Ali, todos os componentes, em tamanho real, incluindo o sistema de propulsão do submarino, serão instalados no enorme setor cilíndrico de aço, com 10 metros de diâmetro, por cerca de 700 homens que se revezam, em turnos. A ideia é se certificar de que todos os componentes do sistema caibam e se encaixam perfeitamente. Os principais equipamentos já estão prontos. As construções civis estão em 80% e a montagem eletromecânica tem 20% de sua construção finalizada.

Trabalho integrado e tecnologia nacional
Segundo o Contra-Almirante Ferreira Marques, o uso de protótipo em escala real, auxilia a medir e testar diversos sistemas para a qualificação de métodos de projeto e fabricação, operação e manutenção, envolvendo materiais, componentes eletroeletrônicos e mecânicos, entre outros. “Somente com o teste integrado, com tudo funcionando conjuntamente é que certos desempenhos podem ser atestados antes de embarcar um equipamento ou sistema no submarino, prática comum na indústria de sistemas avançados. Nessa linha de ação, o LABGENE é o protótipo em terra dos sistemas de geração de energia e propulsão a serem incorporados no projeto e construção do SN-BR”, explica.

Ferreira Marques esclarece que o protótipo pronto será o resultado de um grande trabalho integrado. “Toda a parte nuclear e sistemas auxiliares fazem parte dos trabalhos do Programa Nuclear da Marinha (PNM), voltados para o LABGENE e para o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Assim sendo, o Centro de Tecnologia da Marinha em São Paulo (CTMSP) gerencia o fornecimento do vaso do reator, os geradores de vapor, as bombas de circulação e outros equipamentos, para geração de energia nuclear, segundo critérios de segurança e licenciamento nuclear e ambiental”.

Além do LABGENE, o CTMSP se encarrega de diversos assuntos na área nuclear. Diferente do PROSUB, o LABGENE não participa do programa de transferência de tecnologia entre Brasil e França: todas as tecnologias ali são nacionais. “Para citar os trabalhos mais relevantes, o CTMSP fornece: sistemas de enriquecimento de urânio para as Indústrias Nucleares do Brasil (INB); urânio enriquecido para o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) voltado para a produção de radiofármacos; sistemas inerciais para a Petrobrás e MB; e desenvolve materiais avançados como aços especiais e fibra de carbono para uso na indústria nacional”, finaliza o Contra-Almirante Ferreira Marques.

Nos últimos 40 anos o projeto consumiu US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões), em meio a problemas financeiros e cortes de verbas que resultaram em uma redução de 50% na área de pessoal, sem contar com os prejuízos com o crescente número de empresas fornecedoras que afetadas pela crise, saíram do mercado. Hoje, a perspectiva é de que até dezembro de 2021, quando o submarino “terrestre”, equipado com o reator nuclear, entrará em funcionamento, mais R$ 2,2 bilhões serão investidos. A versão definitiva, que vai para o oceano, ficará pronta entre 2028 e 2030.

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