A Engenharia em um Brasil soberano e democrático

Por um projeto de país que assegure a reconstrução da economia, inclusive da Engenharia, que vivencia de forma dramática a redução de seu espaço no cenário nacional. Foto: Pixabay

Não há como assegurar a paz social e a democracia sem um Projeto de Nação soberano. Sem um projeto de país que norteie o retorno do desenvolvimento inclusivo e sustentável do Brasil, não há como assegurar a reconstrução saudável da economia, inclusive da Engenharia, que vivencia de forma dramática, nos últimos anos, a redução do mercado de trabalho e de seu espaço no cenário nacional.

A Engenharia é uma ferramenta basilar nesse projeto e, ao longo dos seus 138 anos de atuação, o Clube de Engenharia tem se colocado ao lado da democracia e da soberania para garantir que engenheiros e engenheiras construam um Brasil que deixe definitivamente para trás nosso passado como meros exportadores de matérias-primas.

Contamos, desde os anos 30 do século passado, com um Estado atuante e indutor da economia e da indústria como motor do desenvolvimento. Hoje assistimos ao completo desmonte de conquistas econômicas e sociais dos últimos 80 anos.

Vemos a Petrobras, que já foi responsável por uma cadeia de 5.000 fornecedores, nacionais e estrangeiros, responsáveis por cerca de 800 mil empregos especializados, no centro de uma dilapidação sem precedentes. A recente greve dos caminhoneiros mostrou que mudanças nas políticas gerenciais da empresa afetam todo o país: a Petrobras, como âncora do nosso desenvolvimento industrial, deve voltar a ser administrada de forma transparente e responsável, engajada com o interesse público e compromissada, como tem sido historicamente, com um país independente e forte.

Entre muitos outros setores, vemos propósito de desmonte na privatização da Eletrobras e, agora, na alienação e desnacionalização de parte importante das atividades da Embraer, empresa privatizada que é a terceira maior exportadora do país, atrás apenas da Vale e da Petrobras. Cabe registrar que essas duas são fortes exportadoras de produtos primários, enquanto que a Embraer exporta aviões, produto que incorpora tecnologia de ponta.

A industrialização é a estratégia que entendemos como essencial para que o tão necessário Projeto de Nação se concretize. A ampliação dos mecanismos de participação política levará a avanços significativos. Políticas de ajuste fiscal, que impactam diretamente os mais pobres e freiam o retorno do desenvolvimento, devem ser discutidas abertamente e decididas com o apoio da população.

O combate à corrupção não pode ser feito às custas do desmonte da capacidade gerencial e tecnológica da nossa Engenharia e de outras áreas da economia: é preciso investigar e punir corruptos e corruptores garantindo, entretanto, que as empresas nacionais continuem atuando como ferramentas do crescimento do Brasil. Nossa Engenharia, que já esteve presente em 41 países, hoje agoniza, com grandes companhias fechando suas portas, levando ao desemprego milhares de profissionais.

O Clube de Engenharia vem se somar aos mais diversos setores da sociedade brasileira para, reiteradamente, propor um projeto que alinhe desenvolvimento, geração de empregos de qualidade, distribuição de renda e justiça social.

O caminho à frente pode ser de conquistas para todos: somos um país rico e em construção. Temos tudo para que o Brasil retome sua industrialização e recupere um histórico de valorização profissional e competência técnica, referência internacional da Engenharia brasileira. Com orgulho, o Clube de Engenharia, respaldado historicamente por sua trajetória centenária de lutas, mantém a firme posição de resistir, junto com outros segmentos representativos da nossa sociedade, às crescentes ameaças que nos cercam, rumo à consolidação de um projeto nacional de desenvolvimento, democrático, soberano, sustentável e socialmente inclusivo.

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