Concreto: normas brasileiras garantem boa resistência e testes rígidos

Paulo Helene apresentou normas e procedimentos para o bom uso do concreto na construção civil. Foto: Fernando Alvim.

A utilização de concreto em obra frequentemente é alvo de polêmica entre os engenheiros, principalmente no que se refere à sua aprovação nos testes de corpo de prova e sua resistência na obra. No entanto, as normas vigentes dão toda a base para a boa execução desse elemento da construção civil, como garantiu o engenheiro Paulo Helene na palestra “Segurança das Estruturas: Controle de Aceitação da Resistência à Compressão do Concreto”, no dia 15 de maio no Clube de Engenharia. Paulo Heleno é formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), especialista em Patologia das Construções pelo Instituto Eduardo Torroja, da Espanha, doutor em Engenharia pela USP e pós-doutor pela Universidade da Califórnia. Atualmente, trabalha como professor e pesquisador da USP.

Resistência do concreto é a checada no caminhão-betoneira

Com uma plateia de numerosos estudantes, Paulo Helene demonstrou fatos sobre a resistência do concreto que, muitas vezes, não se aprende em sala de aula. Um deles foi sobre a resistência. Ele falou sobre a importância de se fazer todos os testes previstos em normas e ter em mente que a resistência é obtida no teste com corpo de prova padrão, tomando a amostra diretamente do caminhão-betoneira. Já na estrutura, o concreto tem uma resistência diferente, que é maior. O que se chama na Engenharia Civil de fck é um valor que representa a resistência potencial máxima do concreto na boca da betoneira, segundo o professor. Existem cálculos adicionais que podem ser feitos para se descobrir a resistência a compressão do concreto já na obra pronta. O professor enfatizou que, dentro da totalidade de concreto dentro de um caminhão betoneira, 95% dele deve ter a resistência conforme a de projeto, como fck 45 por exemplo, e 5% pode ter valor menor. Também é preciso saber – e isso não se aprende em sala de aula – que a resistência do concreto pode se alterar, com o tempo, para menos. Principalmente sob carga, com o passar dos anos, podendo ser décadas, a resistência do concreto na obra pode cair. Por causa desse tipo de conhecimento de “vida real”, Helene estimulou os presentes a frequentar eventos, ler publicações técnicas, fazer cursos e sempre se atualizar para além do que se aprende na universidade.

A rigidez da norma brasileira

Helene ainda estabeleceu algumas comparações entre a norma brasileira sobre preparo do concreto, estabelecida na NBR 12655 da Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT), e as normas europeia e norte-americana. A especificidade brasileira não passa somente pela norma, inclusive: o nosso corpo de prova é cilíndrico, enquanto nos países europeus utiliza-se um modelo cúbico. É possível estabelecer correspondências entre os diferentes tipos de corpo de prova, mas Paulo Helene destacou que a resistência do concreto não é inerente ao material e depende das dimensões em que é medido. Apesar de ter norma diferente e corpo de prova diferente, nem por isso o concreto brasileiro tem qualidade inferior. O engenheiro defendeu que o Brasil tem as melhores construtoras do mundo, empresas que competem internacionalmente. E, ainda, que o fato de muitos empreendedores reclamarem que o concreto frequentemente tem resultado insatisfatório na obra só acontece porque temos normas rígidas. Enquanto isso, em outros países os testes não são feitos, de modo que não há resultado negativo. Fechando a palestra, o especialista apresentou exemplos da rigidez da norma brasileira. Um deles é o critério de aceitação: no Brasil, não pode haver mais do que 5% dos resultados de concreto abaixo do fck. Na norma vigente em países europeus, um valor individual de resistência pode ser o valor de projeto menos 4 megapascal. Ou seja, se o valor de projeto for 20 e a amostra der 16 megapascal, o concreto será aceito, mesmo sendo este valor expressivamente mais baixo. “O procedimento de controle adotado no Brasil é o mais rigoroso do mundo. Não caiu nenhuma obra até hoje por má resistência do concreto e nem vai cair”, finalizou.

O evento foi promovido pelo Clube de Engenharia, Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e Divisão Técnica de Estruturas (DES), com apoio da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) e do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON).

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