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notícia 02/12/2015

Expansão da Linha 2 do Metrô foi tema de apresentação do secretário de Transportes

Trem da linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, apresentado em 05/02/2015. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil.
Trem da linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, apresentado em 05/02/2015.
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil.

 

A apresentação do secretário de Estado de Transportes do Rio de Janeiro, Carlos Osório, resultou nesta terça-feira (01), no Clube de Engenharia, em uma noite rica de informações e calorosos debates que se seguiram à apresentação do plano de expansão da linha 2 do metrô: Estácio - Carioca - Praça XV. Integraram a mesa o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, a chefe da Divisão Técnica de Transporte e Logística, Uiara Martins, e o professor de Engenharia Urbana e Ambiental da PUC-Rio, Fernando Mac Dowel. Nas boas vindas ao secretário, o presidente do Clube lembrou que a expansão da Linha 2 do metrô foi concebida para viabilizar a chegada da demanda da Baixada Fluminense na estação do Largo da Carioca, apontada como “uma estação que é grande o suficiente e está subutilizada”. “É importante o Governo do Estado ter colocado em discussão essa expansão, trazendo aqui o conhecimento que todos precisamos ter para defender sua construção", afirmou Celestino. 

Na mesma linha, Carlos Osório considerou oportuna a abordagem do tema, já que o projeto de engenharia foi contratado recentemente e os esclarecimentos tornam-se necessários para um debate mais aprofundado. “O governador Luiz Fernando Pezão sinalizou para a expansão Estácio, Catumbi, Carioca e Praça XV, gerando a contratação da empresa que vai realizar o projeto. Serão oito meses até que o projeto fique pronto, em agosto de 2016. O início das obras acontecerá no primeiro semestre de 2017, só após entregarmos os trechos Ipanema - Barra, da Linha 4, previsto para julho de 2016 e a Estação Gávea, prevista para início de 2017". O projeto deve incluir, entre outros pontos, orçamento, método construtivo e prazo das obras. De acordo com Osório, a Fundação Getúlio Vargas fará o acompanhamento e o acordo com a concessionária, com as referências de preço aprovadas pelo Estado.

Integração metropolitana

A importância de integrar o Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense para melhorar a mobilidade urbana na região metropolitana foi reforçada na apresentação. Segundo Osório, a expansão da Linha 2 "é um eixo importante da zona norte, mas também de integração com a Baixada. Neste âmbito, a Linha 2 está dentro do desafio metropolitano, em uma região com 12 milhões de habitantes". 

A Expansão da Linha 2 seguirá um percurso de cinco estações: Estácio - Catumbi - Cruz Vermelha - Carioca - Praça XV, retomando a integração com o sistema de barcas via Baía de Guanabara, hoje subutilizado. O secretário citou, ainda, a confecção em andamento do Plano Diretor Metroviário. "Contratamos um consórcio de empresas especialistas nacionais e estrangeiras em um estudo que mira em 2045. São 30 anos de planejamento de expansão do metrô. Queremos ouvir sugestões e receber as colaborações da sociedade civil na primeira etapa do plano".  

Osório exibiu documentos sobre a determinação desta expansão da Linha 2 que datam de 1968, e esclareceu o novo Plano de Mobilidade Urbana, cujo arcabouço principal, segundo informou, está concluído. No entanto, trata-se de "um documento vivo que vai evoluir com o tempo. Teremos uma reunião com o Banco Mundial, que financiou este trabalho, para apresentar o plano, compartilhando este material com os municípios da região metropolitana, que estão preparando seus planos. É interessante que esses documentos sejam feitos sob uma base de dados comum, para evitar ambiguidades. Também vamos apresentar o plano na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, por solicitação dos deputados". 

O secretário admitiu que as atuais linhas do metrô chegaram ao "limite do limite nos horários de pico. Precisamos da expansão da linha 2 para oxigenar o sistema". Também prestou contas de ações recentes, como a compra de 12 novos trens para que a demanda crescente seja capturada. "Hoje tivemos reunião com o governador sobre a Linha 4 do metrô e temos um curto prazo para esta obra. Já estamos trabalhando na entrada dos sistemas, eletrificação e tudo isso tem que ser feito com cuidado nestes 16 km de linha. A Estação Gávea não estará no eixo principal do Barra - Ipanema para o projeto olímpico de 2016, mas aponta pra uma expansão futura indo para a Estação Uruguai ou Jardim Botânico a partir da Gávea. Hoje terminamos o assentamento de trilhos no trecho General Osório - Jardim Oceânico, com exceção da ponte estaiada".  

Ano Olímpico

Sobre as metas de mobilidade urbana para o ano olímpico na cidade do Rio de Janeiro, Osório afirmou que "2016 fecha um circulo com a Linha 4, BRT e corredor transolímpico. O terceiro corredor BRT vai aliviar os outros corredores dividindo os fluxos e possibilitando equilibrar o sistema que vai nascer com uma nova Linha Amarela e ligação com a Avenida Brasil. Temos também o corredor TransBrasil, que está sendo construído pela prefeitura do Rio neste momento e o VLT que vai fazer a ligação entre a rodoviária Novo Rio e o Aeroporto Santos Dumont. São duas linhas de VLT a serem implantadas no ano que vem. Do ponto de vista ferroviário, não temos expansão de linha, mas vamos ter um crescimento de capacidade para 800 mil passageiros por dia até o final de 2016 com os novos trens", comemorou. 

Após a apresentação, o professor Fernando Mac Dowel fez algumas observações e criticou a priorização da Linha 1 do metrô do Rio em detrimento da Linha 2, que atende grande demanda e favorece a região metropolitana. O acadêmico alertou para a importância da integração com a Praça XV para "salvar o sistema de barcas do Rio, que já foi o maior do mundo, com cerca de 200 mil pessoas transportadas por dia". 

Durante o debate que se seguiu à apresentação, o secretário respondeu a questionamentos, sugestões e críticas de estudantes, engenheiros, representantes de associações de moradores e movimentos sociais voltados para o tema da mobilidade urbana. Na ocasião, o engenheiro e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura no Rio de Janeiro - Crea-RJ, Alcebíades Fonseca, deu ênfase à participação popular nestes processos. “É o que estamos fazendo aqui. Não adianta, na prancheta, projetar algo que não vai atender à população. É um esforço perdido. Por isso o fórum discute com acadêmicos e sociedade civil. As audiências públicas são muitas vezes feitas para cumprir um ritual, mas não são levadas a efeito as reivindicações colocadas pela população. Sua presença aqui é importante e significa um avanço". Uiara Martins finalizou reforçando o convite para que secretário Carlos Osório retorne ao Clube.

O evento foi promovido pela Divisão Técnica de Transporte e Logística ( DTRL), Diretoria de Atividades Técnicas do Clube de Engenharia - DAT e o Fórum de Mobilidade Urbana.

Acesse aqui os vídeos do evento na íntegra.