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artigo 25/11/2015

O Parque do Flamengo, coroamento do Aterro

Foto: Fernando Alvim.

Foto: Fernando Alvim.

 

Por Cesar Drucker, Diretor de Atividades Culturais do Clube de Engenharia. 

Os festejos que estão ocorrendo pelo cinquentenário do Parque do Flamengo são um bom motivo não só para relembrar a construção deste símbolo do Rio, mas também para falar sobre a base deste parque, uma obra construída ao longo de um século.

De fato, o início do aterramento foi concomitante com o desmonte do Morro do Castelo, contemporâneo da construção da Av. Rio Branco, no começo do século passado, seguido pelo Morro de Santo Antônio. E na sua execução ocorreram destacadas obras públicas: marítimas, rodoviária, sanitária e monumental. Coisa rara hoje em dia, este conjunto teve continuidade ao longo de governos da Prefeitura do Distrito Federal, quando ainda éramos capital da República, e depois pelos governadores do sucessor Estado da Guanabara.

Na área aterrada inicialmente, que avançava do aeroporto Santos Dumont na direção do Flamengo, foram construídos o Museu de Arte Moderna, projetado pelo arquiteto da Prefeitura Affonso Eduardo Reidy, e o Monumento dos Pracinhas, projetado pelos também arquitetos da Prefeitura Marcos Konder e Helio Ribas.

O grande espaço aterrado em frente à Av. Rio Branco foi palco de um evento que teve grande repercussão na época: o 13º Congresso Eucarístico Internacional com a presença do Papa.

Nos anos 50, a implantação da indústria automobilística no país produziu uma entusiasmada mentalidade rodoviária, da qual resultou a proposta de uma via expressa desde o túnel do Pasmado até o aeroporto Santos Dumont. Prevista originalmente com 4 pistas , foi finalmente construída com duas .

Ao mesmo tempo, foi proposta a criação de um grande parque de lazer, que foi concebido por Affonso Eduardo Reidy. A SURSAN, Superintendência de Urbanização e Saneamento, implantou a via expressa e o parque. Seu Grupo de Trabalho, composto por técnicos de várias especialidades coordenou e fiscalizou as obras e serviços. A Coordenadora do Grupo foi Maria Carlota (Lota) Macedo Soares.

São destaques do Parque o projeto paisagístico e de ajardinamento de Roberto Burle Marx, e a então inovadora iluminação. Além de reinstalar a praia do Flamengo, a SURSAN criou uma nova praia em Botafogo.

Embora invisível, uma importante obra de saneamento foi construída no Parque. É o Interceptor Oceânico que conduz os esgotos sanitários desde o Centro até o lançamento submarino em Ipanema.

No filme Flores Raras, que conta o relacionamento entre Lota Macedo Soares e a poetiza norte-americana Elizabeth Bishop, também é mostrada a determinação do então governador Carlos Lacerda e de Lota na criação e implantação do Parque do Flamengo.

Clique aqui para fotos do evento.