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notícia 07/06/2017

Observatório Torre Alta dá início à coleta de dados sobre mudanças climáticas na Amazônia

Torre ajudará pesquisadores a entenderem as mudanças climáticas e o papel da Amazônia no clima do planeta. Foto: Ascom/MC.
Torre ajudará pesquisadores a entenderem as mudanças climáticas e o papel da Amazônia no clima do planeta.
Foto: Ascom/MC.

Instalada em 2015 em uma parceria do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Instituto Max Planck de Química, da Alemanha, a Torre Alta de Observação da Amazônia (Torre ATTO, na sigla em inglês) terminou a primeira etapa de validação de instrumentos de coleta de dados. A estrutura de 325 metros de altura, a maior da América Latina, foi erguida no meio da floresta, em São Sebastião do Uatumã (156km de Manaus). O objetivo é compreender melhor a influência da Amazônia no clima global e também os efeitos das mudanças climáticas no ecossistema local.

“O projeto preenche uma lacuna no Brasil, onde temos dificuldade de fazer monitoramento ambiental. A torre, instalada em uma área intacta da floresta, vai conseguir mensurar não só o ecossistema e as trocas gasosas da atmosfera, mas também a própria importância que a floresta tem para o planeta”, diz Adacto Benedicto, conselheiro do Clube de Engenharia e coordenador do Curso de Especialização em Engenharia Sanitária e Ambiental da UERJ. Os coordenadores do projeto no Brasil dizem que dados inéditos já foram obtidos nessa primeira etapa, como a constatação do transporte de poeira do deserto do Saara para a floresta.

A torre será capaz de realizar medições de metano, dióxido de carbono, ozônio e outros gases do efeito estufa. A altura, similar a de um prédio de 80 andares, possibilitará que o raio de coleta de dados chegue a centenas de quilômetros.

“O Brasil, como signatário do Acordo de Paris, tem uma responsabilidade grande com o mundo no combate às mudanças climáticas. O Instituto Max Planck, que construiu um observatório similar na floresta da Sibéria, é um grande parceiro do Inpa no projeto”, diz Ibá dos Santos Silva, chefe da Divisão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS) do Clube de Engenharia.

“É importante que os dados coletados não fiquem engavetados, que sejam usados na formulação de políticas. Áreas do conhecimento que podem se beneficiar com o projeto são, por exemplo, a Climatologia, a Ecologia e a Hidrologia, em diálogo com áreas da Engenharia, como a Engenharia Civil”, afirma Adacto Benedicto. Para o especialista, os dados coletados pela Torre ATTO poderão, além de auxiliar no combate às mudanças climáticas, fomentar o desenvolvimento de tecnologias limpas para a restauração de ecossistemas degradados, por exemplo, pelo desmatamento.

O projeto custou cerca de R$26 milhões, bancado 50% por verbas federais captadas pelo Inpa e 50% pelo Instituto Max Planck. A logística de instalação não foi simples: feitos em Curitiba, os segmentos da torre foram transportados de caminhão e balsa até a floresta, a 4.000 km. Lá, a estrutura foi toda montada no chão e depois içada. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estimou, à época da instalação, custo operacional de R$2 milhões ao ano.