Livro traça os caminhos para o desenvolvimento através de pesquisa e engenharia básica

‘Engenharia e Tecnologia para o Desenvolvimento’, de Irineu Soares, mostra como modelo da Petrobras pode ajudar o país a alcançar patamar de nações desenvolvidas

Numa época em que o Brasil busca superar a estagnação econômica e encontrar um novo rumo de desenvolvimento, é oportuno o lançamento do livro “Engenharia e Tecnologia para o Desenvolvimento” (Editora Interciência), do engenheiro mecânico Irineu Soares. Conselheiro do Clube, ele trabalhou durante 50 anos na Petrobras e sintetizou na obra grande parte do conhecimento que acumulou ao longo da carreira na empresa e em seus estudos. É uma aula de como o planejamento, a pesquisa e a engenharia de projetos podem levar ao desenvolvimento tecnológico e virar a base de impulso para o crescimento industrial e socioeconômico.

O engenheiro traça sua análise a partir da teoria defendida pelo antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) em sua obra clássica “O Processo Civilizatório”, que mostra como as revoluções tecnológicas engendraram transformações socioeconômicas ao longo da história. A tese é de que devido ao domínio de tecnologias que foram avançando ao longo do tempo, as sociedades sofreram mudanças qualitativas evolutivas. Os avanços instrumentais e na quantidade e diversidade de fontes de energia teriam elevado a humanidade ao atual patamar de civilização e são os principais responsáveis pelo padrão econômico, social e ambiental das nações.

Ao analisar o caso brasileiro, Irineu Soares mostra como o país, após ter hesitado na sua industrialização e até ter tardiamente adotado um modelo de substituição de importações, passou a praticar uma linha mais desenvolvimentista. O início dessa trajetória deu-se a partir da Revolução de 1930, que se contrapôs ao conservadorismo da República Velha, período que tinha como premissa o princípio de que “O Brasil é um país essencialmente agrícola”, como uma espécie de vocação e fatalidade.

Ao assumir o poder, Getúlio Vargas teve o mérito de defender a industrialização do Brasil, seguindo o processo iniciado na Inglaterra no século XVIII. Mesmo que seu governo tenha adotado linha autoritária, principalmente durante o período do Estado Novo, seus progressos em diversos campos foram inquestionáveis. Sua contribuição para o progresso culminou com seu segundo governo na década de 1950, época da criação da Petrobras.

A empresa pode ser considerada um modelo no desenvolvimento tecnológico. Ela foi pioneira no Brasil na atividade de engenharia básica, que faz interface com a pesquisa tecnológica, unindo muitas vezes universidades e outras empresas parceiras, inclusive do exterior. Grande parte desse potencial foi adquirido com a criação em 1963 de uma unidade de pesquisa & desenvolvimento, que hoje funciona na Ilha do Fundão. O Cenpes (Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello) recebeu uma série de prêmios e foi fundamental para a Petrobras ter se tornado uma referência na exploração em águas profundas e ter descoberto o pré-sal.

“Houve uma iniciativa da Petrobras da qual eu tive a oportunidade de participar, quando ocorreu a implantação da engenharia básica. Isso permitiu atingir um estágio em que ela conquistou completo domínio da tecnologia. Primeiramente, é feito o planejamento geral, em que são colocadas as demandas tecnológicas. A partir delas, são desenvolvidos os projetos de pesquisa científica e tecnológica. A engenharia básica entra criando o elo entre as pesquisas e a operação, permitindo a implantação dos empreendimentos, de forma a contribuir para a maior efetividade do desenvolvimento tecnológico e industrial do país, aprimorando o processo de implantação dos empreendimentos e favorecendo o desenvolvimento das empresas de engenharia brasileiras”, conta Irineu.

O autor explica que, apesar de ser um processo bastante técnico que começou a vigorar em 1975, sua efetivação sempre esteve vinculada a uma visão política nacional-desenvolvimentista. No entanto, vem sendo enfraquecida com o advento de governos neoliberais.

Apesar dos retrocessos vividos pelo país, há segundo o autor um enorme potencial brasileiro a ser explorado, que pode levar o país a um alto padrão de desenvolvimento que hoje está presente nas nações mais ricas. Segundo ele, o Brasil precisa adotar nova estratégia em que a tecnologia passa a ser estimulada, com uma articulação entre empresas nacionais e universidades e centros de pesquisa, tendo a engenharia básica como aliada na implantação dos projetos. O modelo da Petrobras pode servir de inspiração para o país alcançar um novo patamar e passar a figurar no grupo de alto desenvolvimento humano e tecnológico.

Engenharia e Tecnologia para o Desenvolvimento” tende a se tornar uma referência para a área tecnológica e de planejamento e já pode ser adquirido através do site da editora ou pela loja  Amazon.

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