Mineração cresce, diversifica receitas e reforça papel na economia brasileira

Mineração cresce, diversifica receitas e reforça papel na economia brasileira

Crédito: CONFEA
Mineração cresce, diversifica receitas e reforça papel na economia brasileira
Brasil nos trilhos

Artigo originalmente publicado na revista Geologia Todo Dia #15 (março/2026), de autoria de Christian Vasconcelos

O setor mineral brasileiro encerrou 2025 com resultados superiores aos de 2024, consolidando-se como um dos principais motores da economia nacional. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) em fevereiro de 2026 apontam crescimento do faturamento, expansão do emprego, aumento da arrecadação e o fortalecimento dos investimentos, ainda que em mudanças relevantes na composição das receitas.

Ao longo do ano, a mineração demonstrou capacidade de adaptação a um cenário internacional marcado por oscilações de preços e incertezas geopolíticas. Se, por um lado, houve pressão sobre o ferro, tradicional item da pauta exportadora brasileira, por outro, minerais estratégicos ganharam protagonismo e sustentaram a expansão do setor.

Faturamento avança dois dígitos

Em 2025, o faturamento da indústria mineral brasileira alcançou R$ 298,8 bilhões, alta de 10,3% em valor nominal em relação aos R$ 270,8 bilhões registrados em 2024.

Ainda no primeiro semestre, o desempenho já indicava essa trajetória: R$ 139,2 bilhões, um crescimento de 7,5% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O avanço foi impulsionado principalmente pelo desempenho de metais como ouro e cobre, associado ao fortalecimento dos chamados minerais críticos, essenciais à transição energética e às novas tecnologias. No mercado internacional, o preço médio do ouro registrou alta de 43,9% em 2025, enquanto o preço médio do cobre avançou 8,7%, contribuindo para elevar o valor exportado em dólares desses bens.

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GTD com IBRAM

No caso do ouro, além da grande valorização internacional, houve também aumento significativo do volume físico exportado, que passou de 61,9 toneladas em 2024 para 73,5 toneladas em 2025, crescimento de 18,8%. Neste aspecto, o mesmo ocorreu com as exportações de manganês, que cresceram 56,2% em volume, alcançando 1,1 milhão de toneladas.

Minério de ferro perde fôlego relativo

Embora permaneça como a principal commodity mineral do país, o minério de ferro registrou queda de 3% no valor exportado em dólares em 2025, passando de US$ 29,9 bilhões para US$ 29 bilhões.

O recuo ocorreu mesmo com recorde no volume físico embarcado, que saltou de 388,7 milhões para 416,4 milhões de toneladas, registrando crescimento de aproximadamente 7,1%.

A diferença entre o aumento do volume exportado e a redução do valor obtido em dólar reflete a acomodação do preço médio internacional do minério de ferro ao longo do ano. O dado indica que o setor conseguiu ampliar sua presença física no mercado internacional, mesmo sob condições menos favoráveis de preços.

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GTD com IBRAM/IEA-2025

Minerais críticos ganham espaço

Os minerais críticos e estratégicos tiveram expansão expressiva em 2025. Já no primeiro semestre, o faturamento desse grupo crescia mais de 40% na comparação anual, impulsionado pela demanda global por insumos ligados à eletrificação, energias renováveis e aumento de energia.

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GTD com IBRAM


Lítio, níquel, nióbio, cromo, grafita e terras raras estão no centro dessa nova dinâmica, reforçando o potencial do Brasil como fornecedor estratégico para a transição energética global. O movimento sugere uma diversificação gradual da pauta mineral brasileira, historicamente concentrada no minério de ferro.

Empregos e exportações em alta

O número de empregos ligados no setor, segundo dados do Novo CAGED levantados pelo IBRAM, atingiu 229.312 postos em novembro de 2025, com geração de 8.330 novas vagas ao longo do ano: um crescimento de 3,6%. Embora em ritmo inferior ao do faturamento, o avanço pode ser considerado consistente, sinalizando também aumento de produtividade e maior incorporação de tecnologia às operações.

Já quanto às exportações, o país embarcou cerca de 431 milhões de toneladas de produtos minerais, frente a pouco mais de 400 milhões de toneladas em 2024, significando um aumento de 7,1% em volume físico. Em termos de valor exportado em dólares, as vendas externas passaram de US$ 43,44 bilhões para US$ 46,12 bilhões, crescimento de 6,2%.

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Crédito: Vale

A diferença entre o crescimento do volume (7,1%) e do valor (6,2%) indica que parte das commodities comercializadas a preços médios internacionais inferiores aos de 2024, enquanto outras, como ouro, cobre e manganês, registraram elevação tanto no preço médio quanto no volume exportado.

Importações sob controle ampliam superávit

No campo das importações, o volume físico importado recuou de 41,4 milhões para 40,8 milhões de toneladas (-1,4%), enquanto o valor gasto em dólares permaneceu praticamente estável, passando de US$ 8,50 bilhões para US$ 8,51 bilhões (+0,1%).

Carvão mineral, potássio e enxofre seguem entre os principais itens importados, evidenciando dependência externa em insumos estratégicos, especialmente para a produção de fertilizantes. Com exportações em alta e importações controladas, o superávit da balança mineral alcançou US$ 37,6 bilhões em 2025, acima do resultado observado em 2024.

Setor responde por 55% do saldo comercial do país

Em 2025, o saldo da balança comercial mineral respondeu por 55% do saldo total da balança comercial brasileira, que foi de US$ 68,29 bilhões. Em outras palavras, mais da metade do resultado positivo do comércio exterior do país teve origem direta na atividade mineral. Em 2024, o saldo da balança comercial mineral (US$ 34,9 bilhões) havia sido equivalente a 47% do saldo da balança comercial brasileira (US$ 74,5 bilhões).

A comparação entre os dois anos evidencia uma tendência clara: mesmo diante de oscilações de preços internacionais, o setor manteve forte capacidade exportadora e ampliou sua relevância macroeconômica. O desafio estrutural permanece na redução da dependência de importações estratégicas, especialmente ligadas à cadeia de fertilizantes.

Arrecadação também cresce, mas…

Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) levantados pelo IBRAM, a arrecadação total de tributos do setor atingiu R$ 103,1 bilhões em 2025, frente a R$ 93,4 bilhões em 2024, alcançando um crescimento nominal de 10,3%.

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GTD com IBRAM

Já a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que é repartida entre municípios (60%) e estados produtores (15%), multiplicou-se pela atividade mineradora em 15% e União (10%), somou R$ 7,91 bilhões, superando os R$ 7,45 bilhões do ano anterior. O minério de ferro, com 69,1%, seguido do cobre (7,7%) e do ouro (7,4%), são os que têm maior participação na arrecadação da CFEM.

Embora tenha alcançado 2.760 municípios, os valores permanecem fortemente concentrados nos estados de Minas Gerais (45%) e Pará (39%). Apenas Canaã dos Carajás (PA) e Parauapebas (PA) somaram R$ 2,35 bilhões, equivalentes a 29,7% do total da CFEM.

Pontos fortes e desafios

Entre os principais avanços do ano estão o crescimento do faturamento, a ampliação da arrecadação, a geração consistente de empregos e a expansão dos investimentos estratégicos. A mineração demonstrou resiliência diante da volatilidade internacional e capacidade de adaptação às novas demandas globais.

Contudo, apesar do desempenho positivo, persistem desafios estruturais. A dependência de alguns mercados compradores continua elevada, especialmente para o minério de ferro. Além disso, a concentração geográfica da produção e da arrecadação em poucos estados mantém desigualdades regionais. A volatilidade dos preços internacionais também segue como variável determinante para o desempenho futuro.

O que esperar?

Para além de um simples crescimento anual, 2025 pode ser interpretado como um ano de transição. A mineração brasileira começa a ampliar sua base produtiva e a inserir-se de forma mais decisiva na cadeia global de minerais estratégicos ligados à transição energética.

Segundo o IBRAM, a carteira de investimentos projetada cresceu de US$ 68,4 bilhões (2025-2029) para US$ 76,9 bilhões (2026-2030), com direcionamento a minerais críticos, inovação, sustentabilidade e infraestrutura logística.

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Crédito: Agência GOV BR – Via ANM

Se confirmadas essas projeções, o minério tende a consolidar um novo ciclo de expansão, menos dependente do minério de ferro e mais alinhado às transformações energéticas globais.

O desempenho de 2025 mostra que a mineração (e a geologia) permanecem centrais para a economia brasileira, agora com uma dinâmica mais diversificada, ecológica e estrategicamente integrada às novas cadeias globais de valor.

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