Olavo Cabral: cidadão brasileiro, engenheiro militante, pintor e poeta

Olavo Cabral no Clube de Engenharia. Foto: Fernando Alvim.

Há um mês, o Clube de Engenharia se despediu de um de seus conselheiros mais combativos e atuantes, e também um dos mais antigos. Olavo Cabral Ramos Filho faleceu no dia 29 de Dezembro, deixando imensas saudades na família, entre os amigos e no Clube de Engenharia, onde tinha significativa participação nas reuniões do Conselho Diretor e na liderança, nem sempre consensual, de grandes debates nacionais. O conselheiro vitalício foi homenageado em uma emocionada sessão do Conselho Diretor em 28 de Janeiro, com a presença dos filhos Renato Rodrigues Cabral Ramos e Maria Clara Cabral Ramos, da neta Helena Cabral Ramos e do irmão Roberto Luís Ramos, que lembrou, provocando alguns sorrisos cúmplices: “Olavo não era fácil”. A tradução é simples. Olavo era um cidadão extremamente apaixonado pelo Brasil, pela engenharia, e pela política, e não media esforços para levantar e defender suas bandeiras.

Engenharia, política e cultura

José Carlos de Lacerda Freire, que organizou a homenagem, comentou exatamente a dedicação do conselheiro: “A participação de Olavo no Clube de Engenharia foi sempre efetuada com grande paixão, grande conhecimento dos assuntos em discussão, autenticidade, lealdade para com seus pares. Deixou entre nós uma enorme lacuna, e uma grande saudade”. Heloi Moreira, ex-presidente do Clube, deu destaque à atuação de Cabral na área cultural: quando diretor do Clube, Olavo foi o responsável pelo financiamento, pelo Clube, da restauração de quadros de catedráticos do século XIX da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assim como da restauração das primeiras teses de doutorado de engenharia da escola. Heloi citou as lutas que Cabral encampou em nome do Clube em prol da ocupação do Largo do São Francisco, onde se iniciou o ensino da Engenharia no país, e da homenagem a Lima Barreto, na Feira Literária de Parati (Flip) de 2017.

Seu interesse por História o levou a contribuir, de maneira irreversível, para o resgate da memória do Clube de Engenharia, como lembrou, sem esconder a emoção, o conselheiro e amigo Paulo Metri: foi Olavo Cabral quem começou uma pesquisa em atas de reuniões do Clube para demarcar a importância da instituição para o país, tendo conseguido que fossem contratados quatro pesquisadores de História para a empreitada, que mais tarde resultou no livro “A importância do Clube de Engenharia nos momentos decisivos da vida do Brasil”, publicado em 1996. E foi assim que Metri resumiu a importância de Olavo Cabral em quase quatro décadas de atuação: “Posições do Clube foram tomadas ou enriquecidas baseadas em suas posições”.

Uma das mais recentes delas foi lembrada pelo presidente Pedro Celestino: o documento Diretrizes para o Sistema Elétrico Brasileiro, elaborado por diversos conselheiros da instituição, tem Olavo Cabral como autor do último parágrafo, “Este documento ficaria incompleto se não recordasse a essência das recomendações sobre o setor elétrico aprovadas em diversos momentos – desde 1989 até 2013 – pelo Conselho Diretor do Clube de Engenharia, com ênfase na busca do controle das empresas estatais pela sociedade para transformá-las em empresas de fato públicas e cidadãs. É essencial que os Conselhos de Administração passem a ser autônomos em relação ao Poder Executivo, cabendo-lhes definir os critérios de mérito para a ocupação dos cargos de direção das empresas, como meio de reduzir drasticamente as indesejáveis interferências políticas externas”.

Arte, viagens e futebol

As surpresas sobre a versatilidade de Olavo Cabral surgiram nos depoimentos da família, quando foram apresentados lados do engenheiro que muitos do Clube jamais conheceram. Seu filho Renato, companheiro de todas as horas, revelou o interesse do pai por genealogia e sua busca incessante pelas origens da família; seu eclético hábito de leitura; a carga de conhecimento que detinha por tantas viagens feitas; e seu imenso apreço pelas artes, que o transformou em pintor e poeta. Era, ainda, um apaixonado por chá e futebol.  A neta Helena, muito emocionada, contou do carinho eterno que sente pelo avô, da saudade diária de sua presença sempre próxima e de quanto ele a influenciou, e também a sua prima, nas artes cênicas. O irmão, Roberto, lembrou a relação que ambos tinham como engenheiros, a importância que Olavo dava à engenharia com conteúdo social e o quanto valorizava o Clube de Engenharia como esfera de atuação política. Ao final da homenagem, o Clube entregou um buquê de flores a Maria Clara Ramos, filha de Olavo.

Saiba mais sobre a história de Olavo Cabral na biografia elaborada pela família.

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