O prefeito Pereira Passos, em quatro anos, transformou o Rio de Janeiro na Cidade Maravilhosa. Meio século depois, o presidente Juscelino Kubistchek construiu Brasília, transferiu a capital e ficou o Rio entregue à própria sorte. Quase 50 anos já se passaram e as brigas políticas entre as três esferas do poder só contribuíram para a degradação da cidade.

A conquista dos Jogos Olímpicos de 2016 foi recebida por cariocas e fluminenses como a esperança de uma nova era para a cidade, pelo resultado do trabalho conjunto do presidente Lula, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes, juntamente com o Comitê Olímpico Brasileiro. Esta não foi a primeira tentativa do Rio em sediar as Olimpíadas, mas foi a primeira vez que o projeto apresentou uma real coalizão entre os três poderes em prol da cidade.

Há muito trabalho pela frente e a sociedade civil não pode apenas assistir, precisa participar ativamente destas mudanças para que elas se tornem realidade.

O Clube de Engenharia, que reúne os mais destacados engenheiros do País, deve estar fortemente inserido  neste processo.

Diferentemente do início do século XX, hoje as transformações na cidade precisam, além da aprovação da Câmara Municipal, atender às exigências do Estatuto das Cidades, das áreas de meio ambiente, patrimônio histórico, etc. A complexidade é muito maior, o que faz com que os projetos, desde a concepção até sua conclusão, tenham que transpor vários obstáculos. O Clube de Engenharia pode ajudar, orientar, mediar conflitos….

A Prefeitura do Rio deu a largada para as Olimpíadas de 2016 com o início das obras do “Porto Maravilha”. A revitalização do Porto do Rio é um dos compromissos da cidade com o Comitê Olímpico Internacional, porque naquela região será construída uma Vila de Acomodações com 1.840 quartos,  bem próxima aos navios que também servirão para hospedagem dos atletas e equipes.

A Diretoria convidou o secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias, para explicar o projeto aos sócios do Clube de Engenharia no último dia 22 de outubro.  O projeto “Porto Maravilha” está dividido em duas fases. A primeira, que deve ter início em outubro, será executada pela Prefeitura, com investimento de R$ 200 milhões e serve apenas como ponto de partida. A transformação completa da Zona Portuária se dará na segunda fase do projeto que deverá ser custeado pela iniciativa privada e ainda precisa de aprovação da Câmara Municipal. O projeto está restrito à Zona Portuária. E o resto da cidade?

Os problemas são muitos e misturam-se nas esferas dos poderes, começando pela outra porta de entrada da cidade que é o Aeroporto Internacional Tom Jobim. A decisão de recuperá-lo é Federal. A despoluição da Baía de Guanabara e das lagoas da Barra é questão Estadual. O metrô, trens metropolitanos e o estádio do Maracanã também são da alçada Estadual. A conjugação entre prefeito, governador e Governo Federal será vital para o êxito das Olimpíadas. Isto sem falar no transito de pessoas.

O transporte será, seguramente, além da erradicação da violência, o maior desafio. Os cariocas não querem que se repita, em 2016, o que aconteceu nos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Em 2003, o Clube de Engenharia promoveu um seminário sobre o evento e ouviu, das autoridades, diversas promessas: construção do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre a Barra e Penha; duplicação do túnel Zuzu Angel (Lagoa/Barra); construção do Túnel da Grota Funda, ligando o Recreio dos Bandeirantes a Guaratiba; duplicação da Av. Niemeyer; construção de uma via expressa na Av. Brasil etc.

Nenhum dos projetos saiu do papel. Seja por falta de recursos, seja por que foram mal elaborados e não atraíram interesse da iniciativa privada.

A Prefeitura aplicou significativos recursos na construção de equipamentos esportivos, hoje subutilizados, e na Cidade da Música, ainda inacabada.  Apenas as vias onde passaram as delegações foram recapeadas com uma linha vermelha pintada, demarcando a faixa de trânsito exclusivo.

Os governantes do Rio, estado e município, não podem desperdiçar tempo. E o Clube de Engenharia está pronto para ajudar na busca de soluções exequíveis. Em 2011 serão realizados os Jogos Mundiais Militares. Em 2013 a cidade vai sediar a Copa das Confederações. Em 2014 será uma das cidades sedes da Copa do Mundo e onde acontecerá a grande final. Tudo isto como preparativo para os Jogos Olímpicos de 2016.

O prazo é curto, os recursos são escassos, mas com um trabalho conjunto do poder público e da sociedade civil, tendo como único partido o Rio de Janeiro, seremos capazes de mudar a cidade.

Diretoria

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